{"id":4301,"date":"2017-12-24T16:51:27","date_gmt":"2017-12-24T16:51:27","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=4301"},"modified":"2017-12-24T16:51:27","modified_gmt":"2017-12-24T16:51:27","slug":"assad-ganhou-guerra-na-siria-mas-precisa-vencer-disputa-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/assad-ganhou-guerra-na-siria-mas-precisa-vencer-disputa-politica\/","title":{"rendered":"Assad ganhou guerra na S\u00edria mas precisa vencer disputa pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>Em seis anos de guerra, o regime de Bashar Al-Assad conseguiu reconquistar mais da metade da S\u00edria, mas continua isolado da comunidade internacional, dependendo de seus aliados, R\u00fassia e Ir\u00e3.<\/p>\n<p>O regime recuperou militarmente grandes setores do territ\u00f3rio s\u00edrio, mas seria exagerado falar em vit\u00f3ria pol\u00edtica e diplom\u00e1tica, disse \u00e0 AFP Karim Bitar, do franc\u00eas Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Estrat\u00e9gicas (Iris).<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da campanha militar russa em 2015 &#8211; para ajudar um regime s\u00edrio com s\u00e9rias dificuldades com rebeldes e extremistas -, as tropas do presidente Assad se recuperaram. Elas j\u00e1 controlam 52% do territ\u00f3rio, onde vivem mais de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o, de acordo com o ge\u00f3grafo franc\u00eas especialista em S\u00edria Fabrice Balanche.<\/p>\n<p>O restante do pa\u00eds est\u00e1 dividido entre as fac\u00e7\u00f5es rebeldes enfraquecidas, o grupo Estado Isl\u00e2mico (EI) e, sobretudo, as for\u00e7as curdas no norte e nordeste (25% do territ\u00f3rio).<\/p>\n<p>Para os analistas, est\u00e1 claro que o governo de Damasco est\u00e1 ganhando a batalha.<\/p>\n<p>&#8211; Assad, tema central &#8211;<\/p>\n<p>O regime indiscutivelmente ganhou a guerra do ponto de vista estrat\u00e9gico, j\u00e1 que ningu\u00e9m exige sua sa\u00edda como condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, disse \u00e0 AFP o analista Hassan Hassan, do Tahrir Institute for Middle East Policy, baseado nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>No entanto, a insurrei\u00e7\u00e3o pode continuar por v\u00e1rios anos com jihadistas, ou n\u00e3o jihadistas, completou.<\/p>\n<p>Todos os esfor\u00e7os t\u00eam sido at\u00e9 agora insuficientes para acabar com o conflito, que come\u00e7ou em 2011 com manifesta\u00e7\u00f5es pac\u00edficas contra o regime de Assad e que, desde ent\u00e3o, deixou mais de 330.000 mortos.<\/p>\n<p>V\u00e1rias rodadas de negocia\u00e7\u00f5es inters\u00edrias supervisionadas pela ONU fracassaram. Uma nova rodada est\u00e1 prevista para 28 de novembro em Genebra.<\/p>\n<p>Essas negocia\u00e7\u00f5es ficam ofuscadas por aquelas que acontecem em Astana, organizadas pelos aliados do regime &#8211; R\u00fassia e Ir\u00e3 -, junto com a Turquia, que apoia a rebeli\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de alguns avan\u00e7os, essas negocia\u00e7\u00f5es sempre esbarraram em um principal ponto de desacordo: o futuro de Assad. A oposi\u00e7\u00e3o exige que ele deixe o poder. O governo e seus aliados recusam a exig\u00eancia.<\/p>\n<p>O presidente s\u00edrio continua isolado, j\u00e1 que nenhuma grande capital ocidental restabeleceu suas rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. Recentemente, o secret\u00e1rio de Estado norte-americano Rex Tillerson afirmou que o reino da fam\u00edlia Assad chegava a seu fim, ap\u00f3s um relat\u00f3rio da ONU que o acusa de um ataque com g\u00e1s sarin que deixou 87 mortos.<\/p>\n<p>No entanto, as Chancelarias j\u00e1 n\u00e3o pedem mais t\u00e3o claramente a sa\u00edda de Assad, como foi o caso nos primeiros anos da guerra.<\/p>\n<p>O ambiente na Europa mudou consideravelmente, opina Karim Bitar.<\/p>\n<p>Muitos atores importantes &#8211; servi\u00e7os de Intelig\u00eancia, agentes de contraterrorismo, partidos de extrema-direita, grupos econ\u00f4micos &#8211; j\u00e1 demostraram certa abertura em rela\u00e7\u00e3o ao governo e exercem press\u00f5es para normalizar as rela\u00e7\u00f5es, com Damasco, acrescenta.<\/p>\n<p>Para Joshua Landis, especialista em S\u00edria e professor na Universidade de Oklahoma, com o tempo, os vizinhos da S\u00edria normalizar\u00e3o suas rela\u00e7\u00f5es, referindo-se a pa\u00edses como Jord\u00e2nia e Turquia.<\/p>\n<p>Esses pa\u00edses precisam que os refugiados (s\u00edrios) voltem ao pa\u00eds e que as rela\u00e7\u00f5es comerciais sejam retomadas, explica.<\/p>\n<p>&#8211; O caso dos curdos &#8211;<\/p>\n<p>Esta nova situa\u00e7\u00e3o do governo tem o inconveniente de sua extrema depend\u00eancia de seus aliados, Moscou e Teer\u00e3.<\/p>\n<p>Esses aliados iraniano e russo n\u00e3o deixar\u00e3o que Damasco tome grandes decis\u00f5es sem eles, prev\u00ea Bitar.<\/p>\n<p>Internamente, ser\u00e1 discutida &#8211; al\u00e9m da \u00e1rdua reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds &#8211; a quest\u00e3o dos curdos.<\/p>\n<p>Reprimida por Damasco, esta minoria conseguiu durante o conflito estabelecer uma semiautonomia, \u00e0 qual n\u00e3o est\u00e1 disposta a renunciar agora. As for\u00e7as curdas tamb\u00e9m est\u00e3o na linha de frente da luta contra os extremistas, mas dificilmente Damasco estaria disposto a aceitar uma autonomia curda.<\/p>\n<p>A descentraliza\u00e7\u00e3o seria imposs\u00edvel de aplicar, j\u00e1 que precisaria de longas negocia\u00e7\u00f5es sobre temas t\u00e9cnicos e econ\u00f4micos como os recursos petroleiros, completou Karim Bitar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seis anos de guerra, o regime de Bashar Al-Assad conseguiu reconquistar mais da metade da S\u00edria, mas continua isolado da comunidade internacional, dependendo de seus aliados, R\u00fassia e Ir\u00e3. 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