{"id":5644,"date":"2017-12-25T02:55:49","date_gmt":"2017-12-25T02:55:49","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=5644"},"modified":"2017-12-25T02:55:49","modified_gmt":"2017-12-25T02:55:49","slug":"risco-de-jovens-negras-serem-mortas-e-duas-vezes-maior-que-o-de-brancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/risco-de-jovens-negras-serem-mortas-e-duas-vezes-maior-que-o-de-brancas\/","title":{"rendered":"Risco de jovens negras serem mortas \u00e9 duas vezes maior que o de brancas"},"content":{"rendered":"<p>Os \u00edndices de viol\u00eancia contra a juventude, especialmente contra a juventude negra, levou a representante da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), Marlova Jovchelovitch Noleto, a afirmar que o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas multissetoriais de prote\u00e7\u00e3o a jovens de 15 a 29 anos \u00e9 mais que uma prioridade: \u00e9 uma necessidade brasileira.<\/p>\n<p>Dados do \u00cdndice de Vulnerabilidade Juvenil \u00e0 Viol\u00eancia, divulgados hoje (11) pela Unesco em parceria com a Secretaria Nacional de Juventude e o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, refor\u00e7am a constata\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o os jovens de 15 a 29 anos, negros, moradores das periferias e das \u00e1reas metropolitanas dos grandes centros urbanos, as maiores v\u00edtimas da viol\u00eancia. Com base na an\u00e1lise das ocorr\u00eancias de 2015, os pesquisadores tamb\u00e9m conclu\u00edram que, em 26 das 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o, a taxa de homic\u00eddios \u00e9 maior entre as mulheres negras nesta faixa et\u00e1ria do que entre as mulheres brancas.<\/p>\n<p>Nacionalmente, o risco de uma jovem negra ser v\u00edtima de homic\u00eddio \u00e9 2,19 vezes maior do que o de uma jovem branca. Desmembrando os dados, os pesquisadores identificaram que, no Rio Grande do Norte, o risco de assassinato para as negras desta faixa et\u00e1ria \u00e9 8,11 vezes maior que o de uma jovem branca.<\/p>\n<p>\u201cEsse resultado revela a necessidade de avan\u00e7armos na garantia dos direitos das mulheres e no combate \u00e0 viol\u00eancia ligada \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero\u201d, destaca a representante da Unesco em seu texto introdut\u00f3rio ao \u00cdndice de Vulnerabilidade Juvenil \u00e0 Viol\u00eancia, reafirmando que, para superar essa situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio que o governo promova a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas coordenadas em \u00e1reas como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, trabalho e gera\u00e7\u00e3o de renda e oportunidades iguais para todos.<\/p>\n<p>Divulgado em junho deste ano, pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica e Aplicada (Ipea) e pelo mesmo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, o Atlas da Viol\u00eancia 2017 j\u00e1 revelava que, em 2015, 31.264 das 59.080 pessoas assassinadas eram jovens entre 15 e 29 anos. Dentre eles, 71% eram negros e pardos e 92% do sexo masculino. O Atlas mostra ainda que, entre 2005 e 2015, a taxa de homic\u00eddios de mulheres brancas caiu 7,4%, enquanto a taxa de mortalidade de mulheres negras aumentou 22% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>J\u00e1 o \u00edndice divulgado hoje refor\u00e7a a constata\u00e7\u00e3o de que as taxas de homic\u00eddios de jovens n\u00e3o para de crescer desde a d\u00e9cada de 1980, tendo atingido taxas end\u00eamicas em 2015. A partir da metodologia empregada pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, o documento classifica as unidades da federa\u00e7\u00e3o conforme a vulnerabilidade dos jovens \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Vulnerabilidade juvenil<\/p>\n<p>Considerando seis indicadores de 2015 (mortalidade por homic\u00eddio; mortalidade por acidentes de tr\u00e2nsito; frequ\u00eancia \u00e0 escola e situa\u00e7\u00e3o de emprego; n\u00edveis de pobreza e de desigualdade e a compara\u00e7\u00e3o entre o risco relativo a homic\u00eddios de negros e brancos), os pesquisadores classificaram 12 estados como de alta vulnerabilidade juvenil \u00e0 viol\u00eancia: Alagoas, Cear\u00e1, Par\u00e1, Pernambuco, Roraima, Maranh\u00e3o, Amap\u00e1, Para\u00edba, Sergipe, Amazonas, Piau\u00ed e Bahia.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Tocantins, Rond\u00f4nia, Esp\u00edrito Santo, Acre, Goi\u00e1s, Rio de Janeiro e Paran\u00e1 foram classificados como localidades de baixa vulnerabilidade. As unidades de federa\u00e7\u00e3o onde os jovens de 15 a 29 anos est\u00e3o menos vulner\u00e1veis \u00e0 viol\u00eancia s\u00e3o Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, S\u00e3o Paulo e Santa Catarina.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m calcularam que, em 24 das 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o, as chances de um jovem negro morrer assassinado \u00e9 maior que a de um jovem branco. As exce\u00e7\u00f5es s\u00e3o o Paran\u00e1, onde a taxa de mortalidade de jovens brancos \u00e9 superior \u00e0 de jovens negros; Tocantins, onde o risco \u00e9 bastante pr\u00f3ximo, e Roraima, que n\u00e3o registrou nenhuma morte de jovem branco no per\u00edodo analisado, o que impediu compara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A disparidade mais gritante foi registrada em Alagoas, onde um jovem negro tem 12,7 vezes mais chances de morrer assassinado do que um jovem branco. Em seguida aparece o Amap\u00e1, onde essa propor\u00e7\u00e3o \u00e9 da ordem de 11,9 vezes. Na outra ponta da tabela, o risco relativo no Paran\u00e1 e no Tocantins \u00e9 de, respectivamente, 0,8 e 1,1 vez.<\/p>\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o do \u00edndice, o secret\u00e1rio nacional de Juventude, Francisco de Assis Costa Filho, disse que o diagn\u00f3stico dos problemas que afetam a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cO \u00cdndice de Vulnerabilidade Juvenil \u00e0 Viol\u00eancia tem esse objetivo &#8211; apresentar n\u00fameros e dados da viol\u00eancia contra a juventude, especialmente a juventude negra, para aperfei\u00e7oamento da formula\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es que levem em conta a realidade desses jovens.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os \u00edndices de viol\u00eancia contra a juventude, especialmente contra a juventude negra, levou a representante da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), Marlova Jovchelovitch Noleto, a afirmar que o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas multissetoriais de prote\u00e7\u00e3o a jovens de 15 a 29 anos \u00e9 mais que uma prioridade: &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2552,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5644"}],"collection":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5644"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5644\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5645,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5644\/revisions\/5645"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2552"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}