{"id":4459,"date":"2017-12-24T17:46:31","date_gmt":"2017-12-24T17:46:31","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=4459"},"modified":"2017-12-24T17:46:31","modified_gmt":"2017-12-24T17:46:31","slug":"brasil-pode-levar-76-anos-para-adequar-nivel-de-leitura-de-todos-os-alunos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/brasil-pode-levar-76-anos-para-adequar-nivel-de-leitura-de-todos-os-alunos\/","title":{"rendered":"Brasil pode levar 76 anos para adequar n\u00edvel de leitura de todos os alunos"},"content":{"rendered":"<p>Se o pa\u00eds continuar no atual ritmo de melhorias no n\u00edvel de aprendizado dos alunos, ser\u00e3o necess\u00e1rios 76 anos para que todos os estudantes sejam considerados proficientes em leitura ao final do 3\u00ba ano do Ensino Fundamental. O c\u00e1lculo \u00e9 do movimento Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, feito com base nos resultados da Avalia\u00e7\u00e3o Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o (ANA) de 2016, divulgados na \u00faltima semana pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC).<\/p>\n<p>Os dados da ANA mostram que o \u00edndice de alunos com n\u00edvel insuficiente de leitura em 2016 correspondia a 54,73%. Em 2014, o n\u00famero estava em 56,17%, o que pode ser considerado uma estagna\u00e7\u00e3o na melhoria das taxas. Pela classifica\u00e7\u00e3o, alunos nos n\u00edveis insuficientes n\u00e3o conseguem realizar tarefas como identificar informa\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas localizadas no meio ou no fim de um texto, escrever corretamente palavras com diferentes estruturas sil\u00e1bicas ou fazer contas de subtra\u00e7\u00e3o com n\u00fameros maiores ou iguais a 100.<\/p>\n<p>\u201cIsso significa que as crian\u00e7as v\u00e3o para o 4\u00ba ano do Ensino Fundamental sem conseguirem, por exemplo, identificar rela\u00e7\u00e3o simples de causa e consequ\u00eancia em textos pequenos, o que \u00e9 uma habilidade absolutamente fundamental para a sequencia escolar e para a constru\u00e7\u00e3o de uma cidadania plena\u201d, diz o coordenador de projetos do Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, Caio Callegari.<\/p>\n<p>Progressos<\/p>\n<p>Apesar do quadro de estagna\u00e7\u00e3o, o especialista acredita que ocorreram processos importantes nos \u00faltimos anos, como a aprova\u00e7\u00e3o do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, em 2014, que estabelece para 2024 a meta de todas as crian\u00e7as estarem alfabetizadas. Ele tamb\u00e9m cita a Base Nacional Comum Curricular, em an\u00e1lise no Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, e a constru\u00e7\u00e3o do Pacto Nacional pela Alfabetiza\u00e7\u00e3o na Idade Certa (Pnaic). \u201cA pol\u00edtica foi bem desenhada, teve uma constru\u00e7\u00e3o conjunta da sociedade civil. Foi um bom desenho, mas pecou na implementa\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para Callegari, as novas a\u00e7\u00f5es anunciadas pelo MEC podem representar uma melhora no cen\u00e1rio da alfabetiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, mas ainda \u00e9 uma pol\u00edtica t\u00edmida para o tamanho do desafio, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s desigualdades regionais. \u201cTanto o contingente de crian\u00e7as que n\u00e3o est\u00e3o sendo alfabetizadas, quanto o ritmo muito lento de supera\u00e7\u00e3o, quanto esse quadro inaceit\u00e1vel de desigualdade s\u00e3o fundamentais para a gente conseguir refletir quais s\u00e3o as necessidades em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Desigualdades<\/p>\n<p>Os dados da ANA mostram que as regi\u00f5es Norte e Nordeste foram as que obtiveram os piores resultados de leitura, com 70,21% e 69,15% dos estudantes apresentando n\u00edvel de insufici\u00eancia, respectivamente. Esses percentuais caem para 51,22% no Centro-Oeste, 44,92% no Sul e 43,69% no Sudeste. Em estados como Maranh\u00e3o, Sergipe e Amap\u00e1, o \u00edndice de crian\u00e7as com n\u00edvel considerado suficiente em leitura est\u00e1 em torno de 20%.<\/p>\n<p>O especialista Ernesto Martins Faria, diretor do Portal Iede (Interdisciplinaridade e Evid\u00eancias no Debate Educacional), ressalta que os dados divulgados pelo MEC confirmam a dificuldade que o pa\u00eds tem para enfrentar as desigualdades. \u201c\u00c9 preciso ter altas expectativas e buscar dar mais recursos e suporte para as escolas que mais precisam. E \u00e9 necess\u00e1rio, sim, ter altas expectativas j\u00e1 no 1\u00ba ano do Ensino Fundamental, no 2\u00ba, no 3\u00ba ano\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Para Faria, ainda n\u00e3o d\u00e1 para avaliar quais ser\u00e3o os resultados das medidas anunciadas pelo governo, pois o sucesso de uma pol\u00edtica depende da qualidade da implementa\u00e7\u00e3o. \u201cA quest\u00e3o \u00e9 complexa e passa por v\u00e1rios aspectos: promo\u00e7\u00e3o de altas expectativas nas escolas, alinhamento da Base Nacional Comum com o programa de forma\u00e7\u00e3o e com o plano pedag\u00f3gico da escola, a legitimidade que o programa ter\u00e1 com os docentes, entre outros aspectos\u201d, explica.<\/p>\n<p>Pol\u00edtica<\/p>\n<p>A Pol\u00edtica Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o, anunciada pelo MEC, traz um conjunto de iniciativas que envolvem a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a forma\u00e7\u00e3o de professores, o protagonismo das redes e o Programa Nacional do Livro Did\u00e1tico (PNLD). Tamb\u00e9m ser\u00e1 criado o Programa Mais Alfabetiza\u00e7\u00e3o, que deve atender, a partir de 2018, 4,6 milh\u00f5es de alunos com a presen\u00e7a de assistentes de alfabetiza\u00e7\u00e3o, que trabalhar\u00e3o em conjunto com os professores em sala de aula.<\/p>\n<p>A principal iniciativa da Pol\u00edtica Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um programa de apoio aos estados e aos munic\u00edpios, \u00e0s turmas do primeiro e do segundo ano, com materiais did\u00e1ticos de apoio, de acordo com a escolha dos estados e munic\u00edpios, com apoio para o professor-assistente e forma\u00e7\u00e3o continuada. O investimento corresponder\u00e1 a R$ 523 milh\u00f5es em 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se o pa\u00eds continuar no atual ritmo de melhorias no n\u00edvel de aprendizado dos alunos, ser\u00e3o necess\u00e1rios 76 anos para que todos os estudantes sejam considerados proficientes em leitura ao final do 3\u00ba ano do Ensino Fundamental. 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