{"id":39001,"date":"2018-07-18T17:30:08","date_gmt":"2018-07-18T17:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=39001"},"modified":"2018-07-18T17:30:08","modified_gmt":"2018-07-18T17:30:08","slug":"mundo-homenageia-mandela-100-anos-um-dos-maiores-lideres-do-seculo-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/mundo-homenageia-mandela-100-anos-um-dos-maiores-lideres-do-seculo-20\/","title":{"rendered":"Mundo homenageia Mandela 100 anos: um dos maiores l\u00edderes do s\u00e9culo 20"},"content":{"rendered":"<p>O mundo celebra hoje (18) o centen\u00e1rio de Nelson Mandela, um dos maiores l\u00edderes do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>O primeiro presidente negro da \u00c1frica do Sul, que teve papel determinante no fim do sistema de segrega\u00e7\u00e3o racial conhecido como \u201capartheid\u201d, completaria 100 anos nesta quarta-feira (18). O homem, tamb\u00e9m chamado de Madiba, que nasceu livre para correr pelos campos ao redor da cabana onde morava e que passou 27 anos atr\u00e1s das grades por seu engajamento na luta contra o racismo deixou li\u00e7\u00f5es para a humanidade.<\/p>\n<p>V\u00e1rias homenagens especiais ser\u00e3o realizadas no mundo inteiro em mem\u00f3ria ao centen\u00e1rio. Uma extensa programa\u00e7\u00e3o foi preparada e inclui exposi\u00e7\u00f5es, debates, iniciativas de incentivo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao voluntariado, publica\u00e7\u00e3o de livros, lan\u00e7amento de filmes, m\u00fasicas e concertos em tributo ao l\u00edder que dedicou sua vida \u00e0 luta pela liberdade e abriu caminho para a consolida\u00e7\u00e3o da democracia no continente africano.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Por sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 luta antirracista, o 18 de julho foi transformado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) no Mandela\u00b4s Day, o Dia Internacional Nelson Mandela \u2013 pela liberdade, justi\u00e7a e democracia, uma forma de lembrar a dedica\u00e7\u00e3o e seus servi\u00e7os \u00e0 humanidade, com forte atua\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no enfrentamento ao v\u00edrus HIV e na media\u00e7\u00e3o de conflitos.<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva \u00e0<strong>\u00a0Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, o jornalista portugu\u00eas Ant\u00f3nio Mateus, que durante 10 anos trabalhou como correspondente da Ag\u00eancia Lusa em Mo\u00e7ambique e na \u00c1frica do Sul, destaca que teve o privil\u00e9gio de conhecer Mandela e &#8220;beber na fonte&#8221; ensinamentos como a dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 toler\u00e2ncia, o fasc\u00ednio pelo diferente e a capacidade de n\u00e3o julgar os outros.<\/p>\n<p>&#8220;A no\u00e7\u00e3o de que a lideran\u00e7a deve ser feita de forma transparente e a servi\u00e7o do povo; o fasc\u00ednio pelos mais novos e a no\u00e7\u00e3o de que as crian\u00e7as s\u00e3o o patrim\u00f4nio que a humanidade constr\u00f3i e que ser\u00e3o o reposit\u00f3rio da nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia; o carinho pelo mais velhos e sua sabedoria acumulada, o respeito pela diversidade de culturas, religi\u00f5es, ra\u00e7as, g\u00eaneros. \u00c9 quase um caleidosc\u00f3pio de refer\u00eancias&#8221;, afirmou Mateus.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive full full\" title=\"Marcello Casal Jr\/Arquivo Ag\u00eancia Brasil\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/br-hmP3LslPreTPVrZkq9yPAdvw=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/atoms\/image\/939537-aniversario%20morte%20funeral%20mandela_3931.jpg?itok=45Qg1BQq\" alt=\"Pret\u00f3ria (\u00c1frica do Sul - 11\/12\/2013) - Sul-africanos foram prestar as \u00faltimas homenagens ao ex-presidente Nelson Mandela, no Union Buildings, Pal\u00e1cio do Governo (Marcello Casal Jr\/Arquivo Ag\u00eancia Brasil)\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Pret\u00f3ria (\u00c1frica do Sul &#8211; 11\/12\/2013) &#8211; Sul-africanos prestam \u00faltimas homenagens ao ex-presidente Nelson Mandela, no Union Buildings, Pal\u00e1cio do Governo\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Marcello Casal Jr\/Arquivo Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ant\u00f3nio Mateus lembra que conviveu com Mandela desde a sua liberta\u00e7\u00e3o, em 1990, at\u00e9 a sa\u00edda da vida p\u00fablica, nos anos 2000. &#8220;Tive um imenso privil\u00e9gio. Ali\u00e1s, todos n\u00f3s, os jornalistas que convivemos com ele. Foram dez anos absolutamente extraordin\u00e1rios. Ele mudava a vida das pessoas que conviviam com ele&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o jornalista, Mandela dizia que a vida \u00e9 como um tijolo. \u201cPodemos usar para atirar na cabe\u00e7a do outro, para fazer um muro ou para fazer uma ponte&#8221;. Para Mandela, a solu\u00e7\u00e3o passava pela constru\u00e7\u00e3o de pontes.<\/p>\n<p>Mateus acredita que as li\u00e7\u00f5es de Mandela permanecem atuais. &#8220;Temos de inverter a marcha de tanta coisa negativa para a qual o mundo est\u00e1 se encaminhando. Desde o Brasil, Portugal, Europa, Oriente M\u00e9dio. Mandela deixou refer\u00eancias que s\u00e3o atuais em todos os pa\u00edses e continentes, de que \u00e9 urgente acordarmos e come\u00e7ar a mudan\u00e7a em n\u00f3s pr\u00f3prios. A viagem come\u00e7a mesmo em n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<figure class=\"mejs-fotov-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive full full\" title=\"Arquivo pessoal\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/4q7eTNAZa46-ytjqNX9HpOzXU5A=\/365x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/jornalista_antonio_mateus.jpg?itok=540Je3Od\" alt=\"Jornalista Ant\u00f3nio Mateus (direita) com Ahmed Kathrada, companheiro de pris\u00e3o e amigo pr\u00f3ximo de Nelson Mandela, em Joanesburgo, durante grava\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio sobre Madiba\n\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Jornalista Ant\u00f3nio Mateus (direita) com Ahmed Kathrada, companheiro de pris\u00e3o e amigo pr\u00f3ximo de Nelson Mandela, em Joanesburgo, durante grava\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio sobre Madiba &#8211;\u00a0<strong>Arquivo pessoal<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ant\u00f3nio Mateus \u00e9 autor dos livros\u00a0<em>Mandela, a constru\u00e7\u00e3o de um homem<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Mandela &#8211; O Rebelde Exemplar<\/em>, ambos publicados em Portugal.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Como o senhor acha que Mandela encararia o atual cen\u00e1rio pol\u00edtico mundial?<br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio Mateus:\u00a0<\/strong>Eu fiz essa pergunta ao presidente da Funda\u00e7\u00e3o Mandela, Sello Hatang, que esteve com ele at\u00e9 seus \u00faltimos momentos de lucidez. E ele me disse que, nos \u00faltimos dias, quando via os notici\u00e1rios, Mandela sentia uma profunda tristeza e cansa\u00e7o. Porque ele deu tanto de si para ver um mundo melhor, que ele ficava desconsolado. Por outro lado, via com muito positivismo as pessoas no contexto mundial que est\u00e3o envolvidas a apontar os erros desses mesmos l\u00edderes. Posturas como as de Donald Trump, em todos os n\u00edveis, s\u00e3o uma vergonha ao lado da mem\u00f3ria de Nelson Mandela. S\u00e3o vergonha para a humanidade inteira.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Como foi vivenciar o momento da liberta\u00e7\u00e3o de Mandela?<br \/>\n<strong>Mateus:\u00a0<\/strong>Quando Mandela foi libertado, o pa\u00eds quase caiu em guerra. Eu via coisas pavorosas. Existia um n\u00edvel de barbaridade imensa. Mandela dizia que faz parte dos iluminados compartilhar a luz com os outros e que a nossa miss\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m construir pontes para os que est\u00e3o perdidos. N\u00e3o \u00e9 uma abordagem evangelizadora, \u00e9 mais humanizante, pois ele dizia que os advers\u00e1rios dele, os promotores do apartheid, eram pessoas que tinham perdido a no\u00e7\u00e3o do humanismo. E que eles precisavam de ser ajudados nesse caminho. Essa abordagem do Mandela era absolutamente extraordin\u00e1ria, pois n\u00e3o estamos habituados a assumir para n\u00f3s a responsabilidade de mostrar aos outros quando eles est\u00e3o no caminho errado. Normalmente n\u00f3s gritamos aos outros que eles est\u00e3o no caminho errado. Mostrar d\u00e1 muito mais trabalho. Ele sempre foi persistente nessa abordagem construtiva, mesmo com os maiores opositores. Mandela dizia: com eles [os opositores] \u00e9 que n\u00f3s temos que construir pontes.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0O que a Europa tem a aprender com Mandela?<br \/>\n<strong>Mateus:<\/strong>\u00a0N\u00f3s, na Europa, n\u00e3o olhamos para os imigrantes que vem pra c\u00e1. Os imigrantes s\u00e3o uma riqueza em termos humanos, s\u00e3o pessoas que sabem fazer outras coisas, que v\u00eam determinadas a trabalhar e fazer com que suas vidas saiam do zero. Isso \u00e9 uma ben\u00e7\u00e3o para n\u00f3s todos, deveria ser. Tantos brasileiros que vieram para Portugal, tantos neg\u00f3cios, tantas lojas que abriram aqui. Depois, foram embora de volta. E agora est\u00e3o a voltar! E essa mobilidade da popula\u00e7\u00e3o em escala mundial \u00e9 uma riqueza para n\u00f3s todos. O Mandela dizia: \u201cabracem os mais fr\u00e1geis, pois somos t\u00e3o fortes quando os mais fr\u00e1geis est\u00e3o ao nosso lado&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Como era conviver com Mandela?<br \/>\n<strong>Mateus:<\/strong>\u00a0Ele era extramente cavalheiro. Nunca sentava numa sala se houvesse uma senhora em p\u00e9, mesmo nas coletivas de imprensa. Ele ficava em p\u00e9 at\u00e9 os seguran\u00e7as arranjarem cadeiras para todas as mulheres da sala. E n\u00e3o passava nunca na frente de uma mulher. Tinha uma no\u00e7\u00e3o muito clara de que os valores de aten\u00e7\u00e3o aos outros eram o bilhete de identidade, de apresenta\u00e7\u00e3o dele como ser humano. Ele, ao elevar a dignidade das pessoas com que lidava no dia a dia, criava um ambiente mais prop\u00edcio para as pessoas buscarem o melhor de si mesmas nas rela\u00e7\u00f5es com os outros.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Algo o irritava?<br \/>\n<strong>Mateus:<\/strong>\u00a0Ele dava o melhor de si o tempo inteiro, mas n\u00e3o era hip\u00f3crita. Se ele n\u00e3o gostava de alguma coisa, dizia logo que n\u00e3o gostava. Mas dizia de forma cort\u00eas, construtiva. Lidava mal com o atraso das pessoas. Afirmava que o tempo era o bem mais precioso de uma pessoa. \u201cTempo \u00e9 vida&#8221;, ele dizia. N\u00e3o tolerava atrasos.<\/p>\n<div class=\"edicao\">Edi\u00e7\u00e3o:\u00a0<span class=\"txtInternacional\">L\u00edlian Beraldo<\/span><\/div>\n<div>Por\u00a0<span class=\"txtInternacional\">Marieta Cazarr\u00e9 e D\u00e9bora Brito \u2013 Rep\u00f3rteres da Ag\u00eancia Brasil\u00a0<span class=\"newsLocation\">\u00a0Lisboa e Bras\u00edlia<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo celebra hoje (18) o centen\u00e1rio de Nelson Mandela, um dos maiores l\u00edderes do s\u00e9culo 20. O primeiro presidente negro da \u00c1frica do Sul, que teve papel determinante no fim do sistema de segrega\u00e7\u00e3o racial conhecido como \u201capartheid\u201d, completaria 100 anos nesta quarta-feira (18). 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