{"id":38024,"date":"2018-05-19T17:21:34","date_gmt":"2018-05-19T17:21:34","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=38024"},"modified":"2018-05-19T17:21:34","modified_gmt":"2018-05-19T17:21:34","slug":"protesto-no-rio-pede-o-fim-de-tratamentos-em-manicomios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/protesto-no-rio-pede-o-fim-de-tratamentos-em-manicomios\/","title":{"rendered":"Protesto no Rio pede o fim de tratamentos em manic\u00f4mios"},"content":{"rendered":"<p>Pacientes e profissionais de sa\u00fade mental realizaram um protesto hoje (18), no centro do Rio, contra a perman\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es manicomiais, locais que ainda tratam doentes psiqui\u00e1tricos baseados em segrega\u00e7\u00e3o social e conten\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. A manifesta\u00e7\u00e3o foi organizada para marcar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo Manoel Ferreira, de Niter\u00f3i, explicou que a Lei da Reforma Psiqui\u00e1trica, de 2001, prop\u00f5e uma outra forma de cuidado com as pessoas com transtorno mental, que n\u00e3o \u00e9 mais os manic\u00f4mios. Um dos pilares da lei s\u00e3o os Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS), que atendem durante o dia ou em casos de emerg\u00eancia,\u00a0evitando que os pacientes fiquem segregados em hospitais, cl\u00ednicas psiqui\u00e1tricas ou manic\u00f4mios.<\/p>\n<p>\u201cO cuidado que se d\u00e1 dentro de um hospital psiqui\u00e1trico oferece muito mais doen\u00e7a do que cuidados. Pois o isolamento n\u00e3o \u00e9 um cuidado para aquela pessoa, produzindo um sofrimento maior ainda do que ela est\u00e1 tendo\u201d, disse Manoel.<\/p>\n<p>Outro problema levantado pelo psic\u00f3logo \u00e9 a car\u00eancia dos CAPS, tanto em estrutura f\u00edsica, quanto em n\u00famero de profissionais. \u201cA rede precisa ser ampliada. Em Niter\u00f3i n\u00e3o tem nenhum CAPS 3 [de atendimento 24 horas]. \u00c9 importante que se fa\u00e7a concursos p\u00fablicos, pois os trabalhadores t\u00eam v\u00ednculos prec\u00e1rios e tempor\u00e1rios. Na Baixada Fluminense e S\u00e3o Gon\u00e7alo \u00e9 pior ainda. As pessoas com transtorno mental s\u00e3o largadas \u00e0s piores formas de tratamento poss\u00edvel, em abrigos e at\u00e9 cadeia\u201d, disse Manoel.<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga Melissa Oliveira, do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, houve avan\u00e7os nos \u00faltimos anos, com o fechamento de muitos leitos em manic\u00f4mios e a abertura de CAPS, mas ainda h\u00e1 muito a se avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>\u201cHoje estamos vivenciando uma realidade muito dura, de sucateamento desses servi\u00e7os, dos CAPS, de [Cl\u00ednicas de] Sa\u00fade da Fam\u00edlia e de centros de conviv\u00eancia. Ficamos meses sem receber medicamentos fundamentais na rede de sa\u00fade mental. Sem infraestrutura para fazer oficinas, sem condi\u00e7\u00f5es para atividades de trabalho e renda. Faltou comida, tem CAPS que ficou sem almo\u00e7o por dois anos\u201d, destacou Melissa.<\/p>\n<h2>Desinterna\u00e7\u00e3o total<\/h2>\n<p>A enfermeira residente Iasmin Sampaio, que trabalha no CAPS Manoel de Barros, na Col\u00f4nia Juliano Moreira, em Jacarepagu\u00e1, tamb\u00e9m reconheceu que a situa\u00e7\u00e3o deve melhorar, principalmente com a contrata\u00e7\u00e3o de profissionais de acompanhamento terap\u00eautico. Segundo ela, apesar das dificuldades, o modelo baseado em CAPS ainda \u00e9 o melhor para a sa\u00fade mental do paciente.<\/p>\n<p>\u201cO CAPS \u00e9 o dispositivo que onde a gente acolhe os casos graves, que precisam de uma aten\u00e7\u00e3o mais intensiva e em crise, no lugar do hospital, para evitar a interna\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel uma desinterna\u00e7\u00e3o total, investindo em resid\u00eancias terap\u00eauticas e CAPS. \u00c9 um processo que demanda um tempo e um trabalho intenso. Mas eu acredito que este \u00e9 o caminho\u201d, disse Iasmin.<\/p>\n<p>Para o paciente Hugo Ant\u00f4nio, que vive com sua fam\u00edlia e se trata no CAPS Herbert de Souza, em Niter\u00f3i, a quest\u00e3o da desinterna\u00e7\u00e3o \u00e9 positiva, mas tem que ser vista caso a caso.\u00a0\u201cIsso \u00e9 uma coisa que tem de ser feita com muito cuidado. Tem que se ver aonde os pacientes podem ser melhor alojados e n\u00e3o simplesmente fechar os locais. Enfim, tem que haver uma coisa criteriosa. Depende das condi\u00e7\u00f5es da pessoa, depende da disponibilidade e boa vontade dos familiares e se o ambiente oferece condi\u00e7\u00f5es\u201d, disse Hugo, que edita, com outros pacientes, o jornal O Centro, com textos produzidos por eles pr\u00f3prios, abordando v\u00e1rios assuntos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pacientes e profissionais de sa\u00fade mental realizaram um protesto hoje (18), no centro do Rio, contra a perman\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es manicomiais, locais que ainda tratam doentes psiqui\u00e1tricos baseados em segrega\u00e7\u00e3o social e conten\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. A manifesta\u00e7\u00e3o foi organizada para marcar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. 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