{"id":52221,"date":"2020-01-08T23:24:35","date_gmt":"2020-01-08T23:24:35","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=52221"},"modified":"2020-01-08T23:24:35","modified_gmt":"2020-01-08T23:24:35","slug":"justica-determina-o-bloqueio-de-bens-do-prefeito-de-niquelandiae-suspende-100-gratificacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/justica-determina-o-bloqueio-de-bens-do-prefeito-de-niquelandiae-suspende-100-gratificacoes\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a determina o bloqueio de bens do prefeito de Niquel\u00e2ndia,e suspende 100 gratifica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Acolhendo pedido feito em a\u00e7\u00e3o proposta pela 2\u00aa Promotoria de Justi\u00e7a de Niquel\u00e2ndia, o juiz Leonardo Naciff Bezerra determinou a imediata suspens\u00e3o de diversas gratifica\u00e7\u00f5es pagas irregularmente a servidores p\u00fablicos da prefeitura, assim como decretou a indisponibilidade de bens do prefeito, Fernando Carneiro da Silva, no valor de R$ 208.594,84.<\/p>\n<p>Segundo sustentado pela promotora de Justi\u00e7a Nathalia Botelho Portugal, investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Goi\u00e1s (MP-GO) apurou que o munic\u00edpio concedeu, desde maio de 2019, mesmo sem previs\u00e3o legal, gratifica\u00e7\u00f5es por desempenho de fun\u00e7\u00e3o a aproximadamente 100 servidores municipais, causando um preju\u00edzo de pelo menos R$ 208.594,84.<\/p>\n<p>Conforme apontado na a\u00e7\u00e3o, a concess\u00e3o da gratifica\u00e7\u00e3o viola a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, a qual estabelece, em seu artigo 37, inciso X, a necessidade de lei formal para a cria\u00e7\u00e3o de remunera\u00e7\u00e3o ou esp\u00e9cie remunerat\u00f3ria, sendo regra consagrada tamb\u00e9m pelo artigo 92, inciso XI, da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Goi\u00e1s. Ela acrescentou que, se verificou tamb\u00e9m a aus\u00eancia de crit\u00e9rios objetivos para defini\u00e7\u00e3o dos servidores beneficiados e do valor da esp\u00e9cie remunerat\u00f3ria, sendo evidente ainda a transgress\u00e3o a diversos princ\u00edpios que norteiam a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, sobretudo os da isonomia, da impessoalidade e da moralidade.<\/p>\n<p>Por fim, Nathalia Portugal observou que, ao conceder as gratifica\u00e7\u00f5es por desempenho de fun\u00e7\u00e3o, o prefeito praticou atos com desvio de finalidade, j\u00e1 que, conforme declara\u00e7\u00f5es prestadas por ele na Promotoria de Justi\u00e7a, \u201cas gratifica\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o relacionadas ao bom desempenho do servi\u00e7o, sendo uma forma de elevar os sal\u00e1rios\u201d. Para ela, isso demonstra a forma dolosa da pr\u00e1tica de improbidade, que causou preju\u00edzo ao er\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Irregularidade<\/strong><br \/>\nNa decis\u00e3o, o magistrado destaca que se trata de \u201cgratifica\u00e7\u00e3o inominada e sem qualquer justifica\u00e7\u00e3o concedida a servidores comissionados, n\u00e3o possuindo correla\u00e7\u00e3o com o trabalho especificamente desenvolvido pelo servidor comissionado\u201d. Ele acrescentou que, al\u00e9m de violar as Constitui\u00e7\u00f5es Federal e Estadual, contraria o disposto no artigo 22, par\u00e1grafo \u00fanico, inciso I, da Lei Complementar n\u00ba 101\/2000, que imp\u00f5e veda\u00e7\u00f5es ao Poder P\u00fablico uma vez atingido o limite prudencial de despesa com pessoal.<\/p>\n<p>De acordo com o juiz, \u201cverifica-se a incompatibilidade constitucional da concess\u00e3o das gratifica\u00e7\u00f5es, sem atender ao interesse p\u00fablico (e n\u00e3o somente o do servidor) e \u00e0s exig\u00eancias do servi\u00e7o\u201d. Ele acrescentou que, quando se trata da gest\u00e3o do patrim\u00f4nio p\u00fablico, todas as condutas devem concorrer para a cria\u00e7\u00e3o do bem comum, e, para tanto, devem observar n\u00e3o somente o que \u00e9 l\u00edcito ou il\u00edcito, o justo ou injusto, mas atender a crit\u00e9rios morais que hoje d\u00e3o valor jur\u00eddico \u00e0 vontade psicol\u00f3gica do administrador.<\/p>\n<p>\u201cA gest\u00e3o do dinheiro p\u00fablico exige do administrador prud\u00eancia muito maior do que aquela que empregamos na gest\u00e3o dos nossos bens. Assim, n\u00e3o basta a conforma\u00e7\u00e3o do emprego e disponibilidade do dinheiro p\u00fablico \u00e0 lei, mas tamb\u00e9m \u00e0 moral administrativa e ao interesse coletivo\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Pela decis\u00e3o, proferida nesta ter\u00e7a-feira (7\/1), est\u00e3o suspensos os Decretos de n\u00ba 162\/2019, 163\/2019, 164\/2019, 178\/2019, 189\/2019 a 201\/2019, 204\/2019, 204\/2019, 237\/2019, 239\/2019, 268\/2019, 274\/2019, 285\/2019, 286\/2019, 293\/2019, 302\/2019, 307\/2019, 312\/2019, 314\/2019, 325\/2019, 329\/2019 e 338\/2019, no prazo de 48 horas, inclusive com incid\u00eancia na folha de pagamento de dezembro de 2019. Em caso de descumprimento da determina\u00e7\u00e3o, foi fixada multa di\u00e1ria pessoal de R$ 20 mil, limitada a 50 dias.\u00a0<em>Fonte: MP-GO<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acolhendo pedido feito em a\u00e7\u00e3o proposta pela 2\u00aa Promotoria de Justi\u00e7a de Niquel\u00e2ndia, o juiz Leonardo Naciff Bezerra determinou a imediata suspens\u00e3o de diversas gratifica\u00e7\u00f5es pagas irregularmente a servidores p\u00fablicos da prefeitura, assim como decretou a indisponibilidade de bens do prefeito, Fernando Carneiro da Silva, no valor de R$ 208.594,84. 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