{"id":4971,"date":"2017-12-24T22:52:23","date_gmt":"2017-12-24T22:52:23","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=4971"},"modified":"2017-12-24T22:52:23","modified_gmt":"2017-12-24T22:52:23","slug":"objetos-de-auschwitz-saem-da-polonia-para-exposicao-mundial-itinerante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/objetos-de-auschwitz-saem-da-polonia-para-exposicao-mundial-itinerante\/","title":{"rendered":"Objetos de Auschwitz saem da Pol\u00f4nia para exposi\u00e7\u00e3o mundial itinerante"},"content":{"rendered":"<p>Centenas de objetos sa\u00edram da Pol\u00f4nia com motivo da primeira exposi\u00e7\u00e3o itinerante internacional dedicada ao campo de concentra\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio de Auschwitz, que come\u00e7ar\u00e1 em Madri na sexta-feira.<\/p>\n<p>Os objetos levados \u00e0 capital espanhola s\u00e3o variados: cartas lan\u00e7adas dos trens, um vag\u00e3o do mesmo modelo dos que transportaram os deportados, um peda\u00e7o da cerca el\u00e9trica do campo, desenhos de prisioneiros conservados em uma garrafa escondida em Auschwitz e os sapatos de uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o Auschwitz. N\u00e3o faz muito tempo. N\u00e3o est\u00e1 muito longe abre suas portas nesta sexta-feira em Madri. A partir de 17 de junho, viajar\u00e1 por mais de dez cidades da Europa, Am\u00e9rica, \u00c1sia e Oceania, embora a lista ainda n\u00e3o tenha sido divulgada.<\/p>\n<p>Auschwitz-Birkenau, o maior campo de concentra\u00e7\u00e3o, trabalho for\u00e7ado e exterm\u00ednio constru\u00eddo pela Alemanha nazista na Pol\u00f4nia ocupada, foi liberado h\u00e1 72 anos. Nele morreram 1,1 milh\u00e3o de pessoas entre 1940 e 1945, em sua imensa maioria judeus.<\/p>\n<p>No ano passado, recebeu dois milh\u00f5es de pessoas. No entanto, nem todo mundo pode fazer a viagem, e os sobreviventes est\u00e3o desaparecendo devido \u00e0 idade avan\u00e7ada.<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante que Auschwitz saia ao mundo, disse \u00e0 AFP Luis Ferreiro, diretor do projeto e dirigente da sociedade espanhola Musealia, que criou a exposi\u00e7\u00e3o com uma equipe de especialistas liderada pelo historiador holand\u00eas Robert Jan van Pelt.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a primeira vez na hist\u00f3ria que uma cole\u00e7\u00e3o importante de objetos originais saem do museu estatal de Auschwitz-Birkenau, que saem da Pol\u00f4nia, para uma exposi\u00e7\u00e3o itinerante, acrescentou Ferreiro. Al\u00e9m disso, a maioria dos objetos expostos aqui nunca foi mostrada ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>Alguns dos objetos foram fornecidos por outras institui\u00e7\u00f5es e por colecionadores privados de diferentes pa\u00edses.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o, documentada e did\u00e1tica, revela, entre outras coisas, o processo de sele\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas. O m\u00e9dico nazista Joseph Mengele assistia \u00e0 chegada dos trens em busca de g\u00eameos, com os quais realizava experimentos macabros, segundo um texto da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como prova, h\u00e1 uma mesa de opera\u00e7\u00f5es, embora n\u00e3o seja poss\u00edvel afirmar com certeza que esta \u00e9 a mesa que Mengele utilizou, aponta Luis Ferreiro.<\/p>\n<p>&#8211; Como mostrar as c\u00e2maras de g\u00e1s? &#8211;<\/p>\n<p>Cada coisa, cada detalhe, gerou um debate: como expor?, explica Fernando Arlandis, coordenador de exposi\u00e7\u00f5es no Centro Arte Canal de Madri, que recebe a primeira etapa desta mostra itinerante.<\/p>\n<p>Pode-se recriar uma c\u00e2mara de g\u00e1s, para que os visitantes entrem nela &#8211; como em um jogo, acrescenta. Mas aqui n\u00e3o quisemos fazer isso, quer\u00edamos mostrar as provas f\u00edsicas do que aconteceu.<\/p>\n<p>O que se mostra, por exemplo, \u00e9 uma m\u00e1scara de g\u00e1s, junto com um pote de Zyklon B, o pesticida \u00e0 base de cianeto utilizado nas c\u00e2maras.<\/p>\n<p>Na parede pode-se ler frases do comandante das SS de Auschwitz, Rudolf H\u00f6ss, que em 1946 disse: Observei as mortes do barrac\u00e3o II protegido com uma m\u00e1scara de g\u00e1s. Na verdade, a primeira execu\u00e7\u00e3o com g\u00e1s n\u00e3o me marcou muito.<\/p>\n<p>Os desenhos do prisioneiro polon\u00eas Jan Komski (1915-2002) ilustram as crema\u00e7\u00f5es dos corpos e as humilha\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. Em um deles aparece um kapo em uma carro\u00e7a movida por prisioneiros, que ele chicoteia para que continuem avan\u00e7ando.<\/p>\n<p>Em outra sala, pode-se ver um dos barrac\u00f5es de madeira onde os prisioneiros ficavam amontoados.<\/p>\n<p>Um milh\u00e3o de judeus foram exterminados em Auschwitz a partir de 1940.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m morreram ali poloneses n\u00e3o judeus, ciganos, prisioneiros de guerra sovi\u00e9ticos, homossexuais e pessoas de outras nacionalidades, consideradas elementos indesej\u00e1veis pelo Terceiro Reich de Adolf Hitler.<\/p>\n<p>Piotr M. A. Cywinski, historiador polon\u00eas que dirige o museu estatal de Auschwitz, diz que agora se sente uma presen\u00e7a crescente do racismo, do antissemitismo e da xenofobia.<\/p>\n<p>Por isso, pensa que a exposi\u00e7\u00e3o, gratuita para todos os alunos de centros educativos espanh\u00f3is, pode desempenhar um papel essencial neste momento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centenas de objetos sa\u00edram da Pol\u00f4nia com motivo da primeira exposi\u00e7\u00e3o itinerante internacional dedicada ao campo de concentra\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio de Auschwitz, que come\u00e7ar\u00e1 em Madri na sexta-feira. 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