{"id":63636,"date":"2021-11-22T14:56:02","date_gmt":"2021-11-22T14:56:02","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=63636"},"modified":"2021-11-22T14:56:02","modified_gmt":"2021-11-22T14:56:02","slug":"restaurante-em-rio-verde-que-descumpria-normas-de-saude-e-seguranca-deve-pagar-dano-moral-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/restaurante-em-rio-verde-que-descumpria-normas-de-saude-e-seguranca-deve-pagar-dano-moral-coletivo\/","title":{"rendered":"Restaurante em Rio Verde que descumpria normas de sa\u00fade e seguran\u00e7a deve pagar dano moral coletivo"},"content":{"rendered":"<p>Um restaurante dever\u00e1 oferecer instala\u00e7\u00f5es adequadas e seguras aos empregados, promover o correto controle de jornada e, ainda, pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o no valor de R$ 100 mil como forma de reparar o dano moral coletivo. Essa foi a decis\u00e3o da Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 18\u00aa Regi\u00e3o (TRT-GO) ao manter uma senten\u00e7a da 1\u00aa Vara do Trabalho de Rio Verde (GO) proferida em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica proposta pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho de Goi\u00e1s (MPT-GO).<\/p>\n<p>O MPT-GO acionou a Justi\u00e7a do Trabalho ap\u00f3s apurar den\u00fancias de irregularidades trabalhistas no Sapore S\/A. Quest\u00f5es referentes \u00e0 adequa\u00e7\u00e3o legal de jornada de trabalho dos empregados e estruturas incompat\u00edveis com a NR8, referente ao meio ambiente seguro, foram objetos da a\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o MPT fez o pedido de arbitramento de multa por cada obriga\u00e7\u00e3o descumprida e a condena\u00e7\u00e3o da empresa por danos morais coletivos.<\/p>\n<p>Mesmo o restaurante tendo se defendido, a a\u00e7\u00e3o foi julgada procedente. Na senten\u00e7a, a ju\u00edza do trabalho Samara Moreira reconheceu o descumprimento de normas trabalhistas referentes ao meio ambiente, seguran\u00e7a e medicina do trabalho e ilegalidades de jornada laboral e condenou a empresa.<\/p>\n<h3>Defesa<\/h3>\n<p>Com o objetivo de reverter a decis\u00e3o, o restaurante recorreu ao TRT-18. Alegou o uso do espa\u00e7o f\u00edsico da empresa onde presta o servi\u00e7o e que o contrato prev\u00ea instala\u00e7\u00f5es f\u00edsicas necess\u00e1rias para as atividades de estocagem, prepara\u00e7\u00e3o e fornecimento de alimenta\u00e7\u00e3o compat\u00edveis com as exigidas pela Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria, Autoridades Trabalhistas e de Seguran\u00e7a. Quanto \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 jornada de trabalho, sustentou cumprir as normas e conven\u00e7\u00f5es trabalhistas, inclusive mantendo controle de anota\u00e7\u00f5es de ponto sobre as horas trabalhadas dos funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>O relator, juiz convocado C\u00e9sar Silveira, manteve a senten\u00e7a recorrida. Para ele, os contratos entre as empresas e tomadores de servi\u00e7os devem cumprir as normas de sa\u00fade e seguran\u00e7a do trabalho, pois cabe ao empregador responder pelos riscos da atividade econ\u00f4mica desempenhada. No caso, o magistrado destacou que o restaurante deveria observar o Regulamento T\u00e9cnico de Boas Pr\u00e1ticas para Servi\u00e7os de Alimenta\u00e7\u00e3o, da Anvisa; e a Norma Regulamentadora n\u00ba 08 do MTE, sobre os requisitos m\u00ednimos que devem ser observados nas edifica\u00e7\u00f5es, para garantir seguran\u00e7a e conforto aos que nelas trabalhem.<\/p>\n<p>Nos autos, destacou C\u00e9sar Silveira, h\u00e1 provas de que o piso era escorregadio por falta de um exaustor que conseguisse evitar que res\u00edduos de \u00f3leo de origem animal e vegetal se espalhassem pelo piso do ambiente, tornando-o escorregadio. Sobre a jornada de trabalho, o magistrado destacou que as provas confirmam os descumprimentos legais com jornadas excessivas. \u201cDesse modo, emerge patente, no caso dos autos, o descumprimento por parte da r\u00e9 de sua obriga\u00e7\u00e3o de proporcionar aos seus empregados um ambiente de trabalho seguro e saud\u00e1vel\u201d, afirmou.<\/p>\n<h3>Dano Moral Coletivo<\/h3>\n<p>O magistrado entendeu que houve uma clara les\u00e3o ao padr\u00e3o moral da sociedade, fruto da reprov\u00e1vel conduta da empregadora pelo n\u00e3o atendimento das normas de sa\u00fade e seguran\u00e7a do trabalho. Sobre a forma de quantifica\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria, C\u00e9sar Silveira explicou que a compensa\u00e7\u00e3o pelo dano moral coletivo deve considerar o car\u00e1ter pedag\u00f3gico da medida, evidenciando que a conduta il\u00edcita n\u00e3o ser\u00e1 tolerada pela sociedade.<\/p>\n<p>Todavia, conforme o julgador, deve ser evitado que o quantum indenizat\u00f3rio inviabilize a atividade econ\u00f4mica. Por isso, o relator manteve as obriga\u00e7\u00f5es determinadas em senten\u00e7a. Contudo, fixou prazo de trinta dias para a adequa\u00e7\u00e3o nas instala\u00e7\u00f5es, a partir do tr\u00e2nsito em julgado do ac\u00f3rd\u00e3o. Al\u00e9m disso, o relator manteve os R$100 mil fixados na senten\u00e7a como valor para a repara\u00e7\u00e3o dos danos coletivos.<\/p>\n<p><strong>Processo: 0010396-03.2020.5.18.0101<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um restaurante dever\u00e1 oferecer instala\u00e7\u00f5es adequadas e seguras aos empregados, promover o correto controle de jornada e, ainda, pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o no valor de R$ 100 mil como forma de reparar o dano moral coletivo. 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