{"id":4689,"date":"2017-12-24T19:06:40","date_gmt":"2017-12-24T19:06:40","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=4689"},"modified":"2017-12-24T19:06:40","modified_gmt":"2017-12-24T19:06:40","slug":"martinho-da-vila-recebe-titulo-de-doutor-honoris-causa-da-ufrj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/martinho-da-vila-recebe-titulo-de-doutor-honoris-causa-da-ufrj\/","title":{"rendered":"Martinho da Vila recebe t\u00edtulo de doutor honoris causa da UFRJ"},"content":{"rendered":"<p>Martinho Jos\u00e9 Ferreira, o Martinho da Vila, cantor, compositor, m\u00fasico, escritor, poeta e defensor da cultura negra, \u00e9 tamb\u00e9m, a partir de hoje (31), doutor honoris causa, t\u00edtulo concedido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a partir de uma proposta apresentada pelo Departamento de Letras Vern\u00e1culas da Faculdade de Letras.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo aprovado pelo Conselho Universit\u00e1rio indica que o artista \u201ctornou-se um mediador entre a cultura popular e a erudita, por suas qualidades biculturais de mestre popular e de \u00eddolo da ind\u00fastria cultural, o que potencializou sua atua\u00e7\u00e3o na promo\u00e7\u00e3o da cultura popular e na milit\u00e2ncia contra o racismo na sociedade brasileira\u201d.<\/p>\n<p>Com uma atua\u00e7\u00e3o em tantos campos, nada mais natural que todos estivessem representados na sess\u00e3o solene do Conselho Universit\u00e1rio da UFRJ, no pr\u00e9dio da Faculdade de Letras, na Ilha do Fund\u00e3o, zona norte do Rio. Desde integrantes da velha guarda e da ala de baianas da Unidos de Vila Isabel, a escola de samba do cora\u00e7\u00e3o de Martinho, a representes das letras, da m\u00fasica e da comunidade negra, todos queriam prestar homenagem ao cantor e compositor. \u201cPara n\u00f3s, \u00e9 uma alegria muito grande ver um parceiro nosso, amigo receber esse t\u00edtulo. Adorei ver isso\u201d, disse o compositor Manuel Silva, de 71 anos, componente da velha guarda.<\/p>\n<p>Para a integrante da ala de baianas da Vila, Ivonete da Silveira, de 63 anos, foi \u201cexcelente\u201d poder ver o reconhecimento de Martinho, que segundo ela, \u00e9 uma figura importante da escola. A baiana lembrou que \u00e9 sempre uma emo\u00e7\u00e3o desfilar com um samba de autoria dele. \u201c\u00c9 uma emo\u00e7\u00e3o. O cora\u00e7\u00e3o come\u00e7a a bater mais forte. A mente fica sem saber o que pensar\u201d, contou, acrescentando, que melhora se vier acompanhado de um campeonato da escola. \u201cA\u00ed fica tudo melhor, fica tudo bem\u201d, disse sorrindo.<\/p>\n<p>Entre os parentes, uma pessoa em especial: dona Elza, a irm\u00e3 mais velha, que aos 90 anos fez quest\u00e3o de comparecer \u00e0 cerim\u00f4nia de entrega do t\u00edtulo. E Martinho ficou feliz com a presen\u00e7a dela. \u201cFoi uma surpresa para mim que a substituta da minha m\u00e3e, a n\u00famero 1, como a gente chama, saiu l\u00e1 de Curicica [bairro da zona oeste] e veio aqui, a Elza, representando toda a minha fam\u00edlia\u201d, revelou apontando para a irm\u00e3, que estava sentada na primeira fila.<\/p>\n<p>Depois da cerim\u00f4nia, emocionada, dona Elza falou de Martinho, que para ela \u00e9 mais que um irm\u00e3o. \u201cEu criei ele. Foi criado aqui na minha m\u00e3o. Trabalhamos muito para criar ele. Ele estudou. Tenho ele como um filho. \u00c9 uma alegria. Nunca pensei em chegar aos 90 anos\u201d.<\/p>\n<p>Martinho destacou ainda, entre os presentes, o babala\u00f4 Ivanir dos Santos e a professora Helena Teodoro, que lan\u00e7aram a indica\u00e7\u00e3o para que ele recebesse o t\u00edtulo aprovado por unanimidade pelos colegiados da UFRJ. \u201cHoje, para mim, \u00e9 um dia de gra\u00e7a\u201d, apontou o artista.<\/p>\n<p>Na sauda\u00e7\u00e3o ao homenageado, a professora Carmen Tind\u00f3, que apresentou a proposta de concess\u00e3o do t\u00edtulo a Martinho no Conselho Universit\u00e1rio, destacou que a cultura negra est\u00e1 sempre representada nas m\u00fasicas do artista. Ela lembrou ainda que o artista sempre se posicionou politicamente, inclusive no per\u00edodo da ditadura, como no samba enredo Sonho de um sonho. \u201cE eu cito: Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado. Um sonho de um sonho magnetizado. As mentes abertas, sem bicos calados. Juventude alerta e seres alados. \u00c9 clara neste fragmento citado, a mensagem po\u00e9tica que sonha um pa\u00eds sem censura\u201d, apontou.<\/p>\n<p>O reitor Roberto Leher afirmou que ter um intelectual do porte de Martinho da Vila nos quadros da UFRJ \u00e9 muito importante para a afirma\u00e7\u00e3o da juventude negra, que tem conseguido cada vez mais espa\u00e7o na universidade por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas como as cotas. \u201c\u00c9 muito importante que esta institui\u00e7\u00e3o possa acolher esta juventude, e acolher naquilo que podemos dar de melhor, que \u00e9 o conhecimento\u201d, disse.<\/p>\n<p>O homenageado est\u00e1 bem consciente dessa refer\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 para a juventude negra, mas para a sociedade brasileira. \u201c\u00c9 um t\u00edtulo que tem muita representatividade e muito significado. Ent\u00e3o, aumenta muito a responsabilidade. N\u00e3o posso abandonar a luta e dizer agora vou descansar. N\u00e3o posso. E tamb\u00e9m honrar essa universidade. Eu tenho uma certa presen\u00e7a por aqui e eles sentem que sou parte da turma, mas \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o s\u00f3\u201d, afirmou, depois da cerim\u00f4nia cercado de amigos.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o tantos amigos e de v\u00e1rias \u00e1reas. Foi uma sess\u00e3o solene acad\u00eamica que era bem mista. Velha guarda da Vila Isabel, gente da Portela, m\u00fasicos, artistas, intelectuais. Tudo misturado\u201d. A cerim\u00f4nia, que tinha come\u00e7ado com o Hino Nacional cantado por Martinho da Vila e, em alguns trechos, com acompanhamento pr\u00f3ximo do samba, terminou com um show do grupo de se apresenta com o cantor pelo mundo afora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Martinho Jos\u00e9 Ferreira, o Martinho da Vila, cantor, compositor, m\u00fasico, escritor, poeta e defensor da cultura negra, \u00e9 tamb\u00e9m, a partir de hoje (31), doutor honoris causa, t\u00edtulo concedido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a partir de uma proposta apresentada pelo Departamento de Letras Vern\u00e1culas da Faculdade de Letras. 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