{"id":5590,"date":"2017-12-25T02:36:30","date_gmt":"2017-12-25T02:36:30","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=5590"},"modified":"2017-12-25T02:36:30","modified_gmt":"2017-12-25T02:36:30","slug":"a-ausencia-das-mulheres-no-premio-nobel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/a-ausencia-das-mulheres-no-premio-nobel\/","title":{"rendered":"A aus\u00eancia das mulheres no pr\u00eamio Nobel"},"content":{"rendered":"<p>As estat\u00edsticas dos pr\u00eamios Nobel apontam um desfavorecimento \u00e0s mulheres, que recebem apenas uma medalha de cada 20. Apesar de uma recente melhora, nos \u00faltimos dois anos nenhuma mulher recebeu o prestigiado pr\u00eamio, que ser\u00e1 entregue neste domingo, 10 dezembro.<\/p>\n<p>As distin\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de Medicina, F\u00edsica e Qu\u00edmica, de Literatura e de Economia ser\u00e3o entregues na Su\u00e9cia, e o da Paz, na Noruega, dois pa\u00edses que se reivindicam feministas e se orgulham por nortear os demais no caminho para a igualdade.<\/p>\n<p>No entanto, embora o n\u00famero n\u00e3o tenha deixado de aumentar desde a primeira edi\u00e7\u00e3o, passando de quatro premiadas entre 1901 e 1920 para 19 entre 2001 e 2017, as mulheres Nobel &#8211; 48 no total &#8211; representam pouco mais de 5% dos 896 premiados de ambos os sexos.<\/p>\n<p>Dos reconhecimentos originais &#8211; o de Economia foi institu\u00eddo em 1968- , o de F\u00edsica e o de Qu\u00edmica s\u00e3o os mais mis\u00f3ginos, tendo apenas premiado duas e quatro mulheres respectivamente. Paradoxalmente, a \u00fanica mulher da Hist\u00f3ria premiada duas vezes, Marie Curie, venceu nas duas categorias, em 1903 e 1911.<\/p>\n<p>&#8211; Laborat\u00f3rios vetados \u00e0s mulheres &#8211;<\/p>\n<p>\u00c9 uma decep\u00e7\u00e3o, olhar para tr\u00e1s e ver que as mulheres t\u00eam sido muito menos premiadas, reconhece G\u00f6ran Hansson, secretario permanente da Academia Real das Ci\u00eancias em Estocolmo, encarregada dos pr\u00eamios de F\u00edsica, Qu\u00edmica e Economia.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum chauvinismo masculino substancial nos comit\u00eas de sele\u00e7\u00e3o do Nobel, garante Hansson. Quatro desses comit\u00eas (Medicina, Qu\u00edmica, Paz, Literatura) s\u00e3o presididos por mulheres.<\/p>\n<p>Para ele, o fato de haver t\u00e3o poucas premiadas se deve, em primeiro lugar, ao fato de os laborat\u00f3rios lhes terem fechado as portas durante muito tempo.<\/p>\n<p>Um efeito pir\u00e2mide confirmado pela f\u00edsica Anne LHuillier, membro da Academia Real das Ci\u00eancias e membro do comit\u00ea Nobel desde 2010.<\/p>\n<p>\u00c9 completamente evidente, sobretudo nas mat\u00e9rias duras, exceto para as ci\u00eancias da vida, assegura.<\/p>\n<p>Contudo, os pr\u00eamios de Medicina, atribu\u00eddo pelo prestigiado instituto Karolinska, n\u00e3o \u00e9 muito alentador: 12 mulheres de um total de 214 premiados, isto \u00e9, 5,6%.<\/p>\n<p>O pr\u00eamio de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas em mem\u00f3ria a Alfred Nobel, financiado pelo Banco da Su\u00e9cia, s\u00f3 foi dado a mulheres em uma ocasi\u00e3o, em 2009: a americana Elinor Ostrom.<\/p>\n<p>Voc\u00eas viram, \u00e9 verdade, somos todos homens brancos, velhos homens brancos, ironizou na \u00faltima quinta-feira em Estocolmo, Richard Thaler, Nobel de Econom\u00eda 2017.<\/p>\n<p>&#8211; O lugar das mulheres no s\u00e9culo XX &#8211;<\/p>\n<p>Na literatura, apenas catorze poetisas ou romancistas (12,3%) foram premiadas. No entanto, a tend\u00eancia n\u00e3o lhe \u00e9 favor\u00e1vel, visto que 36% dos pr\u00eamios nesta disciplina foram para mulheres desde 2007.<\/p>\n<p>Isso vai em boa dire\u00e7\u00e3o e nada nos diz que as estat\u00edsticas n\u00e3o continuar seguir melhorando. Podem fazer isso e o far\u00e3o, escreveu em seu blog a secret\u00e1ria permanente da Academia Sueca.<\/p>\n<p>A Academia Sueca n\u00e3o est\u00e1 submetida \u00e0 estad\u00edsticas. A \u00fanica coisa que preocupa \u00e0 Academia \u00e9 a qualidade, ressaltou Sara Danius, envolvida h\u00e1 semanas nas revela\u00e7\u00f5es #metoo (#yotambien) que trouxeram \u00e0 tona as estreitas rela\u00e7\u00f5es da Academia e o franc\u00eas Jean-Claude Arnault, casado com uma acad\u00eamica e acusado de ter assediado, agredido ou estuprado v\u00e1rias mulheres jovens.<\/p>\n<p>\u00c9 no Nobel da Paz que as mulheres aparecem melhor representadas: 16 premiadas de 104, 15,4%. Mesmo assim, muito distante da paridade.<\/p>\n<p>Uma realidade que aponta ao lugar das mulheres na sociedade do s\u00e9culo XX, segundo Olav Nj\u00f8lstad, diretor do Instituto Nobel noruegu\u00eas.<\/p>\n<p>Como com os outros pr\u00eamios, as coisas come\u00e7aram a mudar, e nos \u00faltimos 15 anos foram seis premiadas.<\/p>\n<p>Em 2011, o comit\u00ea noruego chegou inclusive a premiar tr\u00eas mulheres ao mesmo tempo: a presidente liberiana Ellen Johnson Sirleaf, sua compatriota Leymah Gbowee e a iemenita Tawakkol Karman, figuras destacadas da primavera \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Uma evolu\u00e7\u00e3o que reflete tamb\u00e9m a feminiza\u00e7\u00e3o do comit\u00ea.<\/p>\n<p>Com o tempo, \u00e9 naturalmente importante que tenhamos passado de um comit\u00ea dominado por homens a um em que estamos, mais ou menos, ao 50\/50 [de homens\/mulheres], ressaltou Olav Nj\u00f8lstad.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As estat\u00edsticas dos pr\u00eamios Nobel apontam um desfavorecimento \u00e0s mulheres, que recebem apenas uma medalha de cada 20. 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