{"id":4527,"date":"2017-12-24T18:10:13","date_gmt":"2017-12-24T18:10:13","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=4527"},"modified":"2017-12-24T18:10:13","modified_gmt":"2017-12-24T18:10:13","slug":"arquiteta-combate-uso-do-concreto-com-materiais-tradicionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/arquiteta-combate-uso-do-concreto-com-materiais-tradicionais\/","title":{"rendered":"Arquiteta combate uso do concreto com materiais tradicionais"},"content":{"rendered":"<p>A arquiteta marroquina Salima Naji \u00e9 especialista em construir de uma forma a mesclar as quest\u00f5es ambientais com as tradi\u00e7\u00f5es locais<\/p>\n<p>Um inesperado sopro de vento refrescante sa\u00fada os visitantes do novo centro de arquivos em Tiznit, nas montanhas do sul do Marrocos, ainda que sem a exist\u00eancia de um ambiente climatizado, em plena regi\u00e3o cujo calor extremo aquece a parte externa da \u00e1rea constru\u00edda.<\/p>\n<p>Isto foi poss\u00edvel gra\u00e7as aos m\u00e9todos ancestrais de constru\u00e7\u00e3o usados por Salima Naji, uma arquiteta marroquina educada na Fran\u00e7a, especialista em constru\u00e7\u00f5es que unem os conceitos de sustentabilidade e tradi\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s do concreto, ela constr\u00f3i em adobe e tijolos modelados a partir da lama, e utiliza o p\u00e9-direito alto buscando aumentar a circula\u00e7\u00e3o de ar.<\/p>\n<p>Primeiramente, olho o que h\u00e1 dispon\u00edvel no local, em vez de j\u00e1 trazer materiais vindos de outros locais, diz a arquiteta que possui uma segunda gradua\u00e7\u00e3o em antropologia e j\u00e1 restaurou in\u00fameras constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>A sua prioridade \u00e9 apoiada em dois pilares: preservar as tradi\u00e7\u00f5es locais e o meio ambiente.<\/p>\n<p>Naji comenta ter se frustrado ao perceber que em um determinado momento as pessoas pararam de construir com materiais locais e viraram suas costas a essas tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; A paisagem est\u00e1 desmoronando &#8211;<\/p>\n<p>Adobe, pedras, calc\u00e1rio, troncos de madeira dos coqueiros &#8212; s\u00e3o esses os elementos que ela se recusa a abandonar.<\/p>\n<p>Naji, 47, filha de pai marroquino e m\u00e3e francesa, come\u00e7ou a sua carreira trabalhando com m\u00e9todos tradicionais de constru\u00e7\u00e3o e materiais para clientes privados.<\/p>\n<p>Depois, ela percebeu que \u00e9 muito legal construir para os ricos, mas as \u00e1reas que comp\u00f5em o restante da paisagem est\u00e3o desmoronando, ela diz.<\/p>\n<p>Ela come\u00e7ou, ent\u00e3o, a restaurar velhos ksours, ou cidadelas protegidas por fortalezas, antigas mesquitas e armaz\u00e9ns comunit\u00e1rios, no o\u00e1sis em Amtoudi.<\/p>\n<p>Em Tiznit, uma cidade localizada 100 quil\u00f4metros ao sul de Agadir, onde vive em uma casa pequena e tradicional, ela se manteve leal \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es ao projetar o novo centro de arquivos e sal\u00e3o comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Embora tenha avers\u00e3o ao concreto, ela teve que usar um pouco do material para cumprir o plano diretor do Marrocos para pr\u00e9dios p\u00fablicos.<\/p>\n<p>N\u00e3o entendo porque damos tanto valor a esse material, nem historicamente, nem em termos de controle clim\u00e1tico, nem esteticamente e que, al\u00e9m de tudo, \u00e9 caro!, acrescentou.<\/p>\n<p>Esfria no inverno, esquenta no ver\u00e3o, diz ela sobre o material predominante na constru\u00e7\u00e3o moderna.<\/p>\n<p>&#8211; As tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o mantidas vivas &#8211;<\/p>\n<p>O elemento considerado essencial para Naji \u00e9 que No Marrocos as tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o mantidas vivas, em menor escala, claro, por\u00e9m n\u00e3o inexistentes como em qualquer outro local.<\/p>\n<p>Ela trabalhou nos armaz\u00e9ns em Amtoudi junto a artes\u00e3os locais, ainda que tenha sido um dif\u00edcil processo tentar convencer os mais jovens a aprenderem os m\u00e9todos mais antigos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser arquiteta e antrop\u00f3loga, ela tamb\u00e9m se considera uma ativista da defesa do uso de materiais locais e t\u00e9cnicas ancestrais em constru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ela foi avisada de que suas constru\u00e7\u00f5es n\u00e3o resistiriam \u00e0s chuvas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ela insiste que esse modo de construir atrelado a uma boa manuten\u00e7\u00e3o do material tem uma capacidade de resist\u00eancia superior a materiais normalmente usados, como o concreto, como provam as muralhas da capital marroquina de Rabat, onde a arquiteta nasceu.<\/p>\n<p>Sua campanha tem como objetivo encontrar alternativas a todas as formas de vida que utilizem o concreto, sobre a qual ela se mant\u00e9m otimista.<\/p>\n<p>Nesse pa\u00eds, j\u00e1 percebi que existem pessoas que querem mudan\u00e7as, que anseiam por algo belo, eficaz, algo que tenha como dire\u00e7\u00e3o o futuro sem o esquecimento do passado, argumenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A arquiteta marroquina Salima Naji \u00e9 especialista em construir de uma forma a mesclar as quest\u00f5es ambientais com as tradi\u00e7\u00f5es locais Um inesperado sopro de vento refrescante sa\u00fada os visitantes do novo centro de arquivos em Tiznit, nas montanhas do sul do Marrocos, ainda que sem a exist\u00eancia de um ambiente climatizado, em plena regi\u00e3o &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1990,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4527","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4527"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4527\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4528,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4527\/revisions\/4528"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}