{"id":37461,"date":"2018-05-09T00:20:44","date_gmt":"2018-05-09T00:20:44","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=37461"},"modified":"2018-05-09T00:21:59","modified_gmt":"2018-05-09T00:21:59","slug":"argentina-recorre-ao-fmi-apos-12-anos-para-controlar-crise-financeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/argentina-recorre-ao-fmi-apos-12-anos-para-controlar-crise-financeira\/","title":{"rendered":"Argentina  recorre ao FMI ap\u00f3s 12 anos para controlar crise financeira"},"content":{"rendered":"<p>Em pronunciamento nesta ter\u00e7a-feira (8), em rede de televis\u00e3o,o presidente da Argentina, Mauricio Macri,disse que\u00a0 vai recorrer ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) ap\u00f3s 12 anos ,em busca de apoio externo para equilibrar a situa\u00e7\u00e3o financeira do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Macri disse que as pol\u00edticas econ\u00f4micas adotadas em dois anos e cinco meses de governo s\u00e3o o \u00fanico caminho poss\u00edvel para sair da situa\u00e7\u00e3o de \u201cestancamento\u201d que herdou da antecessora Cristina Kirchner.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive full full\" title=\"Macri\/Arquivo\/EBC\" src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/BbJXO7PSbqdZIMwQqt4TALNAx-E=\/463x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/atoms\/image\/56531c43211ea_520x346_macri.jpg?itok=bfyOaDOC\" alt=\"Macri\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Mauricio Macri,\u00a0presidente da Argentina (Arquivo\/Ag\u00eancia Brasil)<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<p>Macri admitiu que a Argentina \u00e9 um dos pa\u00edses \u201cque mais dependem de financiamento externo\u201d e que foi afetada pelas recentes mudan\u00e7as no cen\u00e1rio internacional, com os aumentos do pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo e da taxa de juros norte-americana e a valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar norte-americano frente a outras moedas.<\/p>\n<p>Na sexta-feira (4) o Banco Central argentino elevou as taxas de juros de refer\u00eancia de 33,25% para 40%, para atrair de volta os investidores e conter a disparada de d\u00f3lar. Na Argentina, qualquer aumento no valor do d\u00f3lar costuma ter impacto sobre a infla\u00e7\u00e3o, que continua alta (cerca de 25% ao ano).<\/p>\n<p>Em entrevista coletiva, ap\u00f3s o pronunciamento de Macri, o ministro da Economia, Nicolas Dujovne, disse que j\u00e1 conversou com a diretora executiva do FMI, Christine Lagarde, sobre a possibilidade de um \u201cempr\u00e9stimo preventivo\u201d, a taxas mais baixas que as do mercado. Economistas independentes estimam que o valor deve ficar em torno de US$ 20 bilh\u00f5es, mas o governo ainda n\u00e3o falou de cifras, nem sobre quais seriam as condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dujovne afirmou apenas que manter\u00e1 a pol\u00edtica gradualista de cortar o alto d\u00e9ficit p\u00fablico, que equivale a 6% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds). O governo considera politicamente invi\u00e1vel adotar medidas dr\u00e1sticas para recuperar a economia, mesmo ap\u00f3s a grande crise de 2001.<\/p>\n<p>Desde que o pa\u00eds come\u00e7ou a se recuperar, no governo de Nestor Kirchner (2003-2007), at\u00e9 a chegada de Macri ao poder, a Argentina tem assumido postura contr\u00e1ria \u00e0s pol\u00edticas de ajuste impostas pelo FMI como condi\u00e7\u00e3o para concess\u00e3o de empr\u00e9stimos a pa\u00edses em dificuldades.<\/p>\n<p>\u201cO FMI hoje n\u00e3o \u00e9 o mesmo de antes\u201d, disse Dujovne, ao lembrar que v\u00e1rios pa\u00edses desenvolvidos recorreram ao fundo para superar crises, sobretudo nos anos de 2008 e 2009. \u201cO fundo aprendeu com as li\u00e7\u00f5es do passado e, de fato, Christine Lagarde, apoiou o programa gradualista da Argentina\u201d,destacou Dujovne. De acordo com o ministro, o empr\u00e9stimo garantir\u00e1 que o governo continue tendo fundos para financiar programas sociais e cr\u00e9dito a pequenos produtores.<\/p>\n<p><strong>Falta lideran\u00e7a, diz economista<\/strong><\/p>\n<p>\u201cRecorrer ao FMI \u00e9 um sinal de que falta lideran\u00e7a no pa\u00eds, mostra que a Argentina \u00e9 vulner\u00e1vel e precisa de apoio externo para acabar com os excessos nos gastos p\u00fablicos\u201d, disse o economista Guillermo Nielsen, em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. Ex-secret\u00e1rio de Finan\u00e7as nos governos de Eduardo Duhalde ( 2002-2003) e Nestor Kirchner, Nielsen foi o respons\u00e1vel pela renegocia\u00e7\u00e3o da divida externa argentina, apos a morat\u00f3ria de 2001.<\/p>\n<p>Ele negociou os dois \u00faltimos acordos com o FMI, em 2003 e 2005. Desde ent\u00e3o, a Argentina pagou toda a d\u00edvida com o fundo para n\u00e3o ter de adotar as receitas econ\u00f4micas da institui\u00e7\u00e3o, que muitos argentinos consideram respons\u00e1vel oela crise de 2001. Sem acesso aos mercados internacionais, a Argentina p\u00f4de se financiar durante uma d\u00e9cada com as exporta\u00e7\u00f5es, aproveitando o auge nos pre\u00e7os das\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0(produtos prim\u00e1rios com cota\u00e7\u00e3o internacional).<\/p>\n<p>O economista Alan Ciblis, da Universidade de General Sarmiento, por sua vez, apontou como um dos principais problemas da economia o fato de que, com Macri, o pa\u00eds voltou aos mercados internacionais, mas passou a se endividar muito. Em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, Ciblis enfatizou que a d\u00edvida equivale a 60% do PIB, e a maioria \u00e9 em d\u00f3lares.<\/p>\n<div class=\"edicao\">Edi\u00e7\u00e3o:\u00a0<span class=\"txtInternacional\">N\u00e1dia Franco<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em pronunciamento nesta ter\u00e7a-feira (8), em rede de televis\u00e3o,o presidente da Argentina, Mauricio Macri,disse que\u00a0 vai recorrer ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) ap\u00f3s 12 anos ,em busca de apoio externo para equilibrar a situa\u00e7\u00e3o financeira do pa\u00eds. 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