{"id":55240,"date":"2020-07-13T20:44:48","date_gmt":"2020-07-13T20:44:48","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=55240"},"modified":"2020-07-13T20:46:19","modified_gmt":"2020-07-13T20:46:19","slug":"dia-do-rock-como-ter-banda-ajudou-na-vida-profissional-de-roqueiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/dia-do-rock-como-ter-banda-ajudou-na-vida-profissional-de-roqueiros\/","title":{"rendered":"Dia do Rock: como ter banda ajudou na vida profissional de roqueiros"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-item-wrap\">\n<p>Ter uma banda de\u00a0<em>rock\u2019n\u2019roll<\/em>\u00a0foi o primeiro passo para a forma\u00e7\u00e3o profissional de muita gente, mesmo fora do estrelato. Mais do que entretenimento, essa experi\u00eancia foi, para v\u00e1rios roqueiros, a porta de entrada para conhecimentos t\u00e9cnicos nas mais diversas \u00e1reas.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1311395&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Neste dia 13 de julho, data em que o Brasil comemora o Dia do Rock, a\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0mostra que, mais do que m\u00fasica, divers\u00e3o ou estilo de vida, o\u00a0<em>rock<\/em>\u00a0\u00e9 coisa muito s\u00e9ria. Pode representar oportunidades tamb\u00e9m profissionais, a partir do dom\u00ednio de instrumentos musicais; da produ\u00e7\u00e3o de eventos; e da complexidade que envolve procedimentos t\u00e9cnicos em grava\u00e7\u00f5es, produ\u00e7\u00f5es e divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para alguns dos roqueiros que viveram na capital do r<em>ock<\/em>\u00a0\u2013 a Bras\u00edlia dos anos 80 e 90\u2013, os conhecimentos adquiridos a partir da devo\u00e7\u00e3o e da dedica\u00e7\u00e3o a esse estilo musical, que muitas vezes se confunde com estilo de vida, est\u00e1 presente at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<h2>Marcello Linhos<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Divulga\u00e7\u00e3o\/Nick Elmoor\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/2NIQeQCgK5omqE6pDfkCiMdnpyU=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/11_07_2020_materia_rock-5.jpg?itok=PRcpcQ58\" alt=\"Marcello Linhos com os Melhores do Mundo\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Marcello Linhos, ao centro\u00a0com a guitarra\u00a0e os demais integrantes da companhia Os Melhores do Mundo &#8211;\u00a0<strong>Divulga\u00e7\u00e3o\/Nick Elmoor<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Sonoplasta, produtor fonogr\u00e1fico, cen\u00f3grafo, iluminador c\u00eanico e compositor de trilhas sonoras originais para o teatro. Essas s\u00e3o algumas das habilidades de Marcello Linhos, 48, s\u00f3cio integrante da companhia de teatro Melhores do Mundo.<\/p>\n<p>Nos anos 80 e 90, Linhos integrava a banda Restless, bastante presente nos palcos montados em festas e eventos da cidade. \u201cHoje posso ser v\u00e1rios profissionais gra\u00e7as aos conhecimentos que adquiri desde aqueles tempos\u201d, resume o coringa do Melhores do Mundo.<\/p>\n<p>A versatilidade de Linhos \u00e9 percebida tamb\u00e9m em sua m\u00fasica. Se antes desenvolvia solos, melodias e harmonias em um dos estilos mais pesados e agressivos do\u00a0<em>rock<\/em>, o\u00a0<em>thrash<\/em>\u00a0metal, hoje ele tem na viola caipira o seu principal canal de express\u00e3o art\u00edstica, al\u00e9m de ser mais um de seus campos profissionais.<\/p>\n<p>\u201cO\u00a0<em>rock<\/em>\u00a0foi a melhor forma de me expressar, quando adolescente. Foi o canal por onde exerci minha liberdade de fala, colaborando tamb\u00e9m para minha forma\u00e7\u00e3o enquanto ser humano, cidad\u00e3o e artista. Resumindo, \u00e9 uma forma de express\u00e3o \u00e0s vezes forte e violenta, por\u00e9m libert\u00e1ria por reinventar constantemente as formas de se fazer m\u00fasica\u201d, disse.<\/p>\n<p>Na medida em que a maturidade foi chegando, Linhos se deu conta de que n\u00e3o precisava ficar preso a um estilo musical para se expressar artisticamente. \u201cDescobri que n\u00e3o estar preso a algo ampliava minha liberdade de express\u00e3o. Vi que n\u00e3o precisava ter medo da mudan\u00e7a\u201d, disse ele \u00e0 Ag\u00eancia Brasil. A migra\u00e7\u00e3o para a viola caipira, no entanto, n\u00e3o o fez abandonar a veia roqueira.<\/p>\n<p>\u201cAinda sinto dentro de mim a liberdade de poder propor uma fala nova. Como artista, tenho total no\u00e7\u00e3o de que isso veio da minha adolesc\u00eancia no rock. Sinto ainda essa pulsa\u00e7\u00e3o e a coloco na viola caipira. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de mistura ou est\u00e9tica. Est\u00e1 no esp\u00edrito. Continuo roqueiro e metaleiro. Mas toco viola caipira. \u00c9 o mesmo artista nas duas coisas\u201d, disse o artista que j\u00e1 tem, na viola, trabalhos autorais, releituras de m\u00fasicas tradicionais caipira e o musical infantil Violinha Caipira, que aborda as riquezas biol\u00f3gicas e culturais do cerrado.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia com bandas o ajudou tamb\u00e9m a trabalhar como t\u00e9cnico no teatro da Rede de Hospitais de Reabilita\u00e7\u00e3o Sarah e como roadie [t\u00e9cnico ou pessoal de apoio] de bandas, e em festivais.<\/p>\n<p>No grupo teatral Melhores do Mundo, do qual \u00e9 integrante desde o in\u00edcio da trupe, suas atribui\u00e7\u00f5es iam se ampliando com o tempo. Al\u00e9m de compor toda trilha sonora, fazia a sonoriza\u00e7\u00e3o dos espet\u00e1culos e atuava em algumas pe\u00e7as. \u201cEra tamb\u00e9m o contra-regra, trabalho que \u00e9 uma esp\u00e9cie de roadie do teatro\u201d.<\/p>\n<h2>Geraldo Ribeiro<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Arquivo pessoal\/Geraldo Ribeiro\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/0tIWhFnFhiy-ZtCkFgFJyWoMNs8=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/13_07_2020_geraldo_ribeiro.jpg?itok=HwA67AvW\" alt=\"Geraldo Ribeiro\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Gerusa se juntou com um amigo e montou o est\u00fadio Artimanha &#8211;\u00a0<strong>Arquivo pessoal\/Geraldo Ribeiro<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Para Geraldo Ribeiro \u2013 ou Gerusa, como \u00e9 conhecido na cena roqueira desde a famosa Turma da Colina\u00a0citada entre os agradecimentos nos discos da Legi\u00e3o Urbana \u2013 cuidar da sonoriza\u00e7\u00e3o das audi\u00eancias nas comiss\u00f5es e plen\u00e1rias da C\u00e2mara dos Deputados \u00e9 algo bem mais simples do que cuidar dos sons dos instrumentos de sua antiga banda, chamada Escola de Esc\u00e2ndalo.<\/p>\n<p>\u201cDesde sempre, o que gosto de ouvir \u00e9\u00a0<em>rock<\/em>. De prefer\u00eancia, pesado\u201d, apresenta-se o baixista, que at\u00e9 os dias atuais continua sendo refer\u00eancia pela \u201cpegada\u00a0<em>punk<\/em>\u201d que aplicava no instrumento. \u201cComo todo adolescente de minha \u00e9poca, meu sonho era ter uma banda de\u00a0<em>rock.<\/em>\u00a0Era por divers\u00e3o mesmo, sem grandes pretens\u00f5es, apesar de alguns integrantes da turma terem alcan\u00e7ado o estrelato [no caso, as bandas Legi\u00e3o Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude]\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Diante das dificuldades para gravar, uma vez que s\u00f3 havia um est\u00fadio em Bras\u00edlia, Gerusa se juntou com um amigo e montou o est\u00fadio Artimanha. \u201cInicialmente bem simples, com uma mesa de apenas quatro canais\u201d, diz o m\u00fasico, hoje com 58 anos.<\/p>\n<p>\u201cTive de estudar muita eletr\u00f4nica e produ\u00e7\u00e3o musical para melhorar meus conhecimentos. E foi necess\u00e1rio fazer muita improvisa\u00e7\u00e3o por conta principalmente das limita\u00e7\u00f5es iniciais que t\u00ednhamos\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Gerusa, essa experi\u00eancia o ajuda at\u00e9 hoje em seu trabalho na C\u00e2mara. \u201c\u00c9 bem mais f\u00e1cil cobrir as sess\u00f5es do que gravar bandas de\u00a0<em>rock<\/em>. Al\u00e9m da estrutura maior, tenho aqui necessidades menores, al\u00e9m de as tarefas serem divididas. A coisa \u00e9 voltada apenas para obter uma voz com textura bem-feita, o que \u00e9 bem simples por n\u00e3o envolver coisas como timbragem\u201d, explica.<\/p>\n<p>A dificuldade de acesso a instrumentos musicais durante os anos 80 o ajudaram a desenvolver uma outra profiss\u00e3o: a de luthier. \u201cNa \u00e9poca em que comecei a querer tocar, os instrumentos musicais eram absurdamente caros e era imposs\u00edvel import\u00e1-los. Por isso resolvi fazer um baixo, aproveitando o fato de meu pai ser escultor e ter conhecimentos sobre madeiras\u201d.<\/p>\n<p>Deixado de lado por um tempo, esse hobby voltou \u00e0 tona h\u00e1 alguns anos, quando Gerusa teve de recuperar alguns instrumentos antigos que tinha. \u201cComprei o maquin\u00e1rio e, ao ver que havia mercado para isso em Bras\u00edlia, resolvi voltar \u00e0 ativa. \u00c9 algo que fa\u00e7o por lazer, mas que me possibilita uma renda extra\u201d.<\/p>\n<h2>Gast\u00e3o de Medeiros<\/h2>\n<p>Ao montar um card\u00e1pio no qual os sandu\u00edches tinham nome de bandas de\u00a0<em>rock<\/em>, o gastr\u00f4nomo Gast\u00e3o de Medeiros, de 53 anos, percebeu que, muitas vezes, o amor de seus clientes por uma banda era t\u00e3o relevante quanto os ingredientes dos sandu\u00edches, na hora de se fazer o pedido.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia do\u00a0<em>rock<\/em>\u00a0em sua vida profissional n\u00e3o para por a\u00ed. Vocalista, nos anos 80, da banda Elite Sofisticada, Gast\u00e3o teve, na popularidade local de sua banda, ajuda para tocar alguns neg\u00f3cios, entre eles, o bar War Games que, na d\u00e9cada seguinte, era frequentado por um p\u00fablico bastante fiel ao estilo musical.<\/p>\n<p>\u201cTodo roqueiro quer ter um bar para chamar de seu. Juntei com uns amigos que tinham\u00a0<em>rock<\/em>\u00a0no sangue e resolvemos tocar esse neg\u00f3cio, que acabou se tornando um ambiente de comunh\u00e3o de roqueiros. Com o tempo, come\u00e7amos a abrir espa\u00e7o para apresenta\u00e7\u00f5es de bandas locais. Chegamos inclusive a patrocinar shows de bandas internacionais na cidade, como o Deep Purple e o Manowar\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Outra oportunidade aberta pela experi\u00eancia na banda foi a profiss\u00e3o de programador musical na R\u00e1dio Transam\u00e9rica. \u201cIsso foi ap\u00f3s o Elite ter participado de um programa chamado\u00a0<em>New Rock<\/em>, onde as bandas apresentavam as m\u00fasicas que gostavam e suas principais influ\u00eancias. Acabei fazendo amizade com a equipe, que gostava dos meus pitacos. Passei a ser quem escolhia as m\u00fasicas da programa\u00e7\u00e3o\u201d, disse ele sobre a experi\u00eancia como radialista.<\/p>\n<p>Atualmente, Gast\u00e3o \u00e9 dono do restaurante Carmelita Rest\u00f4, localizado no Parque das Castanheiras, em Vila Velha (ES). \u201cN\u00e3o deu para viver de<em>\u00a0rock<\/em>. Chega uma hora que a gente tem de apostar naquilo que nos d\u00e1 condi\u00e7\u00e3o de sobreviver; de pagar o aluguel e alimentar os filhos. Foi o que aconteceu comigo, mas vejo claramente que, em meio aos meus neg\u00f3cios, estou sempre dando um jeito de trazer o rock\u201d, disse ele ao comentar a decora\u00e7\u00e3o do restaurante ou a disponibiliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o para a apresenta\u00e7\u00e3o de artistas locais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 engra\u00e7ado o poder de intera\u00e7\u00e3o que o\u00a0<em>rock<\/em>\u00a0tem. N\u00e3o sei o nome de muitos dos nossos clientes, mas j\u00e1 sei quais curtem\u00a0<em>rock<\/em>\u00a0e fa\u00e7o quest\u00e3o de, sempre que poss\u00edvel, colocar, no som, as bandas que eles gostam. Al\u00e9m disso eu cozinho, fa\u00e7o faxina e malho sempre ouvindo\u00a0<em>rock<\/em>. \u00c9 uma companhia que terei sempre em minha vida\u201d.<\/p>\n<h2>Adriano Faquini<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/V-dfgcV2gtJEiEzyYEhHIhNv8D4=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/11_07_2020_materia_rock-4.jpg?itok=04wFsnng\" alt=\"Adriano Faquini\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Adriano Faquini durante show em Bras\u00edlia &#8211;\u00a0<strong>Arquivo pessoal\/Adriano Faquini<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Foi gra\u00e7as \u201c\u00e0s respostas hormonais e cognitivas\u201d que sentia ao ouvir Led Zeppelin, AC\/DC e Beatles que o m\u00fasico Adriano Faquini, 55, se interessou pelo idioma que, atualmente, representa sua principal fonte\u00a0de renda: as aulas de ingl\u00eas. Foi tamb\u00e9m gra\u00e7as a essa paix\u00e3o que ele complementa sua renda com apresenta\u00e7\u00f5es junto a bandas covers ou, sozinho, cantando e tocando seu viol\u00e3o da marca Ovation.<\/p>\n<p>\u201cEu era fascinado com a sonoridade do ingl\u00eas nas m\u00fasicas, e a paix\u00e3o que tinha \u00e0s bandas de\u00a0<em>rock\u00a0<\/em>me fez deslanchar nesse idioma. Como eu conseguia cantar igual aos caras que eu adorava, eu sonhava em montar bandas cover numa \u00e9poca em que isso sequer existia\u201d, lembra o m\u00fasico e professor de ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Depois de passar por diversas bandas e trabalhos autorais, Faquini ganhou p\u00fablico em Bras\u00edlia com interpreta\u00e7\u00f5es de m\u00fasicas que, para serem executadas, requeriam t\u00e9cnicas vocais extremamente apuradas, como as da cantora Janis Joplin.<\/p>\n<p>A fidelidade de seu p\u00fablico fez dele a principal atra\u00e7\u00e3o no maior reduto musical brasiliense da \u00e9poca, o restaurante Bom Demais, famoso por ter projetado artistas como C\u00e1ssia \u00c9ller e Z\u00e9lia Duncan.<\/p>\n<p>O\u00a0<em>rock<\/em>\u00a0ent\u00e3o abriu caminho para ele se tornar \u201cum m\u00fasico da noite\u201d, chegando a ser capa da revista Veja Bras\u00edlia e ganhar os mais altos cach\u00eas da cidade.<\/p>\n<p>Atualmente, Faquini integra algumas bandas que fazem, esporadicamente, apresenta\u00e7\u00f5es de covers, o que lhe garante um extra para o sustento. Um de seus parceiros \u00e9 o guitarrista Kiko Peres, da banda Natiruts. Com ele, integra tanto uma banda de cover do Led Zeppelin como a banda Os Marcianos, com quem toca\u00a0<em>rock<\/em>\u00a0acompanhado de m\u00fasicos das bandas Jota Quest e Pato Fu.<\/p>\n<h2>Maur\u00edcio Laven\u00e8re<\/h2>\n<p>Quatro panquecas e um envelope com US$ 100. Este foi o primeiro cach\u00ea recebido pelo m\u00fasico, arranjador e produtor musical Maur\u00edcio Laven\u00e8re, 50, quando tinha de 12 para 13 anos.<\/p>\n<p>Filho de um etnomusic\u00f3logo, ramo da antropologia que estuda a m\u00fasica em seu contexto cultural, Maur\u00edcio come\u00e7ou a aprender guitarra com o pai aos 5 anos. Aos 12 j\u00e1 conseguia reproduzir, com o irm\u00e3o baterista Ticho Laven\u00e8re \u2013 hoje professor na Escola de M\u00fasica de Bras\u00edlia \u2013 riffs e solos bastante complexos de bandas como Led Zeppelin e Rush.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o era f\u00e1cil tirar o som das bandas, com os equipamentos limitados que tinha\u201d, lembra ele citando, como exemplo, a necessidade de colocar o amplificador dentro de um arm\u00e1rio, com o volume no m\u00e1ximo, para conseguir reproduzir a distor\u00e7\u00e3o de guitarras que ouvia em alguns discos.<\/p>\n<p>\u201cA simplicidade e as limita\u00e7\u00f5es que tive durante meus tempos de bandas de\u00a0<em>rock<\/em>\u00a0foram determinantes para que eu aprendesse a improvisar com equipamentos\u201d, resume o roqueiro que, aos 14 anos, foi diretor musical de um projeto no \u00fanico est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p>O bom trabalho acabou resultando em convites para trabalhar como produtor e como m\u00fasico em bandas profissionais. \u201cEu recebia o equivalente, hoje, a uns R$ 50 por ensaio\u201d, lembra. Hoje, como m\u00fasico profissional, ele acompanha grupos e projetos dos mais diversos estilos.<\/p>\n<p>\u201cA import\u00e2ncia do\u00a0<em>rock<\/em>\u00a0para minha forma\u00e7\u00e3o profissional e para minha vida social \u00e9 indiscut\u00edvel. At\u00e9 porque, para mim, ele vai al\u00e9m da m\u00fasica e personifica, em si, a liberdade que todo ser humano deve ter\u201d, disse.<\/p>\n<h2>Kiko Freitas<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/jqFmZnjjy-FnBXDscqQXgAbjRb8=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/11_07_2020_materia_rock.jpg?itok=_0cUlLN1\" alt=\"Kiko Freitas\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Kiko Freitas\u00a0j\u00e1 produziu 178 discos pelo selo Blue Records &#8211;\u00a0<strong>Arquivo pessoal\/Kiko Freitas<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Trabalhar em r\u00e1dios e gravadoras como Sony, Warner e EMI foram alguns frutos que Kiko Freitas, 48, colheu a partir da experi\u00eancia que teve com o\u00a0<em>rock\u2019n\u2019roll<\/em>. Dono do selo Blue Records, Kiko j\u00e1 produziu 178 discos.<\/p>\n<p>M\u00fasico, compositor, arranjador, produtor musical e engenheiro de \u00e1udio, Kiko teve, no\u00a0<em>rock<\/em>, uma forma de contestar o pai, que tamb\u00e9m era m\u00fasico e participou do movimento da Bossa Nova no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u201cVirei roqueiro de raiva mesmo, porque meu pai n\u00e3o me deixava escutar nem Beatles. Para ele era jazz, MPB ou cl\u00e1ssico, e ponto\u201d, lembra. Sua primeira guitarra s\u00f3 veio quando tinha 12 anos. \u201cA\u00ed eu infernizei\u201d, disse ele ao lembrar do impacto que o\u00a0<em>rock\u00a0<\/em>causou ao associar \u201catitudes, sonoridades e novas t\u00e9cnicas desenvolvidas pelos grandes guitarristas\u201d \u00e0 \u201cexplos\u00e3o hormonal da adolesc\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Na medida em que ia ampliando os trabalhos de produtor e de engenheiro de \u00e1udio, mais ele se via retornando \u00e0s origens pr\u00e9-<em>rock\u2019n\u2019roll<\/em>\u00a0estimuladas pelo pai. \u201cM\u00fasico profissional n\u00e3o pode negar trabalhos. Por isso vou em tudo. Seja samba, jazz, sertanejo,\u00a0<em>rock<\/em>, m\u00fasica cl\u00e1ssica ou \u00e1rabe, o importante \u00e9 sempre ampliar meus horizontes musicais. O legal da m\u00fasica \u00e9 exatamente esse: o de estar em todos os lugares ao mesmo tempo\u201d.<\/p>\n<h2>Gabriel Thomaz<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/p62PLbpt2gUaDZ7pUKflH0qCp7I=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/11_07_2020_materia_rock-6.jpg?itok=98a_Ki5Q\" alt=\"Gabriel Thomaz\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Atualmente, Gabriel Thomaz integra a Banda\u00a0<em>Autoramas<\/em>\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Divulga\u00e7\u00e3o\/Claudio Uch\u00f4a\/Casanova Produ\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Autor do livro Magn\u00e9ticos 90: A Gera\u00e7\u00e3o do Rock Brasileiro Lan\u00e7ada em Fita Cassete, Gabriel Thomaz, 48, \u00e9 tamb\u00e9m m\u00fasico, integrando atualmente a banda Autoramas. Ele despontou no cen\u00e1rio nacional ainda nos anos 90, com a banda brasiliense Little Quail and The Mad Birds, pelo selo Banguela Records.<\/p>\n<p>Gabriel foi um dos poucos de sua gera\u00e7\u00e3o a conseguir, at\u00e9 os dias atuais, manter a carreira de roqueiro. \u201cSempre busquei, no\u00a0<em>rock<\/em>, a minha originalidade\u201d, diz o autor da m\u00fasica I Saw You Saying, eternizada pela banda tamb\u00e9m brasiliense Raimundos.<\/p>\n<p>Entre os elementos que comp\u00f5em sua originalidade, Gabriel aponta a associa\u00e7\u00e3o inteligente entre\u00a0<em>rock<\/em>\u00a0e humor. \u201cFazer obra com humor \u00e9 quest\u00e3o de intelig\u00eancia. Tenho muitas m\u00fasicas de protesto. H\u00e1 pessoas que n\u00e3o notam, mas s\u00e3o\u201d, disse ele ao vincular suas composi\u00e7\u00f5es ao\u00a0<em>rock<\/em>\u00a0de protesto que caracterizou Bras\u00edlia nos anos 80.<\/p>\n<p>Talvez um dos frutos que ele colha atualmente, por ter se dedicado tanto ao<em>\u00a0rock<\/em>, seja a eterniza\u00e7\u00e3o de sua juventude. \u201cSou igual at\u00e9 hoje. Acho at\u00e9 que com mais pique. Gra\u00e7as ao rock conheci todos os estados de meu pa\u00eds e fiz shows em 23 pa\u00edses. Sempre conversando com as pessoas sobre todas as coisas. \u00c9 \u00f3timo para quem, como eu, sempre gostou de estudar hist\u00f3ria e geografia\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cQuase tudo que eu consegui na vida foi por causa do\u00a0<em>rock\u2019n\u2019roll<\/em>. Sou muito grato a isso. E \u00e9 engra\u00e7ado porque o tempo vai passando e cada vez mais eu vou mergulhando nesse universo. Gosto de ajudar bandas e artistas. Isso para mim \u00e9 uma forma de retribuir todo esse privil\u00e9gio que eu tive\u201d, complementa.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"alt-font font-italic my-2 small text-info\">Edi\u00e7\u00e3o: F\u00e1bio Massalli\/Denise Griesinger<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ter uma banda de\u00a0rock\u2019n\u2019roll\u00a0foi o primeiro passo para a forma\u00e7\u00e3o profissional de muita gente, mesmo fora do estrelato. Mais do que entretenimento, essa experi\u00eancia foi, para v\u00e1rios roqueiros, a porta de entrada para conhecimentos t\u00e9cnicos nas mais diversas \u00e1reas. Neste dia 13 de julho, data em que o Brasil comemora o Dia do Rock, a\u00a0Ag\u00eancia &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":55241,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55240"}],"collection":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55240"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55240\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55243,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55240\/revisions\/55243"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55241"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}