{"id":5134,"date":"2017-12-24T23:51:05","date_gmt":"2017-12-24T23:51:05","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=5134"},"modified":"2017-12-24T23:51:05","modified_gmt":"2017-12-24T23:51:05","slug":"fifagate-ex-chefes-do-futebol-sul-americano-sempre-queriam-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/fifagate-ex-chefes-do-futebol-sul-americano-sempre-queriam-mais\/","title":{"rendered":"Fifagate: Ex-chefes do futebol sul-americano sempre queriam mais"},"content":{"rendered":"<p>Era muito dif\u00edcil fazer algo sem pagar propina: o testemunho \u00e0 justi\u00e7a americana do ex-jornalista da TV Globo Jos\u00e9 Hawilla, que se transformou em empres\u00e1rio de sucesso, relatou nesta segunda-feira como pagamentos ilegais durante d\u00e9cadas engordaram os bolsos de insaci\u00e1veis ex-dirigentes do futebol sul-americano.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Hawilla, ex-presidente da Traffic, que possu\u00eda os direitos de televis\u00e3o da Copa Am\u00e9rica e da Copa Libertadores, se declarou culpado em 12 de dezembro de 2014 e colabora desde ent\u00e3o com a justi\u00e7a americana no esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o que assola a Fifa, inclusive gravando escondido conversas com outros acusados.<\/p>\n<p>Hawilla, que dep\u00f4s nesta segunda-feira na quarta semana do julgamento Fifa carregando um tanque de oxig\u00eanio devido aos problemas de sa\u00fade, contou como sua empresa, uma das tr\u00eas acusadas (junto \u00e0 Full Play e \u00e0 Torneos e Competencias) teria assinado com a Conmebol um contrato pelos direitos das Copas Am\u00e9rica 2007, 2011 e 2015.<\/p>\n<p>Em troca, pagou propina ao ent\u00e3o presidente da Conmebol Nicol\u00e1s Leoz, outro acusado que luta contra a extradi\u00e7\u00e3o no Paraguai, e aos ex-chefes do futebol no Brasil e na Argentina, Ricardo Teixeira -acusado nos Estados Unidos mas em liberdade no Brasil- e Julio Grondona -falecido em 2014-.<\/p>\n<p>A Teixeira, Hawilla relatou \u00e0 corte ter pago por meio de doleiros um milh\u00e3o de d\u00f3lares (anuais), logo passou para 1,2 milh\u00e3o, logo para 1,5 milh\u00e3o, depois para 2 milh\u00f5es, depois para 2,5 milh\u00f5es e depois 3 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Pagamentos similares foram realizados a Grondona atrav\u00e9s da ag\u00eancia de viagem Alhec Tours, afirmou Hawilla. O objetivo era que Argentina e Brasil garantissem que os melhores jogadores estivessem nas competi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O jurado dever\u00e1 decidir se tr\u00eas dos 42 acusados que se declaram inocentes -o ex-presidente do futebol brasileiro Jos\u00e9 Maria Marin, o ex-presidente da Conmebol Juan Angel Napout e o ex-chefe do futebol peruano Manuel Burga- s\u00e3o ou n\u00e3o culpados.<\/p>\n<p>&#8211; Golpe de Estado na Conmebol em 2010 &#8211;<\/p>\n<p>Hawilla explicou que o contrato de sua empresa com a Conmebol foi encerrado em 2010, durante a Copa do Mundo da \u00c1frica do Sul, quando o Grupo dos Seis da entidade -integrado pelos ex-presidentes das federa\u00e7\u00f5es de Equador, Col\u00f4mbia, Peru, Bol\u00edvia, Venezuela e Paraguai- liderados por Luis Chiriboga, ex-chefe do futebol equatoriano, deu um golpe de Estado na c\u00fapula integrada por Grondona, Teixeira e Leoz.<\/p>\n<p>Nos bastidores, a Conmebol assinou novo contrato com a Full Play, empresa dos argentinos Hugo e Mariano Jinkis, cedendo os direitos das Copas Am\u00e9rica de 2015, 2019 e 2023 e da Copa Am\u00e9rica Centen\u00e1rio de 2016.<\/p>\n<p>Leoz teria dito a Hawilla que se viu obrigado a assinar esse contrato, porque o Grupo dos Seis amea\u00e7ava tir\u00e1-lo da presid\u00eancia da Conmebol.<\/p>\n<p>Era um golpe de Estado para tirar esses tr\u00eas (Leoz, Grondona e Teixeira) e assumir o controle, declarou Hawilla, que garante que foi amea\u00e7ado por Chiriboga: Agora n\u00f3s mandamos na Conmebol. A Traffic est\u00e1 fora de todos os eventos, porque voc\u00eas sempre acertaram (o pagamento de propina) com os tr\u00eas (Leoz, Teixeira e Grondona) e n\u00f3s sempre ficamos de fora dos acordos financeiros e das decis\u00f5es.<\/p>\n<p>O ex-chefe do futebol colombiano Luis Bedoya, testemunha que dep\u00f4s na semana passada, afirmou que, apesar das tentativas, o G6 nunca teve muito poder.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s Hawilla processar em final de 2011 a Conmebol e seus integrantes na Fl\u00f3rida por quebra de contrato, as duas partes chegaram a um acordo: a empresa Datisa dividiria igualmente entre Traffic, Full Play e Torneos os direitos da transmiss\u00e3o das Copas Am\u00e9rica de 2015 a 2023, incluindo a edi\u00e7\u00e3o Centen\u00e1rio de 2016.<\/p>\n<p>Em troca, j\u00e1 nos \u00faltimos minutos de uma reuni\u00e3o em Buenos Aires, a Full Play e a Torneos exigiram 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares a Hawilla para o pagamento de propina a membros da Conmebol.<\/p>\n<p>Isso aconteceu em 20 de mar\u00e7o de 2013, no dia que o argentino Jorge Bergoglio se tornou o novo papa. Os ent\u00e3o dirigentes da Conmebol pararam a reuni\u00e3o por duas horas para comemorar o novo pont\u00edfice, lembrou Hawilla.<\/p>\n<p>Esse assunto (pagar subornos) estava me revoltando. N\u00e3o estou me eximindo de culpa. Me arrependo muito disso, deveria ter parado al\u00ed&#8230; mas deixei para depois, confessou o brasileiro, que tamb\u00e9m relatou o pagamento de 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares a Jeffrey Webb, ex-presidente da Concacaf, pelos direitos da Copa Centen\u00e1rio-2016, pagos pela Torneos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era muito dif\u00edcil fazer algo sem pagar propina: o testemunho \u00e0 justi\u00e7a americana do ex-jornalista da TV Globo Jos\u00e9 Hawilla, que se transformou em empres\u00e1rio de sucesso, relatou nesta segunda-feira como pagamentos ilegais durante d\u00e9cadas engordaram os bolsos de insaci\u00e1veis ex-dirigentes do futebol sul-americano. 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