{"id":41718,"date":"2018-11-08T21:08:47","date_gmt":"2018-11-08T21:08:47","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=41718"},"modified":"2018-11-08T21:08:47","modified_gmt":"2018-11-08T21:08:47","slug":"atender-populacao-de-rua-no-pais-e-desafio-diz-oea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/atender-populacao-de-rua-no-pais-e-desafio-diz-oea\/","title":{"rendered":"Atender popula\u00e7\u00e3o de rua no pa\u00eds \u00e9 desafio, diz OEA"},"content":{"rendered":"<p>O grande n\u00famero de pessoas que vivem na rua no Brasil \u00e9 um desafio para as pol\u00edticas destinadas a essa popula\u00e7\u00e3o, disse hoje (8) a vice-presidente da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA), Esmeralda Arosemena.<\/p>\n<p>Nesta quinta-feora, Esmeralda participou de um encontro com representantes de diversos movimentos que re\u00fanem ou oferecem assist\u00eancia a moradores de rua.<\/p>\n<p>\u201c[O Brasil] tem vulnerabilidades espec\u00edficas pela grande quantidade de pessoas. As cidades muito grandes tamb\u00e9m t\u00eam grandes problemas. As respostas para um grupo de 50 pessoas n\u00e3o s\u00e3o compar\u00e1veis \u00e0s destinadas a grupos de 100 mil ou 10 mil pessoas. Esta \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o muito particular da popula\u00e7\u00e3o de rua no Brasil\u201d, disse Esmeralda ap\u00f3s o encontro.<\/p>\n<h2>Falta de dados<\/h2>\n<p>No \u00faltimo censo sobre popula\u00e7\u00e3o de rua na capital paulista, realizado em 2015, foram contabilizadas quase 16 mil pessoas.<\/p>\n<p>Para o coordenador da Pastoral do Povo de Rua, padre Julio Lancellotti, esses n\u00fameros est\u00e3o &#8220;claramente&#8221; defasados. \u201c\u00c9 evidente de que temos hoje mais de 20 mil\u201d, disse Lancellotti ao mencionar, por exemplo, que somente a organiza\u00e7\u00e3o que cuida do programa Consult\u00f3rio da Rua tem mais de 9 mil pessoas no seu cadastro. \u201cAumentou o n\u00famero de mulheres, de mulheres com crian\u00e7as e tamb\u00e9m o n\u00famero de despejos\u201d, afirmou durante a reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>Lancellotti criticou a decis\u00e3o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), anunciada em setembro, de n\u00e3o contabilizar no Censo de 2020 as pessoas que vivem nas ruas. \u201cH\u00e1 metodologia pr\u00f3pria para isso. N\u00e3o faz porque n\u00e3o quer, porque n\u00e3o tem interesse pol\u00edtico de perceber que essa popula\u00e7\u00e3o aumenta como resposta e como consequ\u00eancia da pol\u00edtica econ\u00f4mica e social que o Brasil tem implementado\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo o padre, sem essa contabilidade, h\u00e1 o risco de que as pol\u00edticas oferecidas a essa popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sejam eficazes.<\/p>\n<p>Quando anunciou a decis\u00e3o, o IBGE justificou que a coleta de dados sobre quem n\u00e3o tem domic\u00edlio fixo \u00e9 especialmente dif\u00edcil devido \u00e0s dimens\u00f5es do pa\u00eds. \u201cNossas pesquisas consideram apenas domic\u00edlios permanentes, e identificar pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua exige um grande esfor\u00e7o de mobiliza\u00e7\u00e3o, em particular em pa\u00edses com grandes territ\u00f3rios, como o Brasil\u201d, alegou o instituto.<\/p>\n<h2>Solu\u00e7\u00f5es permanentes<\/h2>\n<p>Esmeralda Arosemena defendeu o foco em pol\u00edticas p\u00fablicas que ofere\u00e7am solu\u00e7\u00f5es permanentes e n\u00e3o apenas amenizem problemas emergenciais. \u201c\u201dNecessitamos de respostas com dignidade. N\u00e3o \u00e9 a sacola de comida para um dia, ou um espa\u00e7o para passar uma noite \u2013 essas s\u00e3o respostas moment\u00e2neas. As respostas t\u00eam que ser permanentes.\u201d<\/p>\n<p>Por isso, ela considera fundamental pensar em formas de garantir moradia para as pessoas que atualmente dormem nas cal\u00e7adas das grandes cidades. \u201cN\u00e3o \u00e9 verdade que as pessoas querem viver nas ruas. As pessoas necessitam de moradia. Porque, quando voc\u00ea tem moradia, consolida os outros direitos. Ent\u00e3o, o chamado, a reposta que esse grupo necessita deve ser com uma vis\u00e3o integral da sua condi\u00e7\u00e3o como pessoa\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A for\u00e7a do Movimento Nacional da Popula\u00e7\u00e3o e Situa\u00e7\u00e3o de Rua foi, por outro lado, algo que impressionou positivamente a vice-presidente da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos. O encontro foi realizado em um espa\u00e7o cedido pela prefeitura para atividades da organiza\u00e7\u00e3o no bairro da Bela Vista. \u201cPara mim, o mais importante o mais importante deste encontro hoje \u00e9 saber que tem uma for\u00e7a neste movimento de solidariedade com as pessoas\u201d, disse ela.<\/p>\n<p>A visita de Esmeralda Arosemena faz parte da agenda da CIDH no Brasil, iniciada na \u00faltima segunda-feira (5), com previs\u00e3o de uma s\u00e9rie de encontros em diversas partes do pa\u00eds. Um relat\u00f3rio preliminar sobre a miss\u00e3o no Brasil deve ser divulgado em 12 de novembro.<\/p>\n<div class=\"edicao\">Edi\u00e7\u00e3o:\u00a0<span class=\"txtDireitos_humanos\">N\u00e1dia Franco<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grande n\u00famero de pessoas que vivem na rua no Brasil \u00e9 um desafio para as pol\u00edticas destinadas a essa popula\u00e7\u00e3o, disse hoje (8) a vice-presidente da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA), Esmeralda Arosemena. 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