{"id":5110,"date":"2017-12-24T23:42:29","date_gmt":"2017-12-24T23:42:29","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=5110"},"modified":"2017-12-24T23:42:29","modified_gmt":"2017-12-24T23:42:29","slug":"os-18-dias-do-homem-com-o-coracao-de-uma-moca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/os-18-dias-do-homem-com-o-coracao-de-uma-moca\/","title":{"rendered":"Os 18 dias do homem com o cora\u00e7\u00e3o de uma mo\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 50 anos, a \u00c1frica do Sul surpreendeu o mundo com o bem sucedido transplante do cora\u00e7\u00e3o de uma mo\u00e7a para o peito de um homem doente, realizado pelo cirurgi\u00e3o Christiaan Barnard.<\/p>\n<p>Abaixo, o relato dessa hist\u00f3ria da medicina moderna, a partir dos arquivos da AFP.<\/p>\n<p>&#8211; Um acidente inacredit\u00e1vel &#8211;<\/p>\n<p>No dia 2 de dezembro de 1967, Ann Washkansky n\u00e3o podia imaginar que o espantoso acidente de tr\u00e2nsito do qual foi testemunha em uma rua da Cidade do Cabo traria fama mundial a seu pr\u00f3prio marido, hospitalizado.<\/p>\n<p>Uma jovem funcion\u00e1ria de banco, Denise Darvall, foi violentamente atropelada por um autom\u00f3vel em uma grande avenida da segunda maior cidade da \u00c1frica do Sul. Seu corpo foi projetado at\u00e9 colidir com um carro estacionado.<\/p>\n<p>Quando os servi\u00e7os de emerg\u00eancia chegaram, os danos do traumatismo craniano eram irrepar\u00e1veis. Mas seu cora\u00e7\u00e3o ainda batia.<\/p>\n<p>Ann Washkansky explicou mais tarde ter sido testemunha do acidente por acaso. N\u00e3o podia imaginar, naturalmente, o v\u00ednculo que este acidente teria com meu marido.<\/p>\n<p>&#8211; Tentem salvar este homem &#8211;<\/p>\n<p>No hospital Groote Schuur da Cidade do Cabo, s\u00f3 deram a Louis Washkansky algumas semanas de vida. Com insufici\u00eancia card\u00edaca terminal, o homem de 53 anos aceitou sem hesitar a proposta de Christiaan Barnard: passar pelo transplante de um novo cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 anos que eram realizados transplantes de f\u00edgado e de rim, mas ningu\u00e9m havia se atrevido a tentar com este \u00f3rg\u00e3o nobre, s\u00edmbolo da vida.<\/p>\n<p>Se j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7as para minha filha, ent\u00e3o tentem salvar este homem, consentiu o pai de Denise, para que pudessem retirar o cora\u00e7\u00e3o da jovem de 25 anos que j\u00e1 se encontrava em estado de morte cerebral.<\/p>\n<p>&#8211; Meu Deus, isso funcionar\u00e1! &#8211;<\/p>\n<p>O transplante come\u00e7ou na primeira hora de domingo, 3 de dezembro. Com o corpo de Denise Darvall em estado de hipotermia, o cora\u00e7\u00e3o foi retirado em dois minutos e colocado em uma solu\u00e7\u00e3o a 10 graus, antes de ser transferido para o centro cir\u00fargico, onde cerca de 20 m\u00e9dicos, enfermeiras e t\u00e9cnicos se reuniam em torno de Louis Washkansky.<\/p>\n<p>Havia uma tens\u00e3o extrema na sala, explicou um interno que participou da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando terminou a \u00faltima anastomose (sutura), foi o segundo da verdade, todo mundo colocava a cabe\u00e7a para frente para ver melhor. Em meio ao sil\u00eancio generalizado, o professor Barnard murmurou: meu Deus, isso funcionar\u00e1!, recordou.<\/p>\n<p>O anestesista ent\u00e3o anunciou o ritmo do batimento: 50, 70, 75 e depois, meia hora mais tarde, 100. O ambiente era extraordin\u00e1rio. Sab\u00edamos que tudo tinha ido bem. O professor de repente tirou as luvas e pediu uma x\u00edcara de ch\u00e1, contou.<\/p>\n<p>&#8211; Um cora\u00e7\u00e3o novo<\/p>\n<p>Eu me sinto muito melhor, disse Louis Washkansky 33 horas depois da opera\u00e7\u00e3o ao cirurgi\u00e3o, a quem apelidou de o homem com as m\u00e3os de ouro.<\/p>\n<p>Voc\u00eas me prometeram um cora\u00e7\u00e3o novo?, perguntou. Voc\u00ea tem um cora\u00e7\u00e3o novo, tranquilizou-o o doutor Barnard.<\/p>\n<p>A not\u00edcia da incr\u00edvel opera\u00e7\u00e3o se espalhou pelo mundo. Os teletipos da AFP informavam em 3 de dezembro \u00e0s 13h17: um trasplante de cora\u00e7\u00e3o, acredita-se que o primeiro feito no mundo, em Johanesburgo, foi realizado hoje com sucesso no hospital Groote Schuur da Cidade do Cabo.<\/p>\n<p>A surpresa \u00e9 total, indicou o jornalista m\u00e9dico da AFP, pois todo mundo esperava que fossem os americanos os primeiros a realizar uma fa\u00e7anha assim.<\/p>\n<p>&#8211; Uma emin\u00eancia mundial &#8211;<\/p>\n<p>Com um largo sorriso, o rosto agradecido e sua facilidade para se expressar, o cirurgi\u00e3o sul-africano de 45 anos imediatamente se tornou o queridinho da imprensa, participando de coletivas e entrevistas.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado era um cirurgi\u00e3o da \u00c1frica do Sul, muito pouco conhecido. Na segunda-feira, era uma emin\u00eancia mundial, comentou 30 anos depois.<\/p>\n<p>Louis Wsahkansky tamb\u00e9m atraiu os holofotes. Quatro dias depois da opera\u00e7\u00e3o, foi entrevistado por uma r\u00e1dio em sua cama. O microfone foi esterilizado e o rep\u00f3rter ficou na porta do quarto para evitar infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Aquele que a m\u00eddia apelidou de o homem com o cora\u00e7\u00e3o de uma mo\u00e7a acabou sendo um paciente excepcional por sua vitalidade e seu bom humor. A um m\u00e9dico franc\u00eas que foi v\u00ea-lo, disse: fale aos parisienses para fazerem uma vaquinha para me dar uma passagem de avi\u00e3o de presente e ir visit\u00e1-los.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o teve a chance de viajar. Faleceu 18 dias depois da cirurgia, com o cora\u00e7\u00e3o intacto. Foi uma pneumonia que o levou devido aos tratamentos contra a rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o administrados ap\u00f3s o transplante.<\/p>\n<p>Barnard come\u00e7ou, por sua vez, uma viagem mundial como a nova estrela da medicina moderna. Faleceu em 2001.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 50 anos, a \u00c1frica do Sul surpreendeu o mundo com o bem sucedido transplante do cora\u00e7\u00e3o de uma mo\u00e7a para o peito de um homem doente, realizado pelo cirurgi\u00e3o Christiaan Barnard. Abaixo, o relato dessa hist\u00f3ria da medicina moderna, a partir dos arquivos da AFP. &#8211; Um acidente inacredit\u00e1vel &#8211; No dia 2 de &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2282,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5110"}],"collection":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5110"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5110\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5111,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5110\/revisions\/5111"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}