{"id":37670,"date":"2018-05-13T16:26:07","date_gmt":"2018-05-13T16:26:07","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=37670"},"modified":"2018-05-13T16:27:25","modified_gmt":"2018-05-13T16:27:25","slug":"mpt-notifica-globo-por-falta-de-negros-no-elenco-de-novela-e-recomenda-mudancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/mpt-notifica-globo-por-falta-de-negros-no-elenco-de-novela-e-recomenda-mudancas\/","title":{"rendered":"MPT notifica Globo por falta de negros no elenco de novela, e recomenda mudan\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho recomendou \u00e0\u00a0<em>TV Globo<\/em>\u00a014 medidas para promover a participa\u00e7\u00e3o de pessoas negras em produ\u00e7\u00f5es audiovisuais e no jornalismo. A medida foi motivada pela aus\u00eancia de personagens pretos e pardos* na novela\u00a0<em>Segundo Sol<\/em>, ambientada em Salvador, na Bahia, e que estreia na segunda-feira (14). A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 de sexta-feira (11) \u00e0 noite, antev\u00e9spera dos 130 anos da aboli\u00e7\u00e3o no Brasil, regime que durou tr\u00eas seculos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de cobrar mudan\u00e7as na novela, a recomenda\u00e7\u00e3o prev\u00ea um conjunto de a\u00e7\u00f5es para promover a igualdade racial \u201cem todo ambiente de trabalho da empresa\u201d. Entre elas, a mais importante \u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o de um plano de a\u00e7\u00e3o prevendo formas de incluir, remunerar e garantir a igualdade de oportunidades aos negros. Outra recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um levantamento de negros e negras em todas as produ\u00e7\u00f5es da emissora, incluindo o jornalismo.<\/p>\n<p>A\u00a0<em>TV Globo<\/em>\u00a0tem sido criticada por escalar poucos artistas negros para a novela\u00a0<em>Segundo Sol<\/em>, apesar de o enredo se passar na Bahia, estado com uma das maiores popula\u00e7\u00f5es negras no pa\u00eds, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). At\u00e9 uma campanha foi lan\u00e7ada com cartazes de artistas negros que j\u00e1 passaram pela emissora, mas ignorados pela produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cDecidimos expedir essa nota com o fim de mostrar a import\u00e2ncia de a empresa respeitar a diversidade racial\u201d, declarou a coordenadora Nacional de Combate \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o no Trabalho do MPT, procuradora Valdirene Silva. Ela disse que, apesar de a novela ser uma obra art\u00edstica e aberta, \u201ctem a obriga\u00e7\u00e3o de incluir atores negros em propor\u00e7\u00e3o suficiente para uma real representa\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEstamos diante de uma situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 vista como discriminat\u00f3ria\u201d, com base em leis internacionais e no Estatuto da Igualdade Racial.<\/p>\n<p>A\u00a0<em>TV Globo<\/em>\u00a0tem 10 dias para comprovar as mudan\u00e7as no roteiro e na produ\u00e7\u00e3o da novela Segundo Sol e 45 dias para apresentar um cronograma de cumprimento das demais recomenda\u00e7\u00f5es. Caso n\u00e3o sejam atendidas, o MPT pode propor a\u00e7\u00e3o judicial como \u00faltimo recurso.<\/p>\n<p>Nas redes sociais, o diretor de cinema e pesquisador p\u00f3s-doutor Joel Zito Ara\u00fajo, desabafou na sexta-feira (11) sobre a situa\u00e7\u00e3o. \u201cNunca pensei que meu filme\u00a0<em>A nega\u00e7\u00e3o do Brasil<\/em>, lan\u00e7ado em 2001, permaneceria atual por tanto tempo (infelizmente)\u201d. O document\u00e1rio fala sobre pap\u00e9is que atores negros representaram nas novelas brasileiras, em posi\u00e7\u00f5es subalternas, apenas. Ele alertava para a influ\u00eancia na perpetua\u00e7\u00e3o do racismo e na limita\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho.<\/p>\n<h2><strong>M\u00eddia alimenta racismo<\/strong><\/h2>\n<p>A Uni\u00e3o de Negros pela Igualdade (Unegro), que lan\u00e7ou a campanha com cartazes de atores negros, tamb\u00e9m se pronunciou sobre a produ\u00e7\u00e3o global. Em nota, afirmou que a m\u00eddia \u00e9 \u201cpouco perme\u00e1vel \u00e0 ideia de ter o negro como protagonista\u201d, reflexo de uma cultura que nega as identidades negras e refor\u00e7a a exclus\u00e3o desde a escravid\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>A nota citou pap\u00e9is negativos geralmente dados a artistas negros, como \u201co escravo, a mulata lasciva, a empregada dom\u00e9stica, o preto bobo ou ignorante que faz a gente rir e o bandido\u201d, destacando tamb\u00e9m os \u201cpositivos\u201d, tais como \u201co jogador de futebol, o sambista ou aquele personagem que interpreta a exce\u00e7\u00e3o: o mo\u00e7o de fam\u00edlia humilde que lutou muito e venceu na vida. Figuras que n\u00e3o s\u00e3o exclusividade da fic\u00e7\u00e3o, vistos tamb\u00e9m em programas de audit\u00f3rio e no jornalismo\u201d.<\/p>\n<p>Com a inser\u00e7\u00e3o de personagens em destaque em novelas e propagandas, a Unegro defende que a sociedade encare o problema. \u201cA inser\u00e7\u00e3o n\u00e3o resolver\u00e1 as quest\u00f5es raciais. O que se espera disso \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o para o debate [do racismo no pa\u00eds]\u201d.<\/p>\n<p>A dramaturga negra Maria Shu, autora de uma das primeiras mensagens alertando para o privil\u00e9gio de atores brancos em o Segundo Sol, fez constata\u00e7\u00e3o semelhante. \u201cA presen\u00e7a dos negros na TV tem apenas um foco, que \u00e9 a espetaculariza\u00e7\u00e3o de suas dores. Estudamos, alcan\u00e7amos novos espa\u00e7os, mas n\u00e3o nos reconhecem como sujeitos produtores de conhecimento\u201d.<\/p>\n<p>Procurada pela\u00a0<strong>R\u00e1dio Nacional<\/strong>, a\u00a0<em>TV Globo<\/em>\u00a0n\u00e3o confirmou ter sido notificada da recomenda\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, em nota, reconhece que a novela tem uma representatividade menor do que gostaria e disse que busca ampli\u00e1-la. \u201cVamos trabalhar para evoluir com essa quest\u00e3o\u201d, informou.<\/p>\n<p>A notifica\u00e7\u00e3o do MPT \u00e9 assinada pelos seis procuradores do grupo de trabalho de combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e amparada no Estatuto da Igualdade. A lei federal recomenda ao poder p\u00fablico a promo\u00e7\u00e3o de igualdade racial no mercado de trabalho p\u00fablico e privado.<\/p>\n<p><em>* Convencionou-se chamar negros a soma dos grupos populacionais preto e pardo, seguindo classifica\u00e7\u00e3o do Instituto Brasileiro de Geografia Estat\u00edstica (IBGE).<\/em><\/p>\n<p><em>** Colaborou Samanta do Carmo, do Radiojornalismo<\/em><\/p>\n<div class=\"edicao\">Edi\u00e7\u00e3o:\u00a0<span class=\"txtGeral\">Fernando Fraga<\/span><\/div>\n<div>Por\u00a0<span class=\"txtGeral\">Isabela Vieira &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil **\u00a0<span class=\"newsLocation\">\u00a0Rio de Janeiro<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho recomendou \u00e0\u00a0TV Globo\u00a014 medidas para promover a participa\u00e7\u00e3o de pessoas negras em produ\u00e7\u00f5es audiovisuais e no jornalismo. 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