{"id":33261,"date":"2018-03-31T08:26:03","date_gmt":"2018-03-31T08:26:03","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=33261"},"modified":"2018-03-31T08:26:03","modified_gmt":"2018-03-31T08:26:03","slug":"ancine-anuncia-cotas-de-genero-e-raca-em-edital-para-producao-de-filmes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/ancine-anuncia-cotas-de-genero-e-raca-em-edital-para-producao-de-filmes\/","title":{"rendered":"Ancine anuncia cotas de g\u00eanero e ra\u00e7a em edital para produ\u00e7\u00e3o de filmes"},"content":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia Nacional de Cinema (Ancine) anunciou hoje (29) que o edital do Concurso Produ\u00e7\u00e3o para Cinema 2018 passar\u00e1 a incluir cotas para diretores negros e ind\u00edgenas e tamb\u00e9m para cineastas mulheres. De acordo com o \u00f3rg\u00e3o, a decis\u00e3o foi tomada pelo comit\u00ea gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, ap\u00f3s ouvir as demandas de entidades e associa\u00e7\u00f5es do setor e levando em considera\u00e7\u00e3o um amplo diagn\u00f3stico feito sobre g\u00eanero e ra\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica brasileira.<\/p>\n<p>O Concurso Produ\u00e7\u00e3o para Cinema 2018 prev\u00ea a destina\u00e7\u00e3o de R$100 milh\u00f5es a projetos de longas-metragens independentes de fic\u00e7\u00e3o, document\u00e1rio ou anima\u00e7\u00e3o. De acordo com a Ancine, pelo menos 35% desse total dever\u00e1 ser destinado a propostas que tenham diretoras mulheres, incluindo mulheres transexuais e travestis. Al\u00e9m disso, no m\u00ednimo 10% do montante ser\u00e1 reservado a projetos com diretores negros e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>O edital foi lan\u00e7ado no dia 19 de mar\u00e7o sem essa novidade, mas na \u00faltima segunda-feira (26) as mudan\u00e7as foram aprovadas. A vers\u00e3o retificada da chamada p\u00fablica deve ser publicada na internet ainda hoje (29).<\/p>\n<p>Os R$100 milh\u00f5es s\u00e3o provenientes do Fundo Setorial de Audiovisual, gerido por representantes da Ancine, do Minist\u00e9rio da Cultura, de agentes financeiros credenciados e da ind\u00fastria audiovisual. A principal fonte de receita do fundo \u00e9 a Contribui\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1fica Nacional (Condecine), que \u00e9 cobrada sobre veicula\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o, licenciamento e distribui\u00e7\u00e3o de obras cinematogr\u00e1ficas e videofonogr\u00e1ficas com fins comerciais.<\/p>\n<p>Outra mudan\u00e7a aprovada pelo comit\u00ea gestor do fundo foi a altera\u00e7\u00e3o nos pesos dos quesitos de avalia\u00e7\u00e3o dos projetos na modalidade B, que contempla longas-metragens de fic\u00e7\u00e3o, document\u00e1rio e anima\u00e7\u00e3o com \u00eanfase em projetos de perfil autoral e prop\u00f3sitos art\u00edsticos evidentes. A pontua\u00e7\u00e3o do projeto ser\u00e1 mais relevante para a classifica\u00e7\u00e3o, do que outros crit\u00e9rios. A expectativa \u00e9 de que as mudan\u00e7as permitam que produtoras pequenas e iniciantes tenham mais oportunidades de serem contempladas.<\/p>\n<p>Pesquisas<\/p>\n<p>Segundo a Ancine, uma pesquisa da Comiss\u00e3o de G\u00eanero e Diversidade do \u00f3rg\u00e3o detectou que 75,4% dos filmes lan\u00e7ados em 2016 foram dirigidos por homens brancos. Da\u00ed a necessidade de se criar medidas voltadas para ampliar a representatividade de mulheres, negros e ind\u00edgenas no setor. A ideia \u00e9 que o instrumento ajude a diversificar a produ\u00e7\u00e3o audiovisual nacional, criando produtos que reflitam a imagem e a realidade da maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira, informou o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>A defesa de medidas espec\u00edficas para o financiamento de filmes dirigidos por mulheres, negros e ind\u00edgenas \u00e9 uma bandeira que vem sendo levantada nos \u00faltimos anos por atuantes no setor. H\u00e1 dois anos, um levantamento divulgado pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da A\u00e7\u00e3o Afirmativa (Gemaa), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), mostrou que nenhum dos 20 filmes nacionais com as maiores bilheterias entre 2002 e 2014 foi dirigido por uma mulher negra. Al\u00e9m disso, apenas 2% foram dirigidos por homens negros.<\/p>\n<p>Durante a Mostra de Cinema de Tiradentes ocorrida em janeiro deste ano, evento que abre o calend\u00e1rio cinematogr\u00e1fico do pa\u00eds, o curador Cl\u00e9ber Eduardo defendeu editais espec\u00edficos para diretores negros. Um ano antes, a mostra j\u00e1 havia chamado a aten\u00e7\u00e3o para a presen\u00e7a da mulher na produ\u00e7\u00e3o de filmes brasileiros.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de g\u00eanero no audiovisual tamb\u00e9m foi tema de uma outra pesquisa divulgada hoje (29) pela Ancine. Trata-se de um estudo in\u00e9dito sobre os filmes exibidos nos canais de televis\u00e3o por assinatura ao longo de 2017. O levantamento foi conduzido pelo Observat\u00f3rio Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA).<\/p>\n<p>De acordo com o \u00f3rg\u00e3o, o cen\u00e1rio de desigualdade \u00e9 similar ao observado nas salas de cinema. Embora as mulheres representem 53% do total de graduados em cursos de audiovisual e respondam por 52% dos empregos formais em empresas produtoras, assinaram apenas 15% das obras brasileiras veiculadas nos canais de televis\u00e3o por assinatura no ano passado. Setenta e nove por cento dos filmes exibidos foram dirigidos por homens e 6% tiveram dire\u00e7\u00e3o mista. Em 28 canais, n\u00e3o houve sequer uma produ\u00e7\u00e3o com dire\u00e7\u00e3o exclusivamente feminina.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Denise Griesinger<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia Nacional de Cinema (Ancine) anunciou hoje (29) que o edital do Concurso Produ\u00e7\u00e3o para Cinema 2018 passar\u00e1 a incluir cotas para diretores negros e ind\u00edgenas e tamb\u00e9m para cineastas mulheres. 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