{"id":34392,"date":"2018-04-03T16:10:58","date_gmt":"2018-04-03T16:10:58","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=34392"},"modified":"2018-04-03T16:10:58","modified_gmt":"2018-04-03T16:10:58","slug":"avanco-nas-pesquisas-de-trigo-e-estimulo-ao-plantio-sao-ferramentas-do-governo-do-estado-para-aumentar-a-producao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/avanco-nas-pesquisas-de-trigo-e-estimulo-ao-plantio-sao-ferramentas-do-governo-do-estado-para-aumentar-a-producao\/","title":{"rendered":"Avan\u00e7o nas pesquisas de trigo e est\u00edmulo ao plantio s\u00e3o ferramentas do Governo do Estado para aumentar a produ\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Em 20 anos de cultivo do trigo em Minas Gerais, o crescimento da cultura surpreende, gra\u00e7as ao interesse dos produtores e ao avan\u00e7o das pesquisas da Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria de Minas Gerais (Epamig) e dos parceiros: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV) e Universidade Federal de Lavras (Ufla). A Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural (Emater-MG) tamb\u00e9m tem sido fundamental para disseminar as vantagens do trigo.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas d\u00e9cadas, o estado produzia cerca de 20 mil toneladas de trigo, o que representava de 1% a 2% da demanda. A cultura estava concentrada no Tri\u00e2ngulo, Alto Parana\u00edba e Noroeste. Hoje, ela est\u00e1 distribu\u00edda tamb\u00e9m para outras regi\u00f5es, com destaque para o Sul.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, a \u00e1rea plantada registrou aumento de 27 vezes, passando de 3,3 mil hectares para mais de 84 mil hectares, o que fez a Associa\u00e7\u00e3o dos Triticultores do Estado de Minas Gerais estimar uma produ\u00e7\u00e3o de 300 mil toneladas nos pr\u00f3ximos anos, embora o consumo esteja entre 900 mil e 1 milh\u00e3o de toneladas.        <\/p>\n<p>A partir de 2009, a Epamig e a Embrapa intensificaram as pesquisas de manejo cultural e melhoramento gen\u00e9tico do trigo na Fazenda Sert\u00e3ozinho, em Patos de Minas (Regi\u00e3o do Alto Parana\u00edba) para estimular o plantio na entressafra e a rota\u00e7\u00e3o de culturas. Nesse per\u00edodo, as empresas de pesquisa come\u00e7aram a levar experimentos para outras regi\u00f5es aptas ao cultivo do trigo com diferentes condi\u00e7\u00f5es de clima e de solo, pois uma cultivar que se adapta bem ao solo e ao clima do Alto Parana\u00edba pode n\u00e3o se desenvolver bem no Campo das Vertentes ou no Sul de Minas, por exemplo. <\/p>\n<p>\u201cNesse contexto, t\u00ednhamos o panorama e o desafio de avan\u00e7ar, mas precis\u00e1vamos de parceria\u201d, afirma o pesquisador Maur\u00edcio Coelho, com gradua\u00e7\u00e3o em Agronomia, mestrado e doutorado em Fitotecnia pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV) na \u00e1rea de trigo. Segundo ele, que desde 1997 trabalha com o cereal, atualmente a base das pesquisas com a cultura do trigo na Epamig est\u00e3o concentradas no Campo Experimental de Sert\u00e3ozinho, em Patos de Minas, e em Lavras, na unidade da empresa dentro da Ufla, na Regi\u00e3o Sul.<\/p>\n<p>Panorama mineiro e nacional <\/p>\n<p>De acordo com dados de julho de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a \u00e1rea total cultivada no estado \u00e9 de 84.064 hectares e produ\u00e7\u00e3o de 235.760 toneladas. Os munic\u00edpios de Ibi\u00e1, Perdizes, Madre de Deus de Minas, Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es e Rio Parana\u00edba s\u00e3o os cinco primeiros colocados na produ\u00e7\u00e3o mineira e concentram 37,98% do trigo.<\/p>\n<p>No levantamento do IBGE, a produ\u00e7\u00e3o em Minas Gerais foi registrada oficialmente em 77 munic\u00edpios. Nas regi\u00f5es com temperaturas mais elevadas e altitudes mais baixas n\u00e3o h\u00e1 registro do cereal.<\/p>\n<p>O crescimento foi impulsionado pelos esfor\u00e7os conjuntos de a\u00e7\u00f5es governamentais da pesquisa e assist\u00eancia t\u00e9cnica, da ind\u00fastria e dos produtores. A cultura se expandiu dentro das regi\u00f5es que habitualmente j\u00e1 plantavam trigo e avan\u00e7ou para outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, Minas Gerais \u00e9 um importador de trigo, pois a demanda de quase 1 milh\u00e3o de toneladas \u00e9 muito superior \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. Entretanto, a produ\u00e7\u00e3o local n\u00e3o \u00e9 comercializada obrigatoriamente no estado. Entre outros fatores, a alta qualidade do trigo mineiro atrai compradores de S\u00e3o Paulo e Goi\u00e1s, que tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o autossuficientes na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil consome de 10 a 11 milh\u00f5es de toneladas de trigo por ano, enquanto a produ\u00e7\u00e3o nacional oscila entre 4 e 5 milh\u00f5es. Os maiores produtores s\u00e3o Paran\u00e1 e Rio Grande do Sul. Minas Gerais ocupa atualmente o terceiro lugar.<\/p>\n<p>O restante da produ\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 dilu\u00eddo entre S\u00e3o Paulo, Mato Grosso do Sul, Goi\u00e1s e Distrito Federal.  A demanda n\u00e3o atendida pela produ\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 preenchida com a compra do produto em diversos pa\u00edses, entre eles a Argentina.<\/p>\n<p>Com o Programa de Desenvolvimento da Competitividade da Cadeia Produtiva do Trigo (Contrigo) &#8211; criado pelo Governo de Minas Gerais e coordenado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Seapa) -, foi poss\u00edvel estabelecer as parcerias para o crescimento da pesquisa e da cultura no estado. Houve aproxima\u00e7\u00e3o com as universidades federais de Vi\u00e7osa e Lavras, Embrapa Trigo (Passo Fundo &#8211; RS), Sindicato dos Moinhos de Trigo de Minas Gerais e sindicatos de produtores.<\/p>\n<p>\u201cO programa est\u00e1 se ajustando para responder aos novos desafios que v\u00eam sendo apresentados \u00e0 cadeia produtiva do trigo. Em setembro, o conselho foi reformulado e est\u00e3o previstas reuni\u00f5es para defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias alinhadas \u00e0 nova realidade da cultura no estado\u201d, observa o superintendente de Desenvolvimento Agropecu\u00e1rio da Seapa, Leonardo Kalil.<\/p>\n<p>Nessa trajet\u00f3ria, a unidade da Embrapa Trigo e a Epamig perceberam o potencial de Minas Gerais para aumentar a produ\u00e7\u00e3o, pois existia demanda e clima adequado ao plantio em boa parte do estado.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, foram tra\u00e7adas metas pelo Contrigo e levadas informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas a produtores mineiros, mostrando a eles que a cultura do trigo era poss\u00edvel e vantajosa sem competir com a soja e o milho, que s\u00e3o plantados e colhidos em per\u00edodo diferente do ano. \u201cOu seja, quando termina a colheita da soja e do milho, come\u00e7a-se o plantio do trigo, tempo ideal para n\u00e3o deixar a terra descoberta\u201d, orienta o especialista Maur\u00edcio Coelho. <\/p>\n<p>Melhoramento gen\u00e9tico <\/p>\n<p>Para ampliar as informa\u00e7\u00f5es no universo dos produtores rurais foram realizados \u201cdias de campo\u201d com as cultivares ideais, bem como as demais informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas indispens\u00e1veis ao ingresso em uma nova cultura. As condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ideais foram amplamente disseminadas para o desenvolvimento do trigo. As regi\u00f5es onde as temperaturas s\u00e3o mais elevadas facilitam o surgimento e a prolifera\u00e7\u00e3o da brusone, doen\u00e7a que afeta a planta quando aparecem as espigas.<\/p>\n<p>Conforme o pesquisador, o melhoramento gen\u00e9tico precisa de continuidade, pois sempre surgem novos desafios, tais como novas doen\u00e7as, novas pragas, al\u00e9m da constante busca pela melhoria na qualidade e produtividade.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a doen\u00e7a conhecida como brusone se tornou o principal problema para o trigo que \u00e9 plantado em \u00e1reas tropicais ou com temperaturas mais elevadas.<\/p>\n<p>\u201cEm 2010 e 2011 come\u00e7amos a perceber que a patologia se desenvolve quando o trigo est\u00e1 na fase do espigamento. Por isso, o ideal \u00e9 que as espigas possam aparecer numa fase mais fria com temperaturas abaixo de 15 graus\u201d, revela Coelho. <\/p>\n<p>A interfer\u00eancia do clima \u00e9 direta para o aparecimento da doen\u00e7a. Quando o produtor verifica o problema, a recomenda\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica \u00e9 que se aplique fungicida tr\u00eas vezes.<\/p>\n<p>Em algumas regi\u00f5es como no Sul de Minas, onde as temperaturas ficam mais baixas, a doen\u00e7a pode nem aparecer.  Por outro lado, nas regi\u00f5es mais quentes, como o Alto Parana\u00edba, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 que se fa\u00e7a o monitoramento das temperaturas m\u00ednimas na \u00e9poca do espigamento.<\/p>\n<p>Nessas regi\u00f5es mais quentes uma estrat\u00e9gia \u00e9 efetuar a semeadura depois de 15 de mar\u00e7o, fazendo coincidir o espigamento de maio em diante, quando as temperaturas m\u00ednimas j\u00e1 est\u00e3o mais baixas, eliminando a necessidade de aplica\u00e7\u00e3o de fungicidas para controlar a doen\u00e7a. A Epamig tem levado essa importante informa\u00e7\u00e3o ao conhecimento dos produtores, principalmente nas palestras realizadas em eventos t\u00e9cnicos e dias de campo.<\/p>\n<p>Vantagens para o plantio <\/p>\n<p>Maur\u00edcio Coelho faz algumas considera\u00e7\u00f5es capazes de convencer o produtor das vantagens de produzir trigo em Minas Gerais. A primeira delas \u00e9 a de que n\u00e3o haver\u00e1 dificuldade para o produtor vender o gr\u00e3o, pois h\u00e1 liquidez imediata no estado e em todo o pa\u00eds, diferentemente de culturas que t\u00eam os pre\u00e7os reduzidos quando h\u00e1 excesso de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de ser uma commodity e o pre\u00e7o regulado pelo mercado internacional, nos \u00faltimos anos o pre\u00e7o do trigo tem estado bem acima da m\u00e9dia hist\u00f3rica. Maur\u00edcio Coelho observa que \u00e9 imprescind\u00edvel ao produtor saber qual a cultivar a ser plantada, pois devido a caracter\u00edsticas ligadas \u00e0 qualidade industrial do gr\u00e3o algumas cultivares s\u00e3o mais demandadas pela ind\u00fastria.<\/p>\n<p>A segunda vantagem \u00e9 o fato de o plantio ocorrer na entressafra das outras culturas tradicionais, o que traz a oportunidade ao produtor de ganhar um dinheiro a mais, produzindo gr\u00e3os o ano inteiro. Nas \u00e1reas em que se cultiva o trigo, praticamente n\u00e3o ocorre desenvolvimento de plantas daninhas, deixando a \u00e1rea totalmente limpa para implanta\u00e7\u00e3o da cultura de ver\u00e3o, reduzindo drasticamente os custos de implanta\u00e7\u00e3o, principalmente de milho e soja, entre outras.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, ap\u00f3s a colheita do trigo, a palhada deixada sobre a \u00e1rea protege o solo contra eros\u00e3o e mant\u00e9m por mais tempo a umidade do pr\u00f3prio solo. A palhada do trigo, por ter uma rela\u00e7\u00e3o carbono\/nitrog\u00eanio alta, demora a se decompor no solo, reduzindo a capacidade de multiplica\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de doen\u00e7as f\u00fangicas que atacam as culturas de ver\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de tudo isso, o cultivo do trigo \u00e9 uma \u00f3tima op\u00e7\u00e3o de rota\u00e7\u00e3o de culturas que, entre outras vantagens, evita que as doen\u00e7as principais das culturas de ver\u00e3o sejam potencializadas na agricultura\u201d, conclui o pesquisador.<\/p>\n<p>Presente e futuro <\/p>\n<p>De acordo com documento de proje\u00e7\u00f5es da Seapa, a expectativa \u00e9 a de que Minas Gerais passe dos atuais 84,7 mil hectares de trigo para 232 mil hectares na safra de 2026\/2027. A produ\u00e7\u00e3o se elevaria de 236 mil toneladas, em 2017, para 307 mil toneladas daqui a dez anos, com varia\u00e7\u00e3o de 30,53% e crescimento anual de 2,70%.<\/p>\n<p>Para o Brasil &#8212; no mesmo per\u00edodo projetado para Minas Gerais \u2013 a produ\u00e7\u00e3o saltaria dos atuais 5,2 milh\u00f5es de toneladas para 6,8 milh\u00f5es de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). <\/p>\n<p>O estudo, que conta tamb\u00e9m com informa\u00e7\u00f5es do IBGE, ressalta ainda que existem entraves a serem superados no sistema de produ\u00e7\u00e3o do trigo. Entre eles est\u00e3o: infraestrutura de armazenamento adequada para manter a qualidade do gr\u00e3o; segrega\u00e7\u00e3o das cultivares colhidas; log\u00edstica de transporte; e suporte financeiro continuado para apoio t\u00e9cnico na pesquisa, na transfer\u00eancia de novas tecnologias e assist\u00eancia t\u00e9cnica \u00e0 produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 20 anos de cultivo do trigo em Minas Gerais, o crescimento da cultura surpreende, gra\u00e7as ao interesse dos produtores e ao avan\u00e7o das pesquisas da Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria de Minas Gerais (Epamig) e dos parceiros: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV) e Universidade Federal de Lavras (Ufla). 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