{"id":60928,"date":"2021-06-06T16:44:52","date_gmt":"2021-06-06T16:44:52","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=60928"},"modified":"2021-06-06T16:44:52","modified_gmt":"2021-06-06T16:44:52","slug":"juliette-cobra-ate-r-400-mil-por-publicidade-no-instagram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/juliette-cobra-ate-r-400-mil-por-publicidade-no-instagram\/","title":{"rendered":"Juliette cobra at\u00e9 R$ 400 mil por publicidade no Instagram"},"content":{"rendered":"<p>Com a falta de eventos com espa\u00e7o para marketing em raz\u00e3o da pandemia de Covid-19, muitas marcas passaram a redirecionar o or\u00e7amento publicit\u00e1rio para influencers. A campe\u00e3 do Big Brother Brasil 21, Juliette Freire, 31, por exemplo, cobra at\u00e9 R$ 400 mil por publicidade no Instagram -um post no feed da rede social e tr\u00eas s\u00e9ries de stories.<\/p>\n<p>Ou seja, se fizer quatro trabalhos neste valor, a paraibana j\u00e1 supera o pr\u00eamio de R$ 1,5 milh\u00e3o que ganhou do programa da TV Globo.<\/p>\n<p>Segundo agentes do mercado, o cach\u00ea alto seria em raz\u00e3o da falta de agenda de Juliette. No momento, ela est\u00e1 fechando apenas contratos de seis meses, por valores menores: cerca de R$ 100 mil por sequ\u00eancia de stories e R$ 200 mil por um post. Os pre\u00e7os s\u00e3o aproximados, pois cada marca tem uma negocia\u00e7\u00e3o com o influencer, de acordo com a campanha a ser realizada.<\/p>\n<p>&#8220;Nenhum valor no marketing de influ\u00eancia \u00e9 exato. \u00c9 uma m\u00e9dia sempre, porque tudo vai depender do momento daquele influenciador, da disponibilidade, do segmento. Ent\u00e3o, se ele for muito nichado em gastronomia, provavelmente vai cobrar mais para anunciantes do setor&#8221;, diz Isabela Soller, fundadora da Soller Assessoria e Soller Digital.<\/p>\n<p>Procurada, a assessoria da ex-BBB, que conta com uma legi\u00e3o de cerca de 30 milh\u00f5es de seguidores no Instagram, n\u00e3o havia se pronunciado at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da reportagem.<\/p>\n<p>&#8220;[O influencer] gera uma humaniza\u00e7\u00e3o da marca, pois ele \u00e9 o consumidor. Em termos proporcionais [aos da m\u00eddia tradicional], gera mais convers\u00e3o de vendas&#8221;, afirma Isabela.<\/p>\n<p>A chance de os seguidores adquirirem um produto anunciado por uma personalidade nas redes \u00e9 alta, dada a rela\u00e7\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o entre o f\u00e3 e o consumidor. Al\u00e9m disso, quanto mais seguidores, mais seleto o influenciador com as parcerias.<\/p>\n<p>Segundo pesquisa da ag\u00eancia de marketing de influ\u00eancia MField feita nas redes sociais em abril, 19,8% dos 17.590 respondentes disseram comprar algo porque determinado influenciador usa. Tamb\u00e9m h\u00e1 quem compre para ajudar o influenciador (7%) e porque o veem como refer\u00eancia no ramo do produto anunciado (23,7%).<\/p>\n<p>Com quase o dobro dos seguidores de Juliette -53,9 milh\u00f5es-, a cantora Anitta tamb\u00e9m chega a cobrar at\u00e9 R$ 400 mil por publicidade em seu perfil no Instagram. Os trabalhos da cantora nas redes tendem a girar em torno de R$ 300 mil pelo combo de post e stories.<\/p>\n<p>Bruna Marquezine, com 40,6 milh\u00f5es de seguidores, cobra R$ 200 mil. Isis Valverde, com 25,6 milh\u00f5es de seguidores, pede R$ 100 mil. Procuradas pela reportagem via assessoria, elas n\u00e3o responderam.<\/p>\n<p>&#8220;Artistas que chegam a um determinado patamar se tornam bastante seletivos n\u00e3o s\u00f3 por valores mas tamb\u00e9m pela credibilidade do influenciador, que anuncia produtos nos quais confia&#8221;, afirma Michel Kneit, presidente da Contrate Artistas.<\/p>\n<p>As cifras tendem a acompanhar a quantidade de seguidores de cada influencer.<\/p>\n<p>A tamb\u00e9m ex-BBB 21 Sarah Andrade, por exemplo, com 8,6 milh\u00f5es de seguidores, cobra de R$ 35 mil a R$ 40 mil pelo combo de um post combinado com uma s\u00e9rie de stories. A faixa \u00e9 a mesma cobrada pela participante do BBB 20 Mari Gonzalez, com 10,7 milh\u00f5es de seguidores, e pelo humorista J\u00falio Cocielo, com 15,7 milh\u00f5es de seguidores.<\/p>\n<p>Thaynara OG, com 4,5 milh\u00f5es de seguidores, cobra cerca de R$ 85 mil pelo combo b\u00e1sico no Instagram. Eduardo Camargo (Edu) e Filipe Oliveira (Fih), do Diva Depress\u00e3o, com 1,9 milh\u00e3o de seguidores, tem um custo de cerca de R$ 30 mil. Flavia Pavanelli, com 18,3 milh\u00f5es de seguidores, cobra R$ 25 mil. Lorelay Fox, com 656 mil seguidores, est\u00e1 na faixa dos R$ 10 mil.<\/p>\n<p>As assessorias dos influencers tamb\u00e9m n\u00e3o responderam os contatos.<\/p>\n<p>Procurada, a Sanofi, que produz o rem\u00e9dio Dulcolax, anunciado pela dupla do Diva Depress\u00e3o, disse que n\u00e3o abre valores de suas campanhas de marketing por pol\u00edticas da companhia. A empresa disse que a a\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m contou com demais influenciadores &#8220;superou todas as expectativas, impactando aproximadamente 1,4 milh\u00e3o de pessoas.&#8221;<\/p>\n<p>A Coca-Cola, que anunciou junto \u00e0 Thaynara OG, tamb\u00e9m disse que n\u00e3o revela valores por cl\u00e1usulas contratuais de confidencialidade.<\/p>\n<p>St. Marche e Renner afirmaram que n\u00e3o abrem valores negociados com influenciadores.<\/p>\n<p>Segundo a rewardStyle + LTK, empresa que conecta marcas e influenciadores, n\u00e3o \u00e9 apenas o n\u00famero de seguidores que conta, mas qual o p\u00fablico, o engajamento e o alcance. Blogueiras com o mesmo n\u00famero de seguidores podem ter retornos diferentes na campanha, j\u00e1 que s\u00e3o muitos fatores na conta.<\/p>\n<p>&#8220;Se o objetivo for alcance, vamos considerar como um excelente retorno influencers que geraram alcance na m\u00e9dia ou acima do que costumam ter em suas publica\u00e7\u00f5es. Se o objetivo da campanha \u00e9 a convers\u00e3o, vamos considerar positiva se os resultados das vendas geradas empatam ou superam o investimento da campanha&#8221;, diz Philip Kauders, diretor da rewardStyle + LTK na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Segundo a empresa, a taxa de convers\u00e3o das pessoas impactadas pelas publica\u00e7\u00f5es em vendas dos produtos anunciados por influencers \u00e9, em m\u00e9dia, de 1,8% no Facebook, de 0,86% no Instagram e de 0,93% no YouTube.<\/p>\n<p>O aquecimento do mercado, impulsionado pela pandemia, \u00e9 observado tamb\u00e9m nos dados das redes. De acordo com o Facebook, de 2019 a 2020, o n\u00famero de criadores de conte\u00fado que ganham o equivalente a US$ 10 mil (R$ 50,4 mil) por m\u00eas cresceu 88% e dos que ganham US$ 1 mil (R$ 5 mil) por m\u00eas cresceu 94%.<\/p>\n<p>A rewardStyle + LTK, fundada por uma influenciadora americana, tem ainda outra ferramenta de vendas, a LTK (LIKEtoKNOW.it), popular nos Estados Unidos. Nesta esp\u00e9cie de marketplace, os seguidores encontram os looks e acess\u00f3rios de um influencer para comprar. Na plataforma, a taxa de convers\u00e3o \u00e9 de 4%.<\/p>\n<p>Antecipando esse boom, a companhia come\u00e7ou a atuar no Brasil h\u00e1 quatro anos. &#8220;A cultura de influencers aqui j\u00e1 era muito forte naquela \u00e9poca, com muitos influenciadores com milh\u00f5es de seguidores, algo muito robusto, e ach\u00e1vamos que o ecommerce ia decolar aqui&#8221;, diz Kauders.<\/p>\n<p>A companhia recruta influenciadores em sua plataforma e os conecta com marcas, levando um pequeno percentual do neg\u00f3cio e ganhando no volume de parcerias.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Mayara Dancini, 34. Em 2015 ela come\u00e7ou a postar v\u00eddeos no YouTube sobre produtos e maquiagens importados. Ganhou p\u00fablico e chegou a ter 15 mil inscritos no seu canal. O retorno do Google, por\u00e9m, era baixo, cerca de US$ 60 (R$ 302) a US$ 100 (R$ 504) por m\u00eas, afirma ela.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, em 2020, a rewardStyle + LTK entrou em contato com a blogueira e a direcionou para publicidade. Sua maior parceria hoje \u00e9 com a Sephora, loja de cosm\u00e9ticos importados.<\/p>\n<p>Como o seu p\u00fablico \u00e9 justamente voltado a produtos de luxo, sua taxa de convers\u00e3o -rastre\u00e1vel por cupons e links espec\u00edficos- nesta parceria \u00e9 alta: de 3% a 5%.<\/p>\n<p>Ao perceber o potencial retorno com as redes sociais, Mayara optou por deixar a carreira de pesquisadora. Formada e com mestrado em qu\u00edmica pela Ufscar (Universidade Federal de S\u00e3o Carlos), doutorado em f\u00edsico-qu\u00edmica pela USP e pela Universidade da Calif\u00f3rnia em Davis, onde fez seu p\u00f3s-doutorado, ela usa os conhecimentos acad\u00eamicos em seus v\u00eddeos, explicando as f\u00f3rmulas dos produtos.<\/p>\n<p>&#8220;Gostava muito da \u00e1rea acad\u00eamica, mas achava que eu n\u00e3o me encaixava de alguma forma. Quando vi que com os meus v\u00eddeos estavam ajudando as pessoas me deu uma sensa\u00e7\u00e3o boa de realiza\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma a youtuber.<\/p>\n<p>Hoje, com 21,6 mil inscritos em seu canal no Youtube e 14,1 mil seguidores no Instagram, ela ganha R$ 4.000 nos piores meses e R$ 12 mil nos melhores.<\/p>\n<p>Quando pesquisadora, tinha uma bolsa da Fapesp (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo) de cerca de R$ 1.500 no mestrado, e de R$ 3.500 no doutorado. Como pesquisadora nos EUA, o sal\u00e1rio l\u00edquido era de US$ 3.000 (R$ 15,1 mil).<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o pensa em voltar para a pesquisa e se diz feliz com a escolha que fez. Seu marido, pesquisador e professor universit\u00e1rio, a apoiou na escolha e arcou com boa parte das contas da casa.<\/p>\n<p>&#8220;Foi dif\u00edcil para a minha m\u00e3e ficar confort\u00e1vel com a ideia. As pessoas julgam. Me perguntam se vou jogar meus estudos fora, que virei blogueirinha, mas estou agregando toda uma bagagem no meu trabalho&#8221;, diz Mayara.<\/p>\n<p>Aline Lowry, 41, por outro lado, n\u00e3o pensa em desistir do seu outro emprego. Al\u00e9m de influenciadora digital, ela tem uma corretora de seguros nos Estados Unidos, onde mora h\u00e1 mais de 20 anos.<\/p>\n<p>Seu marido \u00e9 piloto comercial, o que a rendeu muitas viagens, hot\u00e9is e belas fotos. Hoje, s\u00e3o 146 mil seguidores no Instagram. Parte da audi\u00eancia americana e parte brasileira.<\/p>\n<p>&#8220;Com a pandemia aumentou mais. As pessoas est\u00e3o mais carentes, buscando uma conex\u00e3o de alguma forma com as pessoas online&#8221;, diz Aline.<\/p>\n<p>Fora as parcerias e publicidades, as redes turbinaram a sua corretora. &#8220;\u00c9 impressionante como alcan\u00e7a mais pessoas&#8221;.<br \/>\nNa maior parte dos meses, sua renda vendendo seguros ainda supera a com a internet, mas a receita com o Instagram e Pinterest tem crescido. S\u00e3o, em m\u00e9dia, US$ 8.000 mensais (R$ 40,3 mil).<\/p>\n<p>&#8220;Vejo no futuro isso se invertendo. Hoje, invisto 80% do meu tempo nas redes o resto na ag\u00eancia. Empresas est\u00e3o valorizando cada vez mais o impacto do influenciador na decis\u00e3o de compra do cliente&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Se eu pudesse escolher, ficaria s\u00f3 com as redes sociais, onde tenho liberdade criativa. Seguro \u00e9 algo mais formal, muito mais s\u00e9rio. J\u00e1 pensei em vender o neg\u00f3cio, mas n\u00e3o vale a pena porque eu fico pouco na empresa e o ganho \u00e9 alto. \u00c9 crescer ela e colocar mais gerentes&#8221;, diz Aline.<\/p>\n<p>Kamila Tchara, 31, tamb\u00e9m aproveitou a sua popularidade online para impulsionar as vendas de seu neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A influenciadora, que ganhou notoriedade ao falar de transi\u00e7\u00e3o capilar, tem duas contas no Instagram. Na pessoal, com 78,6 mil seguidores, consegue de R$ 6.000 a R$ 7.000 por m\u00eas com parcerias. Na sua loja online de acess\u00f3rios de cabelo e bijuterias, com 8.657 seguidores, fatura cerca de R$ 2.000 mensais.<\/p>\n<p>&#8220;Aumentaram bem mais as parcerias com a pandemia. Faturo muito mais que antes. As empresas entenderam a necessidade de estar online&#8221;, diz Kamila.<\/p>\n<p>Kauders, da rewardStyle + LTK, diz que tem crescido a busca por influenciadores nichados, como Mayara.<\/p>\n<p>&#8220;Claro que os maiores ir\u00e3o atrair mais olhares, por\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio entender que os menores acabam tendo a taxa de engajamento bem maior. Isso acontece porque as pessoas est\u00e3o em busca de criadores cada vez mais relacion\u00e1veis com suas vidas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>As pr\u00f3prias redes sociais aproveitam o movimento. O TikTok j\u00e1 possui o marketplace de criadores de conte\u00fado, como a rewardStyle + LTK, em alguns pa\u00edses para promover colabora\u00e7\u00f5es entre marcas e influencers. O recurso, por\u00e9m, ainda n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para o Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Com o TikTok Creator Marketplace , marcas e ag\u00eancias podem descobrir e fazer parcerias com criadores de conte\u00fado qualificados e inovadores, mandar um convite para eles, e gerenciar e monitorar campanhas de conte\u00fado de marca, para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o e atrair novos clientes. \u00c9 uma ferramenta self-service&#8221;, explica a companhia.<\/p>\n<p>Quanto, em m\u00e9dia, o influenciador cobra pelo combo de post e stories no Instagram:<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 20 mil seguidores &#8211; R$ 1.200<\/strong><br \/>\n<strong>De 20 mil seguidores a 100 mil seguidores &#8211; R$ 5.000<\/strong><br \/>\n<strong>De 100 mil seguidores a 1 milh\u00e3o de seguidores &#8211; R$ 8.000<\/strong><br \/>\n<strong>Mais de um milh\u00e3o de seguidores &#8211; R$ 12.000<\/strong><br \/>\n<strong>Mais de tr\u00eas milh\u00f5es de seguidores &#8211; R$ 22.000<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a falta de eventos com espa\u00e7o para marketing em raz\u00e3o da pandemia de Covid-19, muitas marcas passaram a redirecionar o or\u00e7amento publicit\u00e1rio para influencers. 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