{"id":5150,"date":"2017-12-24T23:56:49","date_gmt":"2017-12-24T23:56:49","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=5150"},"modified":"2017-12-24T23:56:49","modified_gmt":"2017-12-24T23:56:49","slug":"negativismo-do-hiv-agrava-a-epidemia-de-aids-na-russia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/negativismo-do-hiv-agrava-a-epidemia-de-aids-na-russia\/","title":{"rendered":"Negativismo do HIV agrava a epidemia de aids na R\u00fassia"},"content":{"rendered":"<p>Alguns russos est\u00e3o convencidos de que a aids \u00e9 um mito criado pelos gigantes da ind\u00fastria farmac\u00eautica para vender mais medicamentos, uma teoria que preocupa as autoridades confrontadas com uma epidemia de consequ\u00eancias dram\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Mais de 900 mil russos s\u00e3o soropositivos e a cada hora se registram dez novas infec\u00e7\u00f5es, segundo cifras oficiais. Durante os seis primeiros meses do ano, uma m\u00e9dia de 80 pessoas morreram diariamente por causas relacionadas \u00e0 aids, contra 50 di\u00e1rias em 2016.<\/p>\n<p>Menos da metade dos doentes se submetem a um tratamento com anti-retrovirais. Nos \u00faltimos meses, foram registrados casos de pacientes falecidos por falta de cuidados, inclusive o de uma menina de 10 anos em um hospital de S\u00e3o Petersburgo (noroeste), cujos pais, muito religiosos, se negavam a que fosse tratada.<\/p>\n<p>\u00c9 inaceit\u00e1vel que nos nossos dias morram crian\u00e7as (de aids) quando h\u00e1 tratamentos dispon\u00edveis, afirma, indignado, Alexei Yakovlev, m\u00e9dico-chefe do hospital Botkin de S\u00e3o Petersburgo.<\/p>\n<p>Alguns pacientes n\u00e3o recebem tratamento por falta de medicamentos, mas outros porque negam a exist\u00eancia do HIV, explicam, preocupados v\u00e1rios funcion\u00e1rios e militantes da luta contra a aids.<\/p>\n<p>O deputado russo pr\u00f3-Kremlin Alexander Petrov pediu recentemente \u00e0s associa\u00e7\u00f5es que se dirijam a quem n\u00e3o acredita que (o HIV) existe.<\/p>\n<p>&#8211; Grupos na internet &#8211;<\/p>\n<p>Sob press\u00e3o da Onuaids, a rede social russa Odnoklassniki suprimiu um grupo que negava a exist\u00eancia do HIV. Mas o mesmo voltou a se formar em outra plataforma.<\/p>\n<p>S\u00e3o como ratos, fogem para outra parte e continuam propagando suas ideias, denuncia Vinay Saldanha, diretor da Onuaids para o leste europeu e a \u00c1sia central. \u00c9 inaceit\u00e1vel que se tolerem f\u00f3runs e grupos de discuss\u00e3o (que negam a exist\u00eancia do HIV) em alguns sites na internet.<\/p>\n<p>Na internet, a AFP encontrou v\u00e1rios grupos negacionistas com milhares de seguidores, por exemplo na Vkontakte, rede social mais popular que o Facebook na R\u00fassia.<\/p>\n<p>O HIV \u00e9 um dos maiores mitos do s\u00e9culo XX, afirma um destes grupos que explica como negar um tratamento anti-retroviral e qualifica os rem\u00e9dios de veneno e os m\u00e9dicos de assassinos encarregados de enriquecer as empresas farmac\u00eauticas.<\/p>\n<p>Estes grupos negacionistas costumam citar as declara\u00e7\u00f5es de Olga Kovej, m\u00e9dica de Volgogrado (sul), para quem um dos objetivos do mito do HIV \u00e9 reduzir em 2 bilh\u00f5es a popula\u00e7\u00e3o mundial. Al\u00e9m disso, afirma que os Estados Unidos usam a R\u00fassia como col\u00f4nia para testar suas vacinas contra o HIV.<\/p>\n<p>&#8211; Gays americanos &#8211;<\/p>\n<p>Os encarregados das associa\u00e7\u00f5es atribuem em parte a propaga\u00e7\u00e3o destas teorias \u00e0 ret\u00f3rica antiocidental das autoridades.<\/p>\n<p>A televis\u00e3o n\u00e3o para de dizer que a R\u00fassia est\u00e1 cercada de inimigos, que temos que lutar contra todos, afirma Elena Doljenko, da Funda\u00e7\u00e3o SPID.Tsentr de Moscou.<\/p>\n<p>Este tipo de discurso ajuda, segundo ela, a legitimar a ideia de uma conspira\u00e7\u00e3o ocidental contra a R\u00fassia, com o HIV como arma.<\/p>\n<p>Mas para Ekaterina Zinger, no comando da Funda\u00e7\u00e3o Svecha de S\u00e3o Petersburgo, o negativismo do HIV se deve, sobretudo, \u00e0 falta de consulta m\u00e9dica.<\/p>\n<p>As pessoas n\u00e3o recebem informa\u00e7\u00e3o suficiente e come\u00e7am a pensar que lhes escondem algo, acrescenta.<\/p>\n<p>Estas teorias, diz, encontram eco sobretudo entre os heterossexuais, convencidos de que a aids ataca em particular os homossexuais e os dependentes qu\u00edmicos. N\u00e3o entendem o que acontece com eles.<\/p>\n<p>Na R\u00fassia, pa\u00eds defensor dos valores tradicionais, as recentes campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o se concentram na fidelidade no lugar da prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estas campanhas n\u00e3o ajudam, agravam a situa\u00e7\u00e3o e a nega\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia do HIV talvez se deva a elas, denuncia Doljenko.<\/p>\n<p>Ele d\u00e1 um exemplo: imagine uma jovem ortodoxa que vai \u00e0 igreja todos os domingos, se casa e descobre que \u00e9 soropositiva; como o HIV \u00e9 considerado coisa de gays americanos, pensar\u00e1 que nada tem a ver com ela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns russos est\u00e3o convencidos de que a aids \u00e9 um mito criado pelos gigantes da ind\u00fastria farmac\u00eautica para vender mais medicamentos, uma teoria que preocupa as autoridades confrontadas com uma epidemia de consequ\u00eancias dram\u00e1ticas. 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