{"id":34396,"date":"2018-04-03T16:12:44","date_gmt":"2018-04-03T16:12:44","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=34396"},"modified":"2018-04-03T16:12:44","modified_gmt":"2018-04-03T16:12:44","slug":"ato-lembra-mais-de-40-criancas-mortas-em-tiroteios-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/ato-lembra-mais-de-40-criancas-mortas-em-tiroteios-no-rio\/","title":{"rendered":"Ato lembra mais de 40 crian\u00e7as mortas em tiroteios no Rio"},"content":{"rendered":"<p>Um ato promovido pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Rio de Paz fez hoje (30) uma homenagem a 47 crian\u00e7as at\u00e9 14 anos que morreram em tiroteios no estado do Rio de Janeiro, de 2007 a 2018. A manifesta\u00e7\u00e3o, que foi realizada nas areias da Praia de Copacabana, coincidiu com o primeiro anivers\u00e1rio da morte de Maria Eduarda Alves da Concei\u00e7\u00e3o, de 13 anos, que foi atingida por uma bala perdida dentro de sua escola, em Acari.<\/p>\n<p>A menina estava no gin\u00e1sio da Escola Municipal Daniel Piza, quando foi atingida por tiros disparados por um policial militar, que participava de uma opera\u00e7\u00e3o na comunidade. Os policiais F\u00e1bio de Barros Dias e David Gomes Centeno foram denunciados por homic\u00eddio.<\/p>\n<p>O processo corre na 3\u00aa Vara Criminal do Rio de Janeiro e os dois respondem em liberdade, mas precisam comparecer, de tempos em tempos, ao ju\u00edzo. Segundo a Pol\u00edcia Militar, por enquanto, os dois est\u00e3o executando trabalho administrativo, ou seja, n\u00e3o est\u00e3o fazendo trabalho de patrulhamento ou policiamento de ruas.<\/p>\n<p>\u201cPara mim \u00e9 como se tivesse sido ontem. N\u00e3o vou esquecer nunca a Maria Eduarda, meu beb\u00ea. Ela estava estudando para ser aeromo\u00e7a e atleta. \u00c9 muita saudade. Eu durmo com a Maria Eduarda. Eu levanto com ela falando: mam\u00e3e, est\u00e1 na hora do col\u00e9gio. Minha filha n\u00e3o estava portando fuzil, minha filha n\u00e3o tava no baile dan\u00e7ando, minha filha estava dentro de uma escola. Os policiais chegaram e mataram o sonho da Maria Eduarda\u201d, disse a m\u00e3e, Rosilene Alves Ferreira.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia de Maria Eduarda pede ainda, na Justi\u00e7a, uma indeniza\u00e7\u00e3o ao Estado. Os parentes tamb\u00e9m querem apoio psicol\u00f3gico para superar o trauma.<\/p>\n<p>A Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Pol\u00edticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI) ofereceu assist\u00eancia jur\u00eddica \u00e0 fam\u00edlia da v\u00edtima, junto com a Defensoria P\u00fablica do Estado, mas, segundo o governo fluminense, os parentes optaram por utilizar os servi\u00e7os de um advogado particular. \u201cNa \u00e9poca, a pasta ainda ofereceu assist\u00eancia jur\u00eddica e social aos parentes da v\u00edtima, entretanto, n\u00e3o manifestaram interesse. A SEDHMI refor\u00e7a a disponibilidade em oferecer apoio psicol\u00f3gico, jur\u00eddico e social\u201d, diz a nota.<\/p>\n<p>O protesto<\/p>\n<p>O ato da ONG Rio de Paz envolveu a coloca\u00e7\u00e3o de varais com placas que traziam o nome de cada uma das 47 v\u00edtimas. Al\u00e9m disso, havia pertences das v\u00edtimas e manchas vermelhas na areia, que simbolizavam o sangue das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Durante o protesto, dezenas de colegas de escola de Maria Eduarda fizeram um minuto de sil\u00eancio em homenagem \u00e0s crian\u00e7as. Outra das v\u00edtimas homenageadas foi o menino Jeremias Moraes da Silva, morto, segundo a fam\u00edlia, por policiais militares dentro da favela Nova Holanda.<\/p>\n<p>\u201cA gente v\u00ea um caveir\u00e3o [ve\u00edculo blindado da PM] entrando numa comunidade, a gente j\u00e1 sai correndo, porque sabe que ele vai atirar. A crian\u00e7a estava de costas na porta de uma irm\u00e3 da igreja. Por que a pol\u00edcia atirou? N\u00e3o consigo ter essa resposta. Ele n\u00e3o estava armado, n\u00e3o estava com drogas, n\u00e3o estava com nada. [A pol\u00edcia] atirou por qu\u00ea? \u201d, disse a m\u00e3e do menino, V\u00e2nia Moraes da Silva.<\/p>\n<p>Segundo o presidente da ONG Rio de Paz, Ant\u00f4nio Carlos Costa, muitas dessas mortes ocorreram em confrontos envolvendo a pol\u00edcia. Segundo ele, as autoridades p\u00fablicas n\u00e3o podem deixar os criminosos agirem impunemente, mas o trabalho de seguran\u00e7a p\u00fablica deveria ser feito com mais intelig\u00eancia, de forma a n\u00e3o fazer v\u00edtimas inocentes.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m quer bandido solto, aterrorizando, matando. Mas ningu\u00e9m quer que uma crian\u00e7a pague com o seu sangue o pre\u00e7o de uma pacifica\u00e7\u00e3o que nunca chega\u201d, disse.<\/p>\n<p>Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Seguran\u00e7a informou que publicou, em agosto do ano passado no Di\u00e1rio Oficial do Estado, uma instru\u00e7\u00e3o que estabelece diretrizes para a\u00e7\u00f5es em localidades onde se presume que possa ocorrer elevado risco de confronto armado com criminosos. \u201cAs diretrizes foram elaboradas por um grupo de trabalho institu\u00eddo em julho de 2017 e possui como primeiro princ\u00edpio a preserva\u00e7\u00e3o da vida dos moradores dessas \u00e1reas e dos policiais\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um ato promovido pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Rio de Paz fez hoje (30) uma homenagem a 47 crian\u00e7as at\u00e9 14 anos que morreram em tiroteios no estado do Rio de Janeiro, de 2007 a 2018. 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