{"id":39650,"date":"2018-08-13T18:46:58","date_gmt":"2018-08-13T18:46:58","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=39650"},"modified":"2018-08-13T18:47:38","modified_gmt":"2018-08-13T18:47:38","slug":"onu-corta-alimento-para-refugiados-em-paises-da-africa-por-falta-de-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/onu-corta-alimento-para-refugiados-em-paises-da-africa-por-falta-de-dinheiro\/","title":{"rendered":"ONU corta alimento para refugiados em pa\u00edses da \u00c1frica por falta de dinheiro"},"content":{"rendered":"<p>Por falta de verbas internacionais para lidar com crises humanit\u00e1rias levou a ONU a cortar o volume de alimentos que destina a cada um dos refugiados que atende na Eti\u00f3pia e em outros pa\u00edses da \u00c1frica. O objetivo do racionamento \u00e9 garantir que a mesma quantidade de pessoas continue recebendo alimentos, apesar das dificuldades financeiras.<\/p>\n<p>Para o per\u00edodo 2018-2019, o or\u00e7amento da ONU est\u00e1 estimado em US$ 5,4 bilh\u00f5es. Segundo o secret\u00e1rio-geral da entidade, Ant\u00f3nio Guterres, o dinheiro acabou no fim de junho, o que nunca havia ocorrido. Naquele m\u00eas, as contas j\u00e1 apresentavam d\u00e9ficit de US$ 139 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Na Eti\u00f3pia, vivem cerca de 1 milh\u00e3o de refugiados, principalmente do Sud\u00e3o do Sul. \u201cA falta de dinheiro est\u00e1 comprometendo de forma severa a qualidade da prote\u00e7\u00e3o prestada aos refugiados\u201d, disse Messeret Debebe, representante da Administra\u00e7\u00e3o Et\u00edope para Refugiados.<\/p>\n<p>Segundo c\u00e1lculo da ONU, num acampamento de refugiados, a ajuda alimentar precisa conter 2,1 mil calorias para cada pessoa. Para um adulto, tal quantidade serve apenas para evitar que perca peso. Portanto, um corte de 10% ou 20% nas cotas de alimentos pode ter um impacto real.<\/p>\n<p>Em Ruanda, a entidade cortou em 25% o volume de alimento em cada por\u00e7\u00e3o destinada aos refugiados do Congo. Em fevereiro, diante da medida, protestos ocorreram e a pol\u00edcia interveio e 11 refugiados morreram.<\/p>\n<p>J\u00e1 em dezembro, a ajuda alimentar na Som\u00e1lia foi suspensa para 500 mil pessoas. Mesmo na S\u00edria, o n\u00famero de beneficiados pelo Programa da ONU para Alimenta\u00e7\u00e3o caiu de 4 milh\u00f5es em 2017 para 2,8 milh\u00f5es em 2018.<\/p>\n<p>No Sud\u00e3o do Sul, as refei\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram cortadas em meados do ano. A conta da ONU \u00e9 que faltam quase US$ 800 milh\u00f5es para conseguir atender aos 2,8 milh\u00f5es de refugiados e deslocados internos que fugiram de suas casas desde 2013. No in\u00edcio do ano, previa-se que a regi\u00e3o precisaria de US$ 834 milh\u00f5es. Mas recebeu US$ 64 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Contribui\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Algumas das piores crises est\u00e3o sem respostas diante da falta de contribui\u00e7\u00f5es internacionais. Dados da ag\u00eancia da ONU para agricultura e alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) revelam que, em pelo menos sete pa\u00edses onde a fome \u00e9 grave, os programas contam com menos de 10% do or\u00e7amento necess\u00e1rio para que a entidade possa distribuir alimentos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2018, a FAO havia previsto gastar US$ 1 bilh\u00e3o para atender \u00e0s necessidades emergenciais de 33 milh\u00f5es de famintos pelo mundo. Sete meses depois, recebeu menos de 30% do valor e seus programas est\u00e3o amea\u00e7ados.<\/p>\n<p>Na L\u00edbia, a FAO solicitou US$ 4,1 milh\u00f5es. Mas n\u00e3o recebeu nem um centavo. Na Coreia do Norte, dos US$ 9 milh\u00f5es or\u00e7ados, entraram apenas 5,5%. Sobre a guerra na S\u00edria, a FAO solicitou US$ 120 milh\u00f5es para garantir alimentos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s sete meses, recebeu 6,2% do valor necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Pa\u00edses que dez anos atr\u00e1s estavam na lista de prioridades de governos pela visibilidade que a crise dava deixaram de interessar. Um dos casos \u00e9 o do Haiti. Entre os funcion\u00e1rios internacionais, o Haiti \u00e9 o exemplo de um pa\u00eds que sofre de \u201cfatiga de doadores\u201d, cansados de enviar dinheiro sem um retorno claro e uma solu\u00e7\u00e3o em vista.<\/p>\n<p><strong>Demiss\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Criada h\u00e1 70 anos, a ag\u00eancia da ONU para refugiados, a UNRWA, foi obrigada a demitir funcion\u00e1rios e reduzir o tempo de trabalho de centenas de outros diante da falta de recursos. Em janeiro, a Casa Branca anunciou que reduzir\u00e1 sua contribui\u00e7\u00e3o anual de US$ 360 milh\u00f5es para US$ 60 milh\u00f5es. O problema \u00e9 que US$ 1 a cada US$ 3 usados pela entidade para pagar seus programas \u2013 incluindo a escolariza\u00e7\u00e3o de 500 mil crian\u00e7as \u2013 vinha dos recursos americanos.<\/p>\n<p>Sem op\u00e7\u00e3o, a ag\u00eancia anunciou a demiss\u00e3o de 267 pessoas em Gaza e na Cisjord\u00e2nia a partir deste m\u00eas. Outros 500 funcion\u00e1rios passar\u00e3o a ganhar por horas, com o per\u00edodo de trabalho reduzido. A ag\u00eancia foi criada em 1948 para ajudar os palestinos que tiveram de deixar suas casas com a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. Hoje, presta servi\u00e7os a 3 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>A UNRWA, que por certo tempo recebeu apoio do Brasil, decidiu se lan\u00e7ar em uma opera\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica para conseguir recursos e compensar os cortes americanos. \u201cEstamos determinados a manter os servi\u00e7os para os milh\u00f5es de palestinos que dependem de n\u00f3s na Jord\u00e2nia, no L\u00edbano, em territ\u00f3rios palestinos e na S\u00edria\u201d, disse Chris Gunners, representante do programa. Uma das sa\u00eddas tem sido encontrada com o Banco Mundial, que autorizou o envio de US$ 90 milh\u00f5es para financiar as atividades da entidade, at\u00e9 o final do ano.<\/p>\n<p><strong>PARA ENTENDER<\/strong><\/p>\n<p>Dinheiro nunca acabou t\u00e3o cedo<\/p>\n<p>De uma forma sem precedentes, a ONU vive uma pen\u00faria de recursos que come\u00e7a a afetar sua capacidade de responder a algumas das maiores crises internacionais, deixando refugiados ou famintos sem atendimento em diferentes partes do mundo.<\/p>\n<p>A crise financeira na ONU n\u00e3o \u00e9 nova, mas desta vez a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave. Numa carta enviada a todos os governos do mundo, o secret\u00e1rio-geral da entidade, Antonio Guterres, deixou claro que nunca sua organiza\u00e7\u00e3o entrou no vermelho no or\u00e7amento t\u00e3o cedo no ano fiscal.<\/p>\n<p>A ONU conta com dois or\u00e7amentos. Um deles \u2013 o regular \u2013 cobre gastos administrativos e fundos para programas espec\u00edficos. O segundo cobre as opera\u00e7\u00f5es de paz, estimadas em US$ 6,7 bilh\u00f5es para dois anos. A ajuda do Banco Central para financiar as atividades da ONU \u00e9 vista por Nickolay Mladenov, coordenador especial para o Processo de Paz do Oriente M\u00e9dio, como essencial.<\/p>\n<p>Com Ag\u00eancia de Not\u00edcias\/Estad\u00e3o\/Terra\/G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por falta de verbas internacionais para lidar com crises humanit\u00e1rias levou a ONU a cortar o volume de alimentos que destina a cada um dos refugiados que atende na Eti\u00f3pia e em outros pa\u00edses da \u00c1frica. O objetivo do racionamento \u00e9 garantir que a mesma quantidade de pessoas continue recebendo alimentos, apesar das dificuldades financeiras. &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":39651,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39650"}],"collection":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39650"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39650\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39652,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39650\/revisions\/39652"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39651"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}