{"id":4595,"date":"2017-12-24T18:33:55","date_gmt":"2017-12-24T18:33:55","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=4595"},"modified":"2017-12-24T18:33:55","modified_gmt":"2017-12-24T18:33:55","slug":"ha-60-anos-a-urss-enviava-ao-espaco-a-cadela-laika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/ha-60-anos-a-urss-enviava-ao-espaco-a-cadela-laika\/","title":{"rendered":"H\u00e1 60 anos a URSS enviava ao espa\u00e7o a cadela Laika"},"content":{"rendered":"<p>Pedi a ela que nos perdoasse e chorei ao acarici\u00e1-la pela \u00faltima vez, recorda a bi\u00f3loga Adilia Kotovskaya. No dia seguinte, a cadela Laika decolava em uma viagem sem volta e se convertia no primeiro ser vivo enviado ao espa\u00e7o.<\/p>\n<p>H\u00e1 60 anos, em 3 de novembro de 1957, apenas um m\u00eas depois da coloca\u00e7\u00e3o em \u00f3rbita do primeiro Sputnik sovi\u00e9tico, o segundo sat\u00e9lite artificial da Hist\u00f3ria decolou com destino ao espa\u00e7o com o animal a bordo, uma cadela resgatada das ruas de Moscou. Ela sobreviveu apenas algumas horas.<\/p>\n<p>Para o n\u00famero um sovi\u00e9tico da \u00e9poca, Nikita Khruschov, o objetivo era demonstrar a superioridade da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica sobre os Estados Unidos, um pouco antes da comemora\u00e7\u00e3o do 40\u00ba anivers\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o bolchevique, em 7 de novembro.<\/p>\n<p>Suas nove voltas ao redor da Terra transformaram Laika no primeiro cosmonauta do planeta, sacrificado em nome do sucesso das futuras miss\u00f5es espaciais, destaca Adilia Kotovskaya, que atualmente tem 90 anos e continua orgulhosa de ter ajudado a treinar os animais para as miss\u00f5es espaciais.<\/p>\n<p>Recorda que anteriormente foram enviados outros cachorros a altitudes suborbitais pelo per\u00edodo de alguns minutos para verificar se era poss\u00edvel viver em um ambiente sem gravidade.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o chegou a hora de enviar um ser vivo ao espa\u00e7o, afirmou \u00e0 AFP em Moscou.<\/p>\n<p>Para se acostumar ao voo espacial em uma c\u00e1psula pressurizada de 80 cent\u00edmetros de extens\u00e3o, os cachorros eram colocados em jaulas cada vez menores, recorda a cientista.<\/p>\n<p>Eles eram colocados em uma centrifugadora que simulava a acelera\u00e7\u00e3o de um foguete no momento decolagem, submetidos a ru\u00eddos que imitavam o interior de uma nave espacial e alimentados com comida espacial a base de gelatina.<\/p>\n<p>Laika, uma vira-lata de cerca de tr\u00eas anos e seis quilos, foi recolhida das ruas de Moscou, assim como outros candidatos.<\/p>\n<p>Foram escolhidas cadelas porque n\u00e3o precisavam levantar a pata para urinar e, portanto, precisavam de menos espa\u00e7o que os machos, e sem pedigree porque s\u00e3o mais espertas e menos exigentes, explicou a especialista que atualmente dirige um laborat\u00f3rio do Instituto de Problemas M\u00e9dico-Biol\u00f3gicos de Moscou.<\/p>\n<p>As candidatas tamb\u00e9m precisavam ser fotog\u00eanicas e a escolha de seu nome deveria ter o m\u00e1ximo impacto na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Calor e desidrata\u00e7\u00e3o &#8211;<\/p>\n<p>Laika &#8211; nome derivado do verbo ladrar em russo &#8211; foi escolhida entre seis candidatas por seu car\u00e1ter esperto, d\u00f3cil e um olhar curioso.<\/p>\n<p>Claro que sab\u00edamos que ia morrer no voo j\u00e1 que n\u00e3o havia meios de resgat\u00e1-la, inexistentes naquela \u00e9poca, acrescentou a experiente cientista.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera, pedi a ela que nos perdoasse e chorei ao acarici\u00e1-la pela \u00faltima vez, recordou.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento do Sputnik com Laika a bordo aconteceu em 3 de novembro de 1957, \u00e0s 05H30 (hora de Moscou), no Cazaquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Obviamente, quando o foguete subiu, o ritmo card\u00edaco de Laika aumentou consideravelmente, recordou Adilia Kotovskaya. Ao final de tr\u00eas horas, a cachorrinha recuperou seu ritmo normal.<\/p>\n<p>De repente, depois da nona rota\u00e7\u00e3o ao redor da Terra, a temperatura no interior da c\u00e1psula de Laika come\u00e7ou a aumentar e superou os 40 \u00baC, com a falta de prote\u00e7\u00e3o suficiente contra a radia\u00e7\u00e3o solar.<\/p>\n<p>O resultado foi que Laika, que deveria ter sobrevivido entre oito e dez dias, morreu ao final de algumas horas por excesso de calor e desidrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A r\u00e1dio sovi\u00e9tica continuou, no entanto, informando cotidianamente sobre a boa sa\u00fade de Laika, que virou hero\u00edna planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Segundo a vers\u00e3o oficial mantida por muito tempo por Moscou, Laika morreu por causa de um veneno colocado em sua comida para evitar uma morte dolorosa no retorno da nave \u00e0 atmosfera.<\/p>\n<p>O Sputnik se desintegrou na atmosfera em 14 de abril de 1958 sobre as ilhas Antilhas, com sua passageira morta h\u00e1 cinco meses.<\/p>\n<p>Em 19 de agosto de 1960, um voo espacial trouxe vivas de volta \u00e0 Terra duas cadelas enviadas ao espa\u00e7o, Belka e Strelka, abrindo caminho para o primeiro voo habitado do sovi\u00e9tico Yuri Gagarin, em 12 de abril de 1961.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedi a ela que nos perdoasse e chorei ao acarici\u00e1-la pela \u00faltima vez, recorda a bi\u00f3loga Adilia Kotovskaya. 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