{"id":5858,"date":"2017-12-25T04:12:26","date_gmt":"2017-12-25T04:12:26","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=5858"},"modified":"2017-12-25T04:12:26","modified_gmt":"2017-12-25T04:12:26","slug":"desigualdades-crescem-no-mundo-principalmente-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/desigualdades-crescem-no-mundo-principalmente-nos-eua\/","title":{"rendered":"Desigualdades crescem no mundo, principalmente nos EUA"},"content":{"rendered":"<p>As desigualdades aumentaram profundamente no mundo desde a d\u00e9cada de 1980, em particular nos Estados Unidos, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira por uma centena de economistas, que se mostram preocupados com o poss\u00edvel agravamento da situa\u00e7\u00e3o at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>Europa, \u00c1frica, \u00c1sia e o continente americano, as desigualdades aumentaram em quase todas as regi\u00f5es do mundo, afirma o relat\u00f3rio sobre a desigualdade global, que compara de maneira in\u00e9dita a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza a n\u00edvel mundial e sua evolu\u00e7\u00e3o em quase quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Este fen\u00f4meno, no entanto, aconteceu com ritmos diferentes, de acordo com as regi\u00f5es, afirmam os coordenadores do estudo, que apontam um forte aumento das desigualdades nos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m na China e na R\u00fassia, pa\u00edses cujas economias registraram uma significativa liberaliza\u00e7\u00e3o durante os anos 1990.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, que teve como principais coordenadores Lucas Chancel (da Paris School of Economics), Gabriel Zucman (Berkeley) e Thomas Pikkety, autor do best-seller O Capital no s\u00e9culo XXI, a parte da riqueza nacional nas m\u00e3os de 10% dos contribuintes mais ricos passou de 21% a 46% na R\u00fassia e de 27% a 41% na China, entre 1980 e 2016.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos e Canad\u00e1, este \u00edndice passou de 34% a 47%, enquanto na Europa foi registrado um aumento mais moderado (de 33% a 37%).<\/p>\n<p>No Oriente M\u00e9dio, na \u00c1frica subsaariana e no Brasil, as desigualdades permaneceram relativamente est\u00e1veis, mas a n\u00edveis muito elevados, afirma o documento.<\/p>\n<p>&#8211; Diverg\u00eancia extrema &#8211;<\/p>\n<p>Em 2016, o p\u00f3dio das regi\u00f5es e pa\u00edses menos igualit\u00e1rios era formado por Brasil (55% da renda nacional nas m\u00e3os do 1% mais rico), \u00cdndia (55%) e Oriente M\u00e9dio (61%), que perfila segundo os autores um horizonte de desigualdades em escala mundial.<\/p>\n<p>No Oriente M\u00e9dio, as desigualdades est\u00e3o sem d\u00favida subestimadas, destaca o relat\u00f3rio, que menciona uma contradi\u00e7\u00e3o entre as estat\u00edsticas oficiais dos pa\u00edses do Golfo e alguns aspectos de sua pol\u00edtica econ\u00f4mica, como o crescente recurso a trabalhadores estrangeiros mal remunerados.<\/p>\n<p>Em termos de evolu\u00e7\u00e3o, a diverg\u00eancia \u00e9 extrema entre a Europa ocidental e os Estados Unidos, que tinham n\u00edveis de desigualdade compar\u00e1veis em 1980, mas se encontram atualmente em situa\u00e7\u00f5es radicalmente diferentes, destaca o estudo, realizado com a colabora\u00e7\u00e3o de mais de 100 pesquisadores de 70 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em 1980, a parte da riqueza nacional nas m\u00e3os de 50% dos contribuintes mais pobres era quase id\u00eantica nas duas regi\u00f5es: 24% na Europa ocidental e 21% nos Estados Unidos. Desde ent\u00e3o, o \u00edndice permaneceu est\u00e1vel, a 22%, no lado europeu e caiu a 13% nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Um fen\u00f4meno que se explica, de acordo com Thomas Piketty, pela queda das rendas da menor faixa nos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m por uma desigualdade consider\u00e1vel na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o e uma tributa\u00e7\u00e3o cada vez menos progressiva neste pa\u00eds.<\/p>\n<p>Isto mostra que as pol\u00edticas p\u00fablicas t\u00eam um forte impacto nas desigualdades, completa.<\/p>\n<p>&#8211; Margens de manobra &#8211;<\/p>\n<p>A principal v\u00edtima desta din\u00e2mica, segundo o relat\u00f3rio, baseado em 175 milh\u00f5es de dados fiscais e estat\u00edsticas resultantes do projeto wid.world (wealth and income database), \u00e9 a classe m\u00e9dia mundial.<\/p>\n<p>Desde 1980, o 1% mais rico aproveitou o dobro do crescimento mundial que os 50% mais pobre, destacou Lucas Chancel em uma entrevista coletiva. De acordo com ele, os contribuintes mais pobres viram sua renda aumentar levemente, o que n\u00e3o aconteceu com a classe m\u00e9dia, com um crescimento de renda fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>Estas desigualdades v\u00e3o aumentar ou diminuir no futuro? Em seu estudo, os autores antecipam um novo crescimento at\u00e9 2050, com base nas atuais tend\u00eancias. A participa\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio dos mais ricos aumentaria assim de 33% a 39%, enquanto a classe m\u00e9dia mundial veria sua participa\u00e7\u00e3o no patrim\u00f4nio cair de 29% a 27%.<\/p>\n<p>Tal evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, no entanto, inevit\u00e1vel, insistiu Chancel. De acordo com as proje\u00e7\u00f5es, as desigualdades aumentar\u00e3o caso os pa\u00edses sigam a tend\u00eancia atual nos Estados Unidos, mas podem registrar uma leve queda caso repitam a trajet\u00f3ria da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>H\u00e1 margens de manobra. Tudo depender\u00e1 das decis\u00f5es tomadas, conclui Pikkety, que considera necess\u00e1rio um debate p\u00fablico sobre as quest\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As desigualdades aumentaram profundamente no mundo desde a d\u00e9cada de 1980, em particular nos Estados Unidos, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira por uma centena de economistas, que se mostram preocupados com o poss\u00edvel agravamento da situa\u00e7\u00e3o at\u00e9 2050. 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