{"id":38065,"date":"2018-05-20T16:44:43","date_gmt":"2018-05-20T16:44:43","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=38065"},"modified":"2018-05-20T16:44:43","modified_gmt":"2018-05-20T16:44:43","slug":"cia-espionou-programa-brasileiro-tambem-na-area-espacial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/cia-espionou-programa-brasileiro-tambem-na-area-espacial\/","title":{"rendered":"CIA espionou programa brasileiro tamb\u00e9m na \u00e1rea espacial"},"content":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA) dos Estados Unidos usou sat\u00e9lites para espionar o programa espacial brasileiro e o complexo industrial militar do Pa\u00eds de 1978 a 1988. Documentos desclassificados pelo governo americano em dezembro de 2016 mostram an\u00e1lises de fotos a\u00e9reas das instala\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas, da base de lan\u00e7amentos de foguetes em Natal (RN) e do campo de provas de armamentos da Serra do Cachimbo, onde a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB) constru\u00eda um po\u00e7o que poderia ser usado em testes de artefatos nucleares.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de sat\u00e9lites, os pap\u00e9is mostram que os adidos de defesa e a embaixada americana dispunham de uma rede de informantes que permitiu aos Estados Unidos saber detalhes das negocia\u00e7\u00f5es secretas entre Brasil e Ar\u00e1bia Saudita e das vendas de blindados e foguetes para o regime de Saddam Hussein, no Iraque, e para a L\u00edbia, governada ent\u00e3o por Muamar Kadafi. Os americanos temiam que, por meio dessas vendas, a tecnologia ocidental fosse parar nas m\u00e3os da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Tinham ainda restri\u00e7\u00f5es \u00e0s entregas a na\u00e7\u00f5es hostis aos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m enxergavam uma vantagem: o equipamento brasileiro podia roubar dos russos mercados inacess\u00edveis a Washington.<\/p>\n<p>Produzido pelo Centro Nacional de Interpreta\u00e7\u00e3o Fotogr\u00e1fica, o relat\u00f3rio com o t\u00edtulo Alcance de M\u00edsseis: Instala\u00e7\u00f5es M\u00edsseis Estrat\u00e9gicos SSM (M\u00edssil Terra-Terra) lista dez locais de interesse da espionagem americana. O primeiro a ser fotografado foi a Base A\u00e9rea de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP).<\/p>\n<p>Na mesma cidade, os sat\u00e9lites registraram o Centro T\u00e9cnico Aeroespacial (CTA) e a f\u00e1brica da Avibr\u00e1s, que participava dos projetos de foguetes militares. Na vizinha Santa Branca, outra \u00e1rea da Avibr\u00e1s foi vigiada, assim como em Piquete, uma f\u00e1brica de explosivos &#8211; os americanos pensavam que ali seria feito o combust\u00edvel s\u00f3lido do\u00a0foguete meteorol\u00f3gico Sonda IV e do VLS (Ve\u00edculo Lan\u00e7ador de Sat\u00e9lites).<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de novembro de 1982 usa fotos da Base A\u00e9rea de Natal e de sua \u00e1rea de lan\u00e7amento de foguetes e, por fim, do campo de teste de arma do Cachimbo. Os americanos previam que, em 1988, o Pa\u00eds teria condi\u00e7\u00f5es de lan\u00e7ar o VLS &#8211; ele s\u00f3 seria lan\u00e7ado em 1997 e seria abandonado ap\u00f3s explodir em 2003 na Base A\u00e9rea de Alc\u00e2ntara, no Maranh\u00e3o, deixando 21 mortos.<\/p>\n<p>Os sat\u00e9lites americanos tamb\u00e9m espionaram a Engesa, maior ind\u00fastria de armamentos brasileira. Fabricante dos blindados Cascavel e Urutu, a empresa brasileira pretendia produzir o tanque pesado Os\u00f3rio. Em 25 de agosto de 1978, o sat\u00e9lite identificou pela primeira vez na f\u00e1brica, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, oito Urutus e um Cascavel. O Brasil passou a vender esses blindados a pa\u00edses como L\u00edbia, Iraque e Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Em 1980 e em 1984, a CIA fez relat\u00f3rios acusando o Brasil de n\u00e3o se importar com o destino final das armas. No papel de 1984, os americanos analisavam as vulnerabilidades da ind\u00fastria b\u00e9lica brasileira. A principal delas, segundo a CIA, era depender de vendas externas. Qualquer corte de compras podia ser letal para ao setor.<\/p>\n<p>Por fim, o documento revelava que o Brasil teria feito um acordo secreto em janeiro de 1984,de US$ 2 bilh\u00f5es, para desenvolver e produzir o tanque Os\u00f3rio para a Ar\u00e1bia Saudita. S\u00f3 tr\u00eas meses depois os dois governos tornariam p\u00fablico um protocolo de coopera\u00e7\u00e3o militar, assinado em Bras\u00edlia pelo ministro da defesa saudita, o pr\u00edncipe Sultan Ibn Abdulaziz. Em 1989, os governos anunciariam a produ\u00e7\u00e3o do Al Fahad, a vers\u00e3o saudita do Os\u00f3rio, que acabou n\u00e3o se concretizando &#8211; os sauditas compraram o tanque americano Abrams. Os Estados Unidos estavam certos: a quebra do acordo com os \u00e1rabes foi letal \u00e0 Engesa, que foi \u00e0 fal\u00eancia em 1993. (Estad\u00e3o Conte\u00fado)<\/p>\n<p><b>De olho no \u2018hex\u00e1gono\u2019 nacional<\/b><\/p>\n<p>Nos anos 80, a espionagem dos Estados Unidos estava interessada mesmo era em saber o que se fazia no secreto Instituto de Estudos Avan\u00e7ados, o IEAv, agregado ao ent\u00e3o Centro Tecnol\u00f3gico Aeroespacial (CTA), em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos. Uma an\u00e1lise da Ag\u00eancia de Intelig\u00eancia da Defesa, uma esp\u00e9cie de CIA militar, vazada em 1983, trazia o t\u00edtulo Frente ao Pent\u00e1gono, um Hex\u00e1gono, e dizia que o plano brasileiro de construir armas nucleares passava pelas atividades desenvolvidas naquele pr\u00e9dio de seis faces.<\/p>\n<p>O analista americano destacava a preocupa\u00e7\u00e3o com a pesquisa para enriquecer ur\u00e2nio com o uso de lasers &#8211; um raro conhecimento, mais eficiente e r\u00e1pido na tarefa de separar o U-235 adequado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel dos reatores geradores de energia ou de bombas at\u00f4micas.<\/p>\n<p>O documento destacava peculiaridades das instala\u00e7\u00f5es subterr\u00e2neas do IEAv e de um grande sal\u00e3o que abrigava o supercomputador Cray, \u00fanico desse tipo na Am\u00e9rica Latina. Havia, sim, o plano secreto, com atribui\u00e7\u00f5es divididas entre os centros de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da Marinha, do Ex\u00e9rcito e da Aeron\u00e1utica. Era considerado paralelo ao programa nuclear oficial, de 1975, resultado de um acordo entre os governos do Brasil e da Alemanha.<\/p>\n<p>Em 1988, com a extin\u00e7\u00e3o da estatal Nuclebr\u00e1s, por determina\u00e7\u00e3o do ex-presidente Jos\u00e9 Sarney, a empreitada do sigilo foi regularizada. A meta da constru\u00e7\u00e3o de artefatos explosivos acabou sendo cancelada no mesmo ano. Entretanto, a essa altura o pa\u00eds j\u00e1 dominava toda a tecnologia do ciclo do ur\u00e2nio, mas n\u00e3o pela via do laser. O m\u00e9todo adotado na \u00e9poca, e ainda hoje, emprega m\u00e1quinas de ultracentrifuga\u00e7\u00e3o &#8211; que n\u00e3o foram citadas no documento.<\/p>\n<p>Com Ag\u00eancia de Not\u00edcias\/Jornal do Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA) dos Estados Unidos usou sat\u00e9lites para espionar o programa espacial brasileiro e o complexo industrial militar do Pa\u00eds de 1978 a 1988. 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