{"id":45128,"date":"2019-02-13T19:47:39","date_gmt":"2019-02-13T19:47:39","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=45128"},"modified":"2019-02-13T19:47:39","modified_gmt":"2019-02-13T19:47:39","slug":"atriz-e-cantora-bibi-ferreira-morre-aos-96-anos-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/atriz-e-cantora-bibi-ferreira-morre-aos-96-anos-no-rio\/","title":{"rendered":"Atriz e cantora Bibi Ferreira morre aos 96 anos no Rio"},"content":{"rendered":"<p>Morreu nesta quarta-feira, 13, a atriz e cantora\u00a0Bibi Ferreira, aos 96 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A artista havia anunciado a aposentadoria dos palcos no ano passado, quando encerrou a turn\u00ea\u00a0Por Toda a Minha Vida.<\/p>\n<p class=\"text\">O ator e diretor Miguel Falabella foi um dos primeiros a confirmar a not\u00edcia por meio de suas redes sociais. &#8220;Foi-se a imensa Bibi Ferreira. Devo a ela meu primeiro encantamento com o palco assistindo sua perfomance em\u00a0Al\u00f4 Dolly\u00a0quando era um menino de oito anos&#8221;, escreveu no Instagram. &#8220;Obrigado por tudo, mas principalmente obrigado por honrar o palco sempre.&#8221;<\/p>\n<p class=\"text\">Al\u00e9m de Miguel, outros\u00a0amigos e personalidades j\u00e1 se manifestaram sobre a morte da atriz.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/p2.trrsf.com\/image\/fget\/cf\/460\/0\/images.terra.com\/2019\/02\/13\/bibiferreira25193701.jpg\" \/><\/p>\n<h2 class=\"text\"><strong>Bibi Ferreira estreou no teatro com 24 dias de vida<\/strong><\/h2>\n<p class=\"text\">Pelos dados oficiais, Bibi Ferreira tinha 77 anos de carreira. Mas a atriz e diretora, que morreu aos 96 anos de idade, estava no teatro havia muito mais tempo. Sua estreia ocorreu ainda aos 24 dias de vida \u2013 quando foi levada \u00e0 cena para substituir uma boneca que havia sumido \u2013 e ela, desde ent\u00e3o, esteve sob os holofotes. Dizia adorar as luzes. E, fosse cantando, fosse representando, havia sempre um pr\u00f3ximo espet\u00e1culo nos planos de Bibi.<\/p>\n<p class=\"text\">A carreira praticamente centen\u00e1ria, n\u00e3o lhe tirou, contudo, o nervosismo de iniciante. \u201cSabe que eu ainda sinto uma ang\u00fastia naqueles instantes antes de entrar em cena? Aquele lugar, depois que voc\u00ea sai do camarim, e ainda n\u00e3o est\u00e1 no palco. Aquele cantinho&#8230; \u00c9 ali que eu sinto um terror\u201d, ela relatou em entrevista ao Estado, quando completou 90 anos.<\/p>\n<p class=\"text\">Falar com Bibi era estar diante do teatro brasileiro e de suas pequenas grandes revolu\u00e7\u00f5es. Filha de\u00a0Proc\u00f3pio Ferreira\u00a0(1898-1979), ela carregava do pai o amor pela cena e o pendor para o sucesso \u2013 a fam\u00edlia vivia da bilheteria de seus espet\u00e1culos e n\u00e3o podia se dar ao luxo de um fracasso. Mas, curiosamente, foi Bibi uma das primeiras a suplantar o modelo de atua\u00e7\u00e3o que Proc\u00f3pio representava. Considerado o maior artista de seu tempo, ele reinava soberano quando as cortinas se abriam. Em cena, fazia o que bem queria, ajustava os textos ao seu talento, relegava todos os outros ao lugar de coadjuvantes. Tratava-se de um tempo em que o diretor n\u00e3o passava de mero ensaiador e todo o p\u00fablico estava interessado, unicamente, em ver o primeiro ator brilhar.<\/p>\n<p class=\"text\">Bibi era filha da tradi\u00e7\u00e3o (do teatro de com\u00e9dia e do teatro de revista, onde trabalhara sua m\u00e3e), por\u00e9m representante da modernidade. Nos anos 1940, tudo come\u00e7ava a mudar. O\u00a0Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia\u00a0chegava com novas ideias: o ator precisava decorar os seus di\u00e1logos, haveria um encenador que decidiria a concep\u00e7\u00e3o das montagens, sofisticava-se o repert\u00f3rio. A jovem Bibi se alinhava a essa corrente. \u00c0 sua presen\u00e7a arrebatadora, acrescia uma t\u00e9cnica rara para os padr\u00f5es da \u00e9poca. Ainda menina, integrou o Corpo de Baile do\u00a0Teatro Municipal do Rio de Janeiro\u00a0e, em 1946, foi estudar na\u00a0Royal Academy of Dramatic Arts de Londres. Ao voltar, surpreendeu a cr\u00edtica com sua primeira dire\u00e7\u00e3o em\u00a0Div\u00f3rcio\u00a0(1947) e fez ainda mais sucesso com a encena\u00e7\u00e3o de\u00a0A Herdeira, de Henry James (1952).<\/p>\n<p class=\"text\">Na sala do apartamento onde morava, no Rio, a atriz guardava um retrato emoldurado do pai. Mas n\u00e3o creditava apenas a ele as li\u00e7\u00f5es aprendidas. Era descendente de cantores l\u00edricos: \u201cMeus bisav\u00f3s se conheceram no coro do Teatro Solis, de Montevid\u00e9u\u201d, contava. \u201cE minha av\u00f3, filha deles, j\u00e1 acordava cantando \u00e1rias de \u00f3pera. Cantava o dia inteiro\u201d. Bibi tamb\u00e9m cantava o tempo todo. E cantava sem perceber. Parecia que cada lembran\u00e7a de sua vida era acompanhada por uma can\u00e7\u00e3o, que ela desfiava a melodia como se fosse parte da hist\u00f3ria a ser contada.<\/p>\n<p class=\"text\">Foi no teatro musicado, ali\u00e1s, que Bibi deixou sua maior contribui\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 lembrada por suas grandes atua\u00e7\u00f5es no g\u00eanero, como em\u00a0My Fair Lady, (1964) e em\u00a0O Homem de La Mancha\u00a0(1972) \u2013 ambos com Paulo Autran. Outra parceria prof\u00edcua na carreira ela estabeleceu com seu quarto e \u00faltimo marido, Paulo Pontes. Dele, dirigiu o musicalBrasileiro: Profiss\u00e3o Esperan\u00e7a, obra de imenso sucesso, e protagonizou\u00a0Gota D\u2019\u00e1gua\u00a0(1975). A pe\u00e7a escrita por Pontes e Chico Buarque deu \u00e0 atriz a oportunidade de viver uma personagem de colora\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica. Talvez Joana tenha sido sua mais memor\u00e1vel interpreta\u00e7\u00e3o \u2013 ningu\u00e9m nunca superou sua vers\u00e3o para aquelas can\u00e7\u00f5es e ela ainda sabia, 40 anos depois, seus di\u00e1logos de cor.<\/p>\n<p class=\"text\">Bibi dizia que o segredo da sa\u00fade era a vida regrada. N\u00e3o fumava, n\u00e3o bebia. \u201cN\u00e3o que eu seja contra\u201d, ela justificava. Mas seus v\u00edcios eram outros: Um par de sapatos sempre muito altos \u2013 para compensar a baixa estatura \u2013, batom sempre vermelho, um copo de Coca-Cola, que ela ia tomando devagarinho enquanto conversava, e o trabalho. A grande atriz n\u00e3o pensava em parar. Ela ainda precisava voltar a viver Piaf, tornar a cantar Frank Sinatra, viajar pelo mundo. Estar sempre e mais uma vez no palco.<\/p>\n<h2 class=\"text\"><strong>Hist\u00f3rias e can\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h2>\n<p class=\"text\">Em 2012, quando tinha 90 anos, a atriz recebeu o\u00a0Estado\u00a0em sua casa para falar sobre\u00a0Bibi, Hist\u00f3rias e Can\u00e7\u00f5es, show que festejou os maiores sucessos da artista, com um repert\u00f3rio que inclu\u00eda de Noel Rosa a Edith Piaf\u00a0.<\/p>\n<div class=\"articleCredit\">\n<div class=\"lineSpacer\"><\/div>\n<div class=\"creditElements\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morreu nesta quarta-feira, 13, a atriz e cantora\u00a0Bibi Ferreira, aos 96 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A artista havia anunciado a aposentadoria dos palcos no ano passado, quando encerrou a turn\u00ea\u00a0Por Toda a Minha Vida. 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