{"id":56574,"date":"2020-09-09T18:53:42","date_gmt":"2020-09-09T18:53:42","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=56574"},"modified":"2020-09-09T18:53:42","modified_gmt":"2020-09-09T18:53:42","slug":"advogados-de-lula-e-wilson-witzel-sao-alvos-de-acao-que-mira-desvios-no-sistema-s-de-r-150-mi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/advogados-de-lula-e-wilson-witzel-sao-alvos-de-acao-que-mira-desvios-no-sistema-s-de-r-150-mi\/","title":{"rendered":"Advogados de Lula e Wilson Witzel s\u00e3o alvos de a\u00e7\u00e3o que mira desvios no Sistema S de R$-150 mi"},"content":{"rendered":"<p>O novo desdobramento da\u00a0<strong>opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato<\/strong>\u00a0aponta para a participa\u00e7\u00e3o de escrit\u00f3rios de advocacias ligados a pol\u00edticos que ocupam ou j\u00e1 ocuparam cargos majorit\u00e1rios. Orlando Teixeira e Cristiano Zanin, respons\u00e1vel pela defesa do ex-presidente Luiz In\u00e1cio\u00a0<strong>Lula<\/strong>\u00a0da Silva;\u00a0<strong>Frederick Wassef<\/strong>, ligado a fam\u00edlia\u00a0<strong>Bolsonaro<\/strong>; e Ana Tereza Bas\u00edlio, que advoga para o governador afastado do Rio,\u00a0<strong>Wilson Witzel<\/strong>, est\u00e3o entres os principais alvos de buscas e apreens\u00e3o.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) denunciou s\u00f3cios de escrit\u00f3rios de advocacia que receberam pelo menos R$ 151 milh\u00f5es da Federa\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (<strong>Fecom\u00e9rcio<\/strong>-RJ) entre 2012 e 2018, sem comprovar o servi\u00e7o prestado. O objetivo era montar uma blindagem que mantivesse o empres\u00e1rio Orlando Diniz no comando da entidade.<\/p>\n<p>A den\u00fancia, oferecida ao juiz Marcelo Bretas, titular da 7\u00aa Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, sustenta que os envolvidos cometeram crime federal por usar na manobra verbas do Sistema S (no caso Sesc e Senac), provenientes de contribui\u00e7\u00e3o social compuls\u00f3ria incidente sobre a folha salarial dos empres\u00e1rios do com\u00e9rcio. Portanto, dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<div class=\"m-banner-wrap m-publicity-content-middle\"><\/div>\n<p>No mesmo momento em que denuncia o grupo, o MPF, em parceria com a Pol\u00edcia Federal (PF) e com a Receita Federal,\u00a0promove nesta quarta-feira opera\u00e7\u00e3o de busca e apreens\u00e3o em 50 endere\u00e7os, incluindo as firmas dos envolvidos e outros escrit\u00f3rios e empresas, porque al\u00e9m dos valores desviados h\u00e1 suspeita de malversa\u00e7\u00e3o de mais R$ 200 milh\u00f5es. A den\u00fancia, que atinge um total de 26 pessoas, j\u00e1 foi recebida pela Justi\u00e7a e agora os alvos s\u00e3o r\u00e9us no processo.<\/p>\n<p>Dos 26 denunciados, 23 s\u00e3o advogados, um deles ex-ministro do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), al\u00e9m de um auditor fiscal do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), do ex-governador S\u00e9rgio Cabral e o pr\u00f3prio Diniz. O chamado \u201cn\u00facleo duro\u201d do esquema \u00e9 acusado pelo MPF de peculato \u2014 pelo desvio de dinheiro p\u00fablico do Sistema S \u2014, tr\u00e1fico de influ\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o de prest\u00edgio e de organiza\u00e7\u00e3o criminosa. Os demais escrit\u00f3rios s\u00e3o acusados de peculato, alguns deles tamb\u00e9m de explora\u00e7\u00e3o de prest\u00edgio.<\/p>\n<p>Um dos dos advogados denunciados \u00e9 Eduardo Filipe Alves Martins, filho do rec\u00e9m-empossado presidente do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), ministro Humberto Martins. De acordo com a investiga\u00e7\u00e3o, o escrit\u00f3rio de Eduardo, Escrit\u00f3rio de Advocacia Martins, teria recebido R$ 40 milh\u00f5es da Fecom\u00e9rcio. Diniz acreditava, diz a den\u00fancia, na influ\u00eancia de Martins junto a ministros das Cortes de Bras\u00edlia. Martins teria pedido mais R$ 40 milh\u00f5es para distribuir para outros escrit\u00f3rios.<\/p>\n<div class=\"m-banner-wrap m-publicity-content-middle\"><\/div>\n<p>Para fixar a compet\u00eancia do juiz Bretas, a for\u00e7a-tarefa da Lava-Jato argumentou que o esquema de Diniz se uniu ao esquema do ex-governador S\u00e9rgio Cabral no desvio do dinheiro do Sistema S. Outro dos alvos da investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 o escrit\u00f3rio Teixeira, Martins Advogados, do advogado Roberto Teixeira, s\u00f3cio de Cristiano Zanin Martins, o respons\u00e1vel pela defesa criminal do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Esse escrit\u00f3rio, contratado pela influ\u00eancia que exercia junto ao governo petista, recebeu sem comprovar servi\u00e7o R$ 12 milh\u00f5es, sustenta o MPF.<\/p>\n<p>A den\u00fancia \u00e9 resultado do cruzamento de provas obtidas pela investiga\u00e7\u00e3o da Lava-Jato com as dela\u00e7\u00f5es premiadas de Orlando Diniz e do doleiro \u00c1lvaro Novis, que operou para a organiza\u00e7\u00e3o comandada por S\u00e9rgio Cabral e para empres\u00e1rios de \u00f4nibus no esc\u00e2ndalo que ficou marcado pela \u201ccaixinha da Fetranspor\u201d.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o sustenta que, por interm\u00e9dio do escrit\u00f3rio de Eduardo Martins, Diniz teria subornado um auditor fiscal do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), Cristiano Rondon Prado De Albuquerque, para que ele passasse informa\u00e7\u00f5es sigilosas sobre as auditorias em andamento, envolvendo a Fecom\u00e9rcio, e orientasse a defesa da entidade.<\/p>\n<div class=\"m-banner-wrap m-publicity-content-middle\"><\/div>\n<p>A for\u00e7a-tarefa apurou que o esquadr\u00e3o jur\u00eddico foi montado por Diniz em 2012, quando o Conselho Fiscal do Sesc, na \u00e9poca presidido por Carlos Gabas, ex-ministro da Previd\u00eancia Social e da Avia\u00e7\u00e3o Civil (governos Lula e Dilma), encontrou irregularidades da gest\u00e3o do Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio no Rio de Janeiro, o Sesc-RJ, no ano anterior. Como a Fecom\u00e9rcio geria o Sesc-RJ, que recebia recursos federais, Diniz passou a correr o risco de afastamento, Para permanecer no cargo, foi convencido a procurar pessoas que tivessem influ\u00eancia junto aos governos petistas. Foi assim que chegou a Roberto Teixeira e os demais escrit\u00f3rios indicados por ele, diz a den\u00fancia.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s da decis\u00e3o do Conselho Fiscal, estava a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), disposta a travar uma queda-de-bra\u00e7o com Diniz at\u00e9 a sua destitui\u00e7\u00e3o. O inqu\u00e9rito apurou que Teixeira teria dito a Diniz que os custos para se manter no comando da Fecom\u00e9rcio, evitando que a auditoria do conselho fiscal do Sesc tivesse desdobramentos na Justi\u00e7a. ficariam em R$ 10 milh\u00f5es. Ele conseguiu juntar R$ 1 milh\u00e3o com economias pessoais e completou o resto com recursos p\u00fablicos do sistema S. O dinheiro, de acordo com a den\u00fancia, foi entregue pelo doleiro Alvaro Novis a Teixeira em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Come\u00e7aria assim a ciranda de advogados que levou a Fecom\u00e9rcio a desembolsar ao menos R$ 151 milh\u00f5es para assegurar por meios extrajudiciais a perman\u00eancia de Diniz a frente da institui\u00e7\u00e3o. Esta c\u00e1lculo, de acordo com as investiga\u00e7\u00f5es, se fundamenta apenas nas despesas n\u00e3o comprovadas pelos escrit\u00f3rios. Se contabilizados os servi\u00e7os comprovados, ultrapassa os R$ 200 milh\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo desdobramento da\u00a0opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato\u00a0aponta para a participa\u00e7\u00e3o de escrit\u00f3rios de advocacias ligados a pol\u00edticos que ocupam ou j\u00e1 ocuparam cargos majorit\u00e1rios. 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