{"id":37328,"date":"2018-05-06T16:11:53","date_gmt":"2018-05-06T16:11:53","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=37328"},"modified":"2018-05-06T16:11:53","modified_gmt":"2018-05-06T16:11:53","slug":"mais-abrigos-sao-preparados-para-venezuelanos-que-dormem-na-rua-em-rr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/mais-abrigos-sao-preparados-para-venezuelanos-que-dormem-na-rua-em-rr\/","title":{"rendered":"Mais abrigos s\u00e3o preparados  para venezuelanos que dormem na rua em RR"},"content":{"rendered":"<p>A partida de mais 233\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2018-05\/aviao-da-fab-leva-233-venezuelanos-para-manaus-e-sao-paulo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">venezuelanos<\/a>\u00a0para outros estados do Brasil alivia um pouco a demanda crescente por assist\u00eancia em Roraima. Cerca de 4 a 6 mil venezuelanos est\u00e3o em Boa Vista e o estado se prepara para receber mais pessoas que fogem da crise econ\u00f4mica intensa instalada no pa\u00eds vizinho. Em Boa Vista, s\u00e3o sete abrigos j\u00e1 funcionando; em Pacara\u00edma, um. Mais tr\u00eas devem ficar prontos na capital e outro na cidade de fronteira.<\/p>\n<p>\u201cEm Boa Vista, ainda temos pessoas na Pra\u00e7a Sim\u00f3n Bol\u00edvar. S\u00e3o os pr\u00f3ximos que vamos abrigar. Ficando prontos os abrigos, em mais uma semana, a gente vai fazer essa manobra. Com a desocupa\u00e7\u00e3o da pra\u00e7a e com alguns remanescentes em um pr\u00e9dio ou outro, estaremos estabilizados\u201d, disse o general de Divis\u00e3o Eduardo Pazuello, coordenador da opera\u00e7\u00e3o de acolhimento dos migrantes, chamada de For\u00e7a-Tarefa Humanit\u00e1ria.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive full full\" title=\"Venezuelanos aguardam vagas em abrigos para refugiados em Boa Vista.\/Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/QCuwZsfTbv2uWyhOjXit28JhSMg=\/754x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/mcamgo_abr_0305181979_1.jpg?itok=JWdn1DV0\" alt=\"Venezuelanos aguardam vagas em abrigos para refugiados em Boa Vista.\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Venezuelanos aguardam vagas em abrigos de\u00a0Boa Vista. \u00a0(Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil)<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Do lado de fora do abrigo Jardim Floresta, dezenas de pessoas se agitam sempre que o port\u00e3o \u00e9 aberto. Querem entrar e dormem na rua \u00e0 espera de uma vaga. Alguns reclamam que s\u00e3o ignorados pelos respons\u00e1veis pela administra\u00e7\u00e3o do local.<\/p>\n<p>\u201cFiquei cinco dias na porta. Tomei chuva e sol, com fome e sono. Chegam outras mulheres que acabaram de aparecer e passam, n\u00e3o d\u00e3o nenhum tipo de resposta\u201d, reclama Maria Val\u00e9ria, de 26 anos. Outras mulheres, algumas com filhos de colo, e homens tamb\u00e9m aguardam uma vaga e, enquanto isso, dormem na rua. \u201cN\u00e3o sa\u00edmos da Venezuela porque quisemos. Sa\u00edmos porque n\u00e3o h\u00e1 comida. Quantas pessoas n\u00e3o sa\u00edram da Venezuela porque n\u00e3o tem o que comer?\u201d, desabafa a jovem, vinda da cidade de El Tigre.<\/p>\n<p>Questionado, o oficial de rela\u00e7\u00f5es institucionais da Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (Acnur), Pablo Matos, reconhece o problema. \u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o realmente delicada, porque o abrigo tem um limite m\u00e1ximo de pessoas que pode receber 600 pessoas. Para acolher pessoas novas, a gente tem que esperar algumas migrantes sa\u00edrem. Realmente tem esse problema e n\u00e3o s\u00f3 aqui; outros abrigos enfrentam esse mesmo desafio\u201d.<\/p>\n<p>Ele esclarece ainda que existe uma lista de espera e que o abrigo Jardim Floresta recebe, preferencialmente, fam\u00edlias com crian\u00e7as, mulheres em situa\u00e7\u00e3o de risco, idosos e deficientes. Ele afirma que sempre que poss\u00edvel conversa com as pessoas do lado de fora. \u201cToda vez que um dos nossos colegas saem n\u00f3s somos abordados. N\u00e3o \u00e9 com todos que a gente fala, mas com aqueles com que a gente conversa \u00e9 exposta a mesma situa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h2>Interioriza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A interioriza\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo de promover a mudan\u00e7a de venezuelanos para outros estados do pa\u00eds. At\u00e9 agora, 498 venezuelanos foram distribu\u00eddos entre S\u00e3o Paulo, Manaus e Cuiab\u00e1. Mas antes de fazer as malas e entrar em um avi\u00e3o, algumas coisas precisam acontecer. A primeira delas \u00e9 a vontade do migrante em interiorizar. Muitos preferem ficar em Roraima pela proximidade com o pa\u00eds de origem. N\u00e3o querem se distanciar muito da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, eles precisam ter um perfil desejado pelo mercado de trabalho dos outros estados. S\u00e3o Paulo, por exemplo, recebeu preferencialmente homens solteiros, o que facilitaria a empregabilidade. J\u00e1 Manaus aceitou casais e fam\u00edlias. Chegando l\u00e1, essas pessoas ficam em abrigos por um tempo determinado.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 ajud\u00e1-los a reunir condi\u00e7\u00f5es. Ningu\u00e9m quer ficar num abrigo por muito tempo. As pessoas que interiorizam tem um prazo, dependendo do abrigo, de tr\u00eas a seis meses para arrumar um outro lugar para morar\u201d, explicou Viviane Esse, da Subchefia de Articula\u00e7\u00e3o e Monitoramento da Casa Civil da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>A Acnur, a Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM) e \u00f3rg\u00e3os do governo federal, como os Minist\u00e9rios do Trabalho e Emprego, do Desenvolvimento Social e da Justi\u00e7a fazem parte de um subcomit\u00ea criado para garantir o m\u00e1ximo de sucesso na interioriza\u00e7\u00e3o. Isso passa por levar o migrante a uma cidade que queira receb\u00ea-lo, com oportunidades reais de emprego e moradia.<\/p>\n<p>O governo federal pretende investir na interioriza\u00e7\u00e3o de 15 mil venezuelanos. Est\u00e3o sendo disponibilizados R$ 190 milh\u00f5es para atender a opera\u00e7\u00e3o um per\u00edodo de 12 meses. Essa verba \u00e9 utilizada, principalmente, em contrata\u00e7\u00e3o de estruturas para abrigos, transporte de equipamentos e na alimenta\u00e7\u00e3o dos migrantes, al\u00e9m das viagens de interioriza\u00e7\u00e3o nos avi\u00f5es da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB).<\/p>\n<p>Pazuello estima que, daqueles que est\u00e3o em Roraima, cerca de 65% querem interiorizar; outros 10% a 20% querem ficar em Boa Vista e outros 10% a 20% pretendem voltar para o pa\u00eds de origem. Segundo pesquisa da OIM, os migrantes s\u00e3o capacitados. Entre janeiro e mar\u00e7o deste ano, 3.515 venezuelanos foram entrevistados e 52% deles t\u00eam ensino m\u00e9dio, 26% t\u00eam curso superior e 2% s\u00e3o p\u00f3s-graduados.<\/p>\n<h2>Trabalho humanit\u00e1rio<\/h2>\n<p>O trabalho das For\u00e7as Armadas na Opera\u00e7\u00e3o Acolhida \u00e9 montar estruturas para abrigo, fornecer comida, dar transporte, entre outras quest\u00f5es operacionais. Mas o trabalho de lidar diretamente com os venezuelanos nos abrigos fica, em sua maior parte, a cargo da Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (Acnur).<\/p>\n<p>As barracas para fam\u00edlias s\u00e3o fornecida pela Acnur. S\u00e3o barracas grandes, com capacidade para uma fam\u00edlia com mais de dois filhos. Durante todo o dia, pessoas ligadas \u00e0 Acnur circulam pelo local, prestam apoio e ajudam a resolver problemas comuns de uma comunidade. Nos abrigos os migrantes t\u00eam aulas com professores volunt\u00e1rios, podem aprender sobre a l\u00edngua portuguesa e as leis brasileiras.<\/p>\n<p>\u201cOs abrigos t\u00eam uma din\u00e2mica. Eles cuidam da limpeza do local, servem a pr\u00f3pria alimenta\u00e7\u00e3o, t\u00eam momentos de aulas com professores volunt\u00e1rios. Tem pessoas que apresentam as leis do pa\u00eds. Eles t\u00eam que conhecer seus direitos e deveres e as cidades para onde v\u00e3o\u201d, diz Pazuello.<\/p>\n<p><em>* O rep\u00f3rter e o fot\u00f3grafo viajaram a convite da Casa Civil da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partida de mais 233\u00a0venezuelanos\u00a0para outros estados do Brasil alivia um pouco a demanda crescente por assist\u00eancia em Roraima. Cerca de 4 a 6 mil venezuelanos est\u00e3o em Boa Vista e o estado se prepara para receber mais pessoas que fogem da crise econ\u00f4mica intensa instalada no pa\u00eds vizinho. 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