{"id":46056,"date":"2019-03-12T20:11:45","date_gmt":"2019-03-12T20:11:45","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=46056"},"modified":"2019-03-12T20:12:53","modified_gmt":"2019-03-12T20:12:53","slug":"pesquisa-aponta-que-transporte-publico-e-ambiente-favoravel-ao-assedio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/pesquisa-aponta-que-transporte-publico-e-ambiente-favoravel-ao-assedio\/","title":{"rendered":"Pesquisa aponta que transporte p\u00fablico \u00e9 ambiente favor\u00e1vel ao ass\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p>De cada dez mulheres, quatro (40%) avaliam o transporte p\u00fablico como o lugar onde elas mais correm risco de sofrer algum tipo de ass\u00e9dio. Outras 25% j\u00e1 sofreram ass\u00e9dio no transporte coletivo. \u00c9 o que mostra a Pesquisa Mulher- Viver na Cidade, da Rede Nossa S\u00e3o Paulo em parceria com o Ibope, divulgada hoje (12), na capital paulista. Para 23% das mulheres, a rua \u00e9 um local de risco, e 11% temem o ass\u00e9dio em bares e casas noturnas.<\/p>\n<p>A pesquisa entrevistou 416 mulheres de 16 anos ou mais, na cidade de S\u00e3o Paulo, entre os dias 4 a 21 de dezembro de 2018, e constatou que pelo menos 13% j\u00e1 passaram por alguma abordagem desrespeitosa &#8211; foi agarrada, beijada ou outra situa\u00e7\u00e3o sem seu consentimento.<\/p>\n<p>Para o coordenador geral da Rede Nossa S\u00e3o Paulo, Jorge Abrah\u00e3o, o ass\u00e9dio no transporte p\u00fablico \u00e9 um problema que est\u00e1 espalhado na sociedade e \u00e9 importante perceber isso para enfrentar o problema, caso o objetivo seja desenvolver campanhas educativas, ter mais fiscaliza\u00e7\u00e3o, treinar os cobradores e motoristas de \u00f4nibus, para ter maior velocidade nesse enfrentamento.<\/p>\n<p>\u201cO transporte coletivo \u00e9 o espa\u00e7o que o ass\u00e9dio mais ocorre porque n\u00e3o temos feito nada para mudar essa situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o temos tido nenhuma discuss\u00e3o na sociedade, campanha. A pesquisa mostra que o ass\u00e9dio no transporte p\u00fablico est\u00e1 aumentando, mas acreditamos que est\u00e1 havendo uma consci\u00eancia maior das mulheres. Podemos supor que esse \u00e9 um problema grande, que j\u00e1 existe, e cada vez mais, com encorajamento maior, apare\u00e7a mais isso\u201d, disse.<\/p>\n<h2>Enfrentamento<\/h2>\n<p>Segundo ele, a sociedade n\u00e3o est\u00e1 mostrando um contraponto com rela\u00e7\u00e3o ao ass\u00e9dio e \u00e9 preciso que o poder p\u00fablico enfrente a quest\u00e3o de maneira mais forte. \u201cEsse tipo de postura e enfrentamento n\u00f3s temos tido pouco. No fundo, isso restringe o direito de ir e vir das mulheres, porque h\u00e1 muitas que deixam de fazer algumas atividades em fun\u00e7\u00e3o desse medo&#8221;.<\/p>\n<p>Quando se fala de discrimina\u00e7\u00e3o e preconceito no ambiente de trabalho, 19% das entrevistadas afirmaram j\u00e1 ter sofrido esse tipo de ass\u00e9dio. Em 2018, esse percentual ficou em 16%. \u201cIsso tem muito a ver ainda com um n\u00e3o reconhecimento da igualdade. Isso acaba aparecendo nos sal\u00e1rios. Percebemos que h\u00e1 uma desvaloriza\u00e7\u00e3o e isso, junto com a sociedade machista que temos, acaba gerando essa discrimina\u00e7\u00e3o e esse preconceito\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Abrah\u00e3o, as situa\u00e7\u00f5es que acontecem nos espa\u00e7os p\u00fablicos tendem a se reproduzir, nem sempre na mesma dimens\u00e3o, nos espa\u00e7os privados. \u201c\u00c9 evidente que nesses espa\u00e7os privados as empresas podem atuar fortemente, tendo meios nos quais as pessoas possam denunciar para responsabilizar pessoas. H\u00e1 caminhos para avan\u00e7ar nisso\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Entre as mulheres que sofreram algum tipo de ass\u00e9dio ou preconceito no trabalho, 57% veem o telefone em centrais de atendimento como o canal que mais se sentem a vontade para denunciar. As delegacias da mulher foram apontadas por 48%, aplicativos de celular por 40% e a internet por 26%.<\/p>\n<h2>Cuidado com os filhos<\/h2>\n<p>O levantamento tamb\u00e9m revelou que o percentual de mulheres que n\u00e3o dividem o cuidado dos filhos com outra pessoa aumentou de 27% em 2018 para 33% em 2019. Aquelas que declararam que ficam mais com o filho recuou de 43% para 36%.<\/p>\n<p>\u201cO que conseguimos perceber \u00e9 que, se somados esses dois n\u00fameros, temos 70% cuidando sozinhas ou a maioria do tempo dos filhos. Existe a quest\u00e3o de como enfrentar essa divis\u00e3o de tarefas, que tamb\u00e9m \u00e9 um papel que a sociedade pode enfrentar. Muitos pa\u00edses avan\u00e7am muito na lei da Licen\u00e7a Paternidade. Isso por si s\u00f3 n\u00e3o resolve, mas \u00e9 um encaminhamento importante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o cultural que temos que enfrentar\u201d, observou Abrah\u00e3o.<\/p>\n<p>O pesquisador disse ainda que a pesquisa traz a percep\u00e7\u00e3o de que a cidade, que \u00e9 planejada pelos homens, t\u00eam um conceito de urbaniza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o considera os diferentes g\u00eaneros. \u201cTemos uma cidade com a mobilidade planejada para os homens. O tipo de disponibilidade de transporte p\u00fablico \u00e9 mais modelado para o ir e voltar do trabalho do que para atender quem necessita cuidar mais de filhos e precisa, por exemplo, de uma frequ\u00eancia maior dos \u00f4nibus. Os hor\u00e1rios de atendimento dos equipamentos p\u00fablicos tamb\u00e9m s\u00e3o planejados somente para quem tem mais flexibilidade\u201d.<\/p>\n<div class=\"edicao\">Edi\u00e7\u00e3o:\u00a0<span class=\"txtGeral\">Fernando Fraga<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De cada dez mulheres, quatro (40%) avaliam o transporte p\u00fablico como o lugar onde elas mais correm risco de sofrer algum tipo de ass\u00e9dio. 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