{"id":35191,"date":"2018-04-06T03:33:05","date_gmt":"2018-04-06T03:33:05","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=35191"},"modified":"2018-04-06T03:33:05","modified_gmt":"2018-04-06T03:33:05","slug":"uma-mulher-que-treina-homens-faz-historia-no-futebol-do-sudao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/uma-mulher-que-treina-homens-faz-historia-no-futebol-do-sudao\/","title":{"rendered":"Uma mulher que treina homens faz hist\u00f3ria no futebol do Sud\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A sudanesa Salma al-Majidi, primeira mulher reconhecida pela Fifa como treinadora de uma equipe masculina de futebol na \u00c1frica e mundo \u00e1rabe, durante entrevista em Gedaref, no Sud\u00e3o, 17 de fevereiro de 2018<\/p>\n<p>No Sud\u00e3o, onde uma sele\u00e7\u00e3o feminina de futebol n\u00e3o passa de um sonho distante, Salma al-Majidi sabia que a \u00fanica maneira de fazer parte de seu esporte favorito seria se tornando t\u00e9cnica no futebol masculino.<\/p>\n<p>Aos 27 anos, Salma \u00e9 uma pioneira no futebol, se tornando a primeira t\u00e9cnica de um time masculino na \u00c1frica e no mundo \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Por que o futebol? Porque \u00e9 meu primeiro e \u00faltimo amor, afirmou Salma al-Majidi, vestida com roupa esportiva e um v\u00e9u negro, enquanto comanda o treino do Al Ahly Al Gadaref, na regi\u00e3o de Gedaref, ao oeste de Cartum.<\/p>\n<p>Eu me tornei treinadora porque ainda n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o futebol feminino no Sud\u00e3o, explicou essa jovem mulher, apelidada carinhosamente de irm\u00e3 treinadora pela equipe.<\/p>\n<p>Filha de um policial aposentado, Salma tinha 16 anos quando se apaixonou pelo futebol vendo o t\u00e9cnico da escola de seu irm\u00e3o treinando uma equipe de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Salma seguia atentamente os conselhos do professor, seus gestos, a maneira como colocava os cones no gramado durante as sess\u00f5es de treinamento.<\/p>\n<p>Ao fim de cada sess\u00e3o de treino, falava com ele das t\u00e9cnicas utilizadas para ensinar os garotos, conta \u00e0 AFP.<\/p>\n<p>Ele viu que eu tinha um dom para o treino e me deu a oportunidade de trabalhar com ele, se orgulha. Pouco depois, Salma al-Majidi p\u00f4de treinar duas equipes juvenis (Sub-13 e Sub-16) do Al Hilil, um clube de Omdurman.<\/p>\n<p>&#8211; Futebol feminino invis\u00edvel &#8211;<\/p>\n<p>Inclu\u00edda na lista das 100 mulheres inspiradoras da BBC em 2015, Salma j\u00e1 treinou diversos clubes masculinos (Al Nasr, Al Nahda, Nile Halfa, Al Mourada).<\/p>\n<p>Mounira Ramadan, que apitava jogos masculinos nos anos 1970, \u00e9 a outra mulher que conseguiu certo reconhecimento na hist\u00f3ria do futebol sudan\u00eas.<\/p>\n<p>Desde 1951, o Sud\u00e3o \u00e9 membro da Fifa e foi um dos fundadores, ao lado de Egito e Eritreia, da Confedera\u00e7\u00e3o Africana de Futebol, conquistando em 1970 o t\u00edtulo continental.<\/p>\n<p>Desde a aprova\u00e7\u00e3o da lei isl\u00e2mica em 1983, o futebol feminino sudan\u00eas vem enfrentando uma miss\u00e3o praticamente imposs\u00edvel. Seis anos depois da implementa\u00e7\u00e3o da Sharia, o presidente Omar al-Bashir tomou o poder atrav\u00e9s de um golpe de Estado apoiado pelos islamitas.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o seja proibido legalmente no Sud\u00e3o, o futebol feminino est\u00e1 na sombra devido ao conservadorismo social e \u00e0s tend\u00eancias islamitas do governo.<\/p>\n<p>H\u00e1 restri\u00e7\u00f5es para o futebol feminino, mas estou decidida a triunfar, garante Salma, que sonha em poder treinar um clube fora de seu pa\u00eds, enquanto seus jogadores levantam poeira no campo ao lado.<\/p>\n<p>&#8211; Os filhos de Salma &#8211;<\/p>\n<p>O Sud\u00e3o \u00e9 um agrupamento de tribos e algumas delas acreditam que uma mulher deve ficar confinada ao lar, explica esta diplomada em contabilidade e gest\u00e3o. Tinha um garoto que n\u00e3o queria escutar. Ele me disse que pertencia a uma tribo que acredita que os homens nunca devem aceitar ordens de mulheres, conta.<\/p>\n<p>Custou alguns meses at\u00e9 que o jovem aceitasse Salma como sua treinadora.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, as pessoas na rua nos chamavam de Filhos da Salma, lembra Majid Ahmed, atacante da equipe e f\u00e3 do astro argentino Lionel Messi.<\/p>\n<p>Na escola temos mulheres professoras, qual o problema de termos uma mulher treinadora?, questiona.<\/p>\n<p>Criada em fam\u00edlia tradicional, foi dif\u00edcil para Salma ter seus desejos respeitados e aceitos, admite seu pai, Mohamed al Majidi.<\/p>\n<p>Um tio que criticava muito a escolha da sobrinha acabou mudando de opini\u00e3o ao assistir a um jogo e ver a torcida na arquibancada gritando seu nome (Salma, Salma!).<\/p>\n<p>Esses membros da fam\u00edlia agora rezam a Al\u00e1 para que ajude ela, diz.<\/p>\n<p>Desde muito cedo, a m\u00e3e da treinadora de futebol sabia que sua filha era diferente.<\/p>\n<p>Ela sempre preferiu vestir cal\u00e7as. At\u00e9 cruzando a rua ela olhava os garotos jogando bola, relata Aisha al-Sharif.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sudanesa Salma al-Majidi, primeira mulher reconhecida pela Fifa como treinadora de uma equipe masculina de futebol na \u00c1frica e mundo \u00e1rabe, durante entrevista em Gedaref, no Sud\u00e3o, 17 de fevereiro de 2018 No Sud\u00e3o, onde uma sele\u00e7\u00e3o feminina de futebol n\u00e3o passa de um sonho distante, Salma al-Majidi sabia que a \u00fanica maneira de &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34842,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-35191","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35191"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35191\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35192,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35191\/revisions\/35192"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34842"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}