{"id":4907,"date":"2017-12-24T22:29:29","date_gmt":"2017-12-24T22:29:29","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=4907"},"modified":"2017-12-24T22:29:29","modified_gmt":"2017-12-24T22:29:29","slug":"argentina-48-condenacoes-por-voos-da-morte-e-outros-crimes-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/argentina-48-condenacoes-por-voos-da-morte-e-outros-crimes-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Argentina: 48 condena\u00e7\u00f5es por voos da morte e outros crimes da ditadura"},"content":{"rendered":"<p>Um total de 48 ex-militares foram condenados nesta quarta-feira por um tribunal argentino, entre eles 29 \u00e0 pris\u00e3o perpetua, em um grande julgamento pelos voos da morte e outros crimes ocorridos no centro de torturas ESMA durante a ditadura argentina (1976-83).<\/p>\n<p>Al\u00e9m das 29 senten\u00e7as \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua, outras 19 pessoas foram condenadas a entre 8 e 25 anos de pris\u00e3o. Houve seis absolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Alfredo Astiz (67), Jorge Acosta (76) e Ricardo Cavallo (66) foram condenados a pris\u00e3o perp\u00e9tua no maior julgamento por crimes contra a humanidade na Argentina, que colocou 54 pessoas no banco dos r\u00e9us por 789 fatos.<\/p>\n<p>Entre outros crimes, Astiz, chamado de anjo loiro da morte, e Acosta foram acusados pelo desaparecimento em 1977 da cidad\u00e3 sueca Dagmar Hagelin, que tinha 17 anos.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas j\u00e1 cumprem pris\u00e3o perp\u00e9tua por julgamentos anteriores sobre os crimes perpetrados na Escola de Mec\u00e2nica da Armada (ESMA), o mais emblem\u00e1tico centro de deten\u00e7\u00e3o da ditadura, por onde passaram 5.000 prisioneiros e onde dezenas de mulheres deram \u00e0 luz.<\/p>\n<p>Dos 54 acusados, 16 j\u00e1 tinham sido condenados anteriormente.<\/p>\n<p>Este foi o primeiro julgamento na Argentina que condenou dois ex-pilotos por participarem dos chamados voos da morte, um dos m\u00e9todos de desaparecimento for\u00e7ado da ditadura.<\/p>\n<p>Entre os seis absolvidos, est\u00e3o o ex-secret\u00e1rio da Fazenda em 1980 Juan Alemann (89) e o ex-piloto militar argentino-holand\u00eas Julio Poch (65), que era acusado pelos voos da morte.<\/p>\n<p>Roubos de beb\u00eas, tortura a perseguidos pol\u00edticos e homic\u00eddios foram outros dos crimes contra a humanidade analisados neste julgamento, o terceiro sobre os crimes da ESMA.<\/p>\n<p>A leitura do veredito se prolongou por quase quatro horas, em uma sala de audi\u00eancias dos tribunais federais, onde os acusados foram separados por um vidro do p\u00fablico, que inclu\u00eda a v\u00edtimas e familiares das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Fora do tribunal, no bairro do Retiro, dezenas de ativistas de direitos humanos e partidos de esquerda acompanharam de um tel\u00e3o o resultado do julgamento.<\/p>\n<p>O julgamento que come\u00e7ou em 2012 contou com 800 testemunhas, 11 dos acusados morreram e outros tr\u00eas foram afastados do processo por motivos de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A enorme quantidade de casos e acusados mostrou o sentido da repress\u00e3o sobre coletivos populares e opositores \u00e0 ditadura civil-militar. Por isso dizemos que \u00e9 um genoc\u00eddio e que n\u00e3o teve nada de improvisado, disse Carlos Loza, um sobrevivente.<\/p>\n<p>&#8211; Voos da morte &#8211;<\/p>\n<p>Mario Daniel Arr\u00fa e Alejandro Domingo DAgostino foram condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua por participar dos voos nos quais opositores eram lan\u00e7ados vivos no mar ou nas \u00e1guas do Rio da Prata de avi\u00f5es militares, uma forma de faz\u00ea-los desaparecer sem deixar vest\u00edgios.<\/p>\n<p>O ex-piloto militar argentino-holand\u00eas Julio Poch, tamb\u00e9m acusado no caso, foi absolvido, assim como Ricardo Ormello e Emir Sussel Hess.<\/p>\n<p>Poch se reformou como capit\u00e3o-de-fragata em fevereiro de 1981, e depois disso radicou-se na Holanda com mulher e tr\u00eas filhos.<\/p>\n<p>Ao depor em 2013, Poch negou sua participa\u00e7\u00e3o nos voos e disse nunca ter estado na Escola de Mec\u00e2nica da Armada (ESMA), o mais emblem\u00e1tico centro de exterm\u00ednio do regime, nem ter integrado um grupo de trabalho de repress\u00e3o ilegal na ditadura.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o participei da luta contra a subvers\u00e3o e eu n\u00e3o tive nada que ver com os voos da morte e n\u00e3o confessei porque n\u00e3o tenho nada a confessar, disse aos ju\u00edzes o ex-aviador, que foi piloto na Transavia, filial da Air France da KLM.<\/p>\n<p>Entre as v\u00edtimas dos voos da morte est\u00e3o as freiras francesas Alice Domon e L\u00e9onie Duquet, sequestradas e assassinadas juntamente com fundadoras do organismo humanit\u00e1rio M\u00e3es da Pra\u00e7a de Maio, em dezembro de 1977.<\/p>\n<p>Os restos mortais de Duquet e tr\u00eas m\u00e3es da Pra\u00e7a de Maio foram encontrados pouco ap\u00f3s seu sequestro em uma praia da costa atl\u00e2ntica argentina e enterrados sem nome em um cemit\u00e9rio pr\u00f3ximo. Em 2005, foram exumados e identificados pela Equipe Argentina de Antropologia Forense. Domon continua desaparecida.<\/p>\n<p>Trinta mil pessoas desapareceram durante a ditadura, segundo organismos humanit\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um total de 48 ex-militares foram condenados nesta quarta-feira por um tribunal argentino, entre eles 29 \u00e0 pris\u00e3o perpetua, em um grande julgamento pelos voos da morte e outros crimes ocorridos no centro de torturas ESMA durante a ditadura argentina (1976-83). 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