{"id":41171,"date":"2018-10-19T01:05:24","date_gmt":"2018-10-19T01:05:24","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=41171"},"modified":"2018-10-19T01:07:48","modified_gmt":"2018-10-19T01:07:48","slug":"whatsapp-esvazia-debate-na-campanha-eleitoral-deste-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/whatsapp-esvazia-debate-na-campanha-eleitoral-deste-ano\/","title":{"rendered":"WhatsApp esvazia debate na campanha eleitoral deste ano"},"content":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018 inauguraram uma nova maneira de se fazer campanha no Brasil, conforme os especialistas ouvidos pela\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. O hor\u00e1rio eleitoral gratuito no r\u00e1dio e na televis\u00e3o perdeu a aten\u00e7\u00e3o quase exclusiva dos eleitores, que tamb\u00e9m n\u00e3o seguem mais seus candidatos em carreatas ou passeios p\u00fablicos &#8211; mas em espa\u00e7os virtuais fidelizados como os perfis dos pol\u00edticos nas redes sociais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 quase uma n\u00e3o campanha\u201d, considera o cientista pol\u00edtico Malco Camargos, professor da PUC Minas. \u201cO elemento novo s\u00e3o as redes sociais\u201d, assinala a diretora-executiva do Ibope, Marcia Cavallari. \u201c\u00c9 um fen\u00f4meno novo, ainda em teste\u201d, opina Beatriz Martins, autora do livro\u00a0<em>Autoria em Rede: os novos processos autorais atrav\u00e9s das redes eletr\u00f4nicas<\/em>.<\/p>\n<p>Com essas mudan\u00e7as, o debate p\u00fablico ficou esvaziado. Em vez da discuss\u00e3o de propostas sobre gera\u00e7\u00e3o de emprego, atendimento \u00e0 sa\u00fade, qualidade do ensino, transporte ou seguran\u00e7a p\u00fablica, eleitores usam seu tempo compartilhando memes com supostos atributos do seu candidato ou com defeitos do oponente.<\/p>\n<p>\u201cAs mensagens correm em grupos fechados, dentro das bolhas. Esse ambiente n\u00e3o se caracteriza como espa\u00e7o p\u00fablico. N\u00e3o h\u00e1 oportunidade de contradit\u00f3rio\u201d, descreve Beatriz Martins. Nem sempre os conte\u00fados repassados s\u00e3o comprovados.<\/p>\n<p>Familiares, amigos e colegas de trabalho se tornaram cabos eleitorais engajados, compartilhando in\u00fameras mensagens por dia, por vezes falsas,\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/politica\/noticia\/2018-10\/pesquisa-constata-so-8-de-imagens-verdadeiras-em-grupos-de-whatsapp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como atesta avalia\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0de 347 grupos de WhatsApp feita pelos professores Pablo Ortellado (USP), Fabr\u00edcio Benvenuto (UFMG) e a Ag\u00eancia Lupa de checagem de fatos. O estudo mostra que entre as imagens mais compartilhadas apenas 8% podem ser classificadas como verdadeiras.<\/p>\n<h2>Viol\u00eancia simb\u00f3lica<\/h2>\n<p>Para F\u00e1bio Gouveia, coordenador do Laborat\u00f3rio de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da UFES, \u201cconsolidou-se uma tend\u00eancia que j\u00e1 estava em curso antes da elei\u00e7\u00e3o: viol\u00eancia simb\u00f3lica, desconstru\u00e7\u00e3o de imagem e desinforma\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O especialista avalia que a maneira como s\u00e3o usadas as novas m\u00eddias afeta a credibilidade dos meios tradicionais. \u201cH\u00e1 uma cruzada que p\u00f5e em xeque a legitimidade da imprensa\u201d. Segundo ele, \u00e9 preocupante o comportamento social disseminado entre eleitores de dizer que \u201ca m\u00eddia mente\u201d quando confrontados com not\u00edcia apurada contra o seu candidato.<\/p>\n<p>Gouveia alerta que a desqualifica\u00e7\u00e3o constante do trabalho da imprensa e a dificuldade de perceber quando a not\u00edcia \u00e9 falsa ou verdadeira s\u00e3o prejudiciais \u00e0 democracia. \u201cIndependentemente de quem ven\u00e7a em\u00a028 de outubro, esse estrago est\u00e1 feito\u201d, registra.<\/p>\n<h2>Esvaziamento dos jornais e import\u00e2ncia da TV<\/h2>\n<p>\u201c\u00c9 preciso ensinar as pessoas a lidarem com tanta informa\u00e7\u00e3o. Saber o que \u00e9 confi\u00e1vel e o que n\u00e3o \u00e9\u201d, pondera Beatriz Martins. Ela, que \u00e9 jornalista, aponta o \u201cesvaziamento dos jornais\u201d que \u201cperderam peso\u201d com a demiss\u00e3o de jornalistas e diminui\u00e7\u00e3o de reda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para o fil\u00f3sofo N\u00e9lio Silva, mestrando na UFScar, o baixo \u00edndice de leitura dos brasileiros \u00e9 um problema que agrava a circula\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas. Por causa disso, segundo ele, a televis\u00e3o ainda \u00e9 importante e debates entre os candidatos \u00e0 Presid\u00eancia poderiam fazer os eleitores conhecerem melhor as propostas de Jair Bolsonaro (PSL) e de Fernando Haddad (PT).<\/p>\n<p>Para Marcia Cavallari, do Ibope, a televis\u00e3o teve papel fundamental na campanha. Ela lembra que muitas imagens compartilhadas por WhatsApp, Facebook, Twitter ou Instagram foram replicadas de entrevistas e debates ocorridos nas emissoras de TV. \u201cUma coisa alimenta a outra\u201d, avalia. O cientista pol\u00edtico Malco Camargos concorda e lembra que a TV foi central na cobertura do atentado a faca sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora, no m\u00eas\u00a0de agosto.<\/p>\n<p>Por\u00a0<span class=\"txtPolitica\">Gilberto Costa &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil\u00a0<span class=\"newsLocation\">\u00a0Bras\u00edlia<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018 inauguraram uma nova maneira de se fazer campanha no Brasil, conforme os especialistas ouvidos pela\u00a0Ag\u00eancia Brasil. 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