{"id":61886,"date":"2021-08-03T12:58:27","date_gmt":"2021-08-03T12:58:27","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=61886"},"modified":"2021-08-03T12:58:27","modified_gmt":"2021-08-03T12:58:27","slug":"martine-grael-e-kahena-kunze-sao-bicampeas-das-olimpiadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/martine-grael-e-kahena-kunze-sao-bicampeas-das-olimpiadas\/","title":{"rendered":"Martine Grael e Kahena Kunze s\u00e3o bicampe\u00e3s das Olimp\u00edadas"},"content":{"rendered":"<p>LEANDRO COLON \/ ENOSHIMA, JAP\u00c3O (FOLHAPRESS) \u2013 Cinco anos depois da Ba\u00eda de Guanabara, agora foi a vez de a ilha de Enoshima, no Jap\u00e3o, ser o palco da medalha de ouro das velejadoras Martine Grael e Kahena Kunze.<\/p>\n<p>A dupla brasileira conquistou o bi ol\u00edmpico em T\u00f3quio-2020, nesta ter\u00e7a-feira (3), na regata final da categoria 49er FX, ap\u00f3s a prova ter sido adiada em um dia por quest\u00f5es meteorol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>As velejadoras terminaram a regata decisiva em terceiro, o suficiente para o t\u00edtulo depois de 12 regatas na semana. Alem\u00e3s (prata) e holandesas (bronze) completaram o p\u00f3dio.<\/p>\n<p>No Rio, as brasileiras sa\u00edram carregadas no barco pela torcida. Agora, sem espectadores devido \u00e0 pandemia da Covid-19, elas deixaram a \u00e1gua de Enoshima, uma pequena ilha cercada por mist\u00e9rios, lendas e f\u00e9, sob gritos e aplausos da equipe brasileira da vela, incluindo Torben Grael, pai de Martine, cinco vezes medalhista ol\u00edmpico na vela e chefe do time nos Jogos.<\/p>\n<p>\u201cAqui (Enoshima), proporcionalmente, foi muito bom, todos os nossos amigos estavam ali\u201d, disse Martine logo ap\u00f3s conquistar o segundo ouro. \u201cTer ali as pessoas que a gente admira tanto, que est\u00e3o nessa batalha por ser atleta ol\u00edmpico na vela\u2026 \u00c9 muito dif\u00edcil trilhar esse rumo\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O lugar mais alto do p\u00f3dio nas Olimp\u00edadas, em duas edi\u00e7\u00f5es consecutivas, confirma o favoritismo pr\u00e9-Jogos e reafirma o que hoje fica ainda mais evidente em \u00e1guas japonesas: as brasileiras, parceiras desde 2013, tornaram-se um fen\u00f4meno da vela nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria em Enoshima \u00e9 a 19\u00aa medalha ol\u00edmpica do Brasil nesse esporte, um dos mais vitoriosos do pa\u00eds no evento esportivo.<br \/>\nCom exce\u00e7\u00e3o das modalidades coletivas, antes do bicampeonato de Martine e Kahena apenas Adhemar Ferreira da Silva havia ganhado duas medalhas de ouro em edi\u00e7\u00f5es consecutivas dos Jogos Ol\u00edmpicos. A fa\u00e7anha dele no salto triplo foi alcan\u00e7ada em Helsinque-1952 e Melbourne-1956.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, nem mesmo Robert Scheidt e Torben Grael, cada um com cinco medalhas ol\u00edmpicas na vela, duas delas de ouro, conseguiram subir ao principal lugar do p\u00f3dio em sequ\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma honra ter o nome ao lado dos que fizeram nome no esporte. Ainda n\u00e3o caiu a ficha, n\u00e9\u201d, disse Kahena, ap\u00f3s a conquista.<\/p>\n<p>Martine Grael e Kahena Kunze, ambas com 30 anos, t\u00eam dado sequ\u00eancia a uma tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 brasileira no cen\u00e1rio mundial como tamb\u00e9m familiar.<\/p>\n<p>Pai de Martine, Torben Grael \u00e9 recordista de medalhas ol\u00edmpicas (cinco no total) entre brasileiros -ao lado do tamb\u00e9m velejador Robert Scheidt, que terminou em oitavo na classe laser nos Jogos de T\u00f3quio.<\/p>\n<p>Segundo ele, T\u00f3quio-2020 foi uma competi\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil para a dupla brasileira. \u201cElas tiveram alguns obst\u00e1culos que nunca tinham acontecido. Na primeira regata, estavam super bem, e a escuta do bal\u00e3o ficou presa entre a asa e o barco, e [elas] acabaram caindo pra 15\u00ba Esse segundo ouro foi um desafio grande\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para ele, a vit\u00f3ria da filha vale muito mais do que as medalhas que o pr\u00f3prio conseguiu na carreira. \u201cVoc\u00ea, quando est\u00e1 competindo, est\u00e1 entretido. N\u00e3o tem muito espa\u00e7o para emo\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tem nada para fazer [de fora], s\u00f3 torcer. E \u00e9 muito mais emocionante pra mim ver uma medalha dela do que ganhar uma medalha, porque ver meus filhos bem-sucedidos \u00e9 muito bom\u201d, afirmou o brasileiro.<\/p>\n<p>Nesta ter\u00e7a, na chamada regata da medalha, nas \u00e1guas da ilha de Enoshima, as duas velejadoras foram ousadas na estrat\u00e9gia, ao abrir a largada numa dire\u00e7\u00e3o diferente das demais, e conseguiram tirar a pequena vantagem obtida pelas holandesas Annemiek Bekkering e Annette Duetz ao fim das 12 regatas que precedem a decisiva.<\/p>\n<p>As advers\u00e1rias ficaram com o bronze. A prata foi para as alem\u00e3s Tina Lutz e Sussan Beucke.<\/p>\n<p>Pelas regras ol\u00edmpicas, os barcos disputam num circuito um n\u00famero determinado de regatas antes da prova decisiva. No caso da categoria 49er FX, foram 12.<\/p>\n<p>O vencedor de cada uma ganha um ponto, o segundo colocado leva dois, e assim segue pelas 21 duplas (no caso dessa categoria) da disputa.<\/p>\n<p>Se um barco n\u00e3o termina uma regata ou \u00e9 desclassificado, recebe pontua\u00e7\u00e3o equivalente ao total de competidores e um ponto adicional. Por exemplo: se 20 barcos est\u00e3o na competi\u00e7\u00e3o, quem \u00e9 penalizado dessa maneira leva 21 pontos.<\/p>\n<p>A pior pontua\u00e7\u00e3o nas regatas \u00e9 descartada, e a chamada \u201cmedal race\u201d conta em dobro. Ganha quem tem menos pontos no fim de tudo.<\/p>\n<p>Martine e Kahena chegaram \u00e0 prova final dependendo s\u00f3 delas. E conseguiram, mais uma vez.<\/p>\n<p>Durante as regatas da semana, as brasileiras mostraram por que s\u00e3o um fen\u00f4meno. Por duas vezes terminaram em primeiro lugar, ainda conseguiram uma segunda coloca\u00e7\u00e3o e chegaram em terceiro na regata final.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, a vit\u00f3ria ol\u00edmpica veio em casa, nos Jogos do Rio, na presen\u00e7a de familiares e amigos. Elas foram carregadas nas areias da Ba\u00eda de Guanabara.<\/p>\n<p>Nos Jogos de T\u00f3quio-2020, Martine Grael e Kahena Kunze viveram outra realidade. Dist\u00e2ncia das pessoas do Brasil, isolamento na chegada ao Jap\u00e3o e falta de p\u00fablico devido \u00e0 pandemia da Covid-19.<\/p>\n<p>Em comum, no entanto, al\u00e9m do calor e beleza das duas praias, a medalha ol\u00edmpica, reafirmando a dupla brasileira como uma das mais talentosas da vela.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das duas medalhas, elas acumulam o ouro no Mundial de 2014 e quatro pratas na mesma competi\u00e7\u00e3o, em 2013, 2015, 2017 e 2019. Ainda colecionam um ouro (2019) e uma prata (2014) em Pan-Americanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LEANDRO COLON \/ ENOSHIMA, JAP\u00c3O (FOLHAPRESS) \u2013 Cinco anos depois da Ba\u00eda de Guanabara, agora foi a vez de a ilha de Enoshima, no Jap\u00e3o, ser o palco da medalha de ouro das velejadoras Martine Grael e Kahena Kunze. 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