{"id":33084,"date":"2018-03-31T07:14:36","date_gmt":"2018-03-31T07:14:36","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=33084"},"modified":"2018-03-31T07:14:36","modified_gmt":"2018-03-31T07:14:36","slug":"a-viagem-esgotante-dos-evacuados-de-ghuta-em-uma-siria-dividida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/a-viagem-esgotante-dos-evacuados-de-ghuta-em-uma-siria-dividida\/","title":{"rendered":"A viagem esgotante dos evacuados de Ghuta em uma S\u00edria dividida"},"content":{"rendered":"<p>Com o rosto colado ao vidro da janelinha, a menina observa a paisagem de pr\u00e9dios destru\u00eddos enquanto o \u00f4nibus come\u00e7a a se mover. Para os civis evacuados de Ghuta Oriental, \u00e9 o come\u00e7o de uma viagem cansativa em uma S\u00edria dividida.<\/p>\n<p>Milhares de evacuados deixam o \u00faltimo reduto rebelde \u00e0s portas da capital, reconquistado em mais de 90% pelo governo, rumo \u00e0 prov\u00edncia de Idlib (noroeste) que foge ao controle de Damasco. Uma viagem de 12 horas os espera, geralmente \u00e0 noite, sob escolta de militares russos.<\/p>\n<p>Mas antes precisam ter paci\u00eancia e aguardar horas nos arredores de Damasco at\u00e9 que dezenas de \u00f4nibus se encham.<\/p>\n<p>Desde 22 de mar\u00e7o, mais de 17 mil pessoas &#8211; em sua maioria combatentes desarmados com suas fam\u00edlias e simples moradores &#8211; sa\u00edram dos territ\u00f3rios rebeldes de Ghuta.<\/p>\n<p>Nos revistaram, anotaram nossos nomes e tiraram v\u00e1rios carregadores de muni\u00e7\u00f5es de cada combatente, declara Mohamed Omar Kheir, de 20 anos, quando se disp\u00f5em a sair de Ghuta.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Militar russa supervisionava toda a opera\u00e7\u00e3o, acrescenta.<\/p>\n<p>Em meio a uma paisagem apocal\u00edptica em Arbin, ex-reduto rebelde devastado pelo bombardeio do governo, homens, mulheres e crian\u00e7as, em cima de amontoados de escombros, esperam sua vez para embarcar com seus poucos pertences: sacos de juta, mantas e trouxas modestas.<\/p>\n<p>Na estrada dos arredores de Damasco, o comboio vai aumentando \u00e0 espera de permiss\u00e3o para sair. Um \u00f4nibus est\u00e1 adornado com cachos de uva de pl\u00e1stico e peles falsas.<\/p>\n<p>&#8211; Insultos &#8211;<\/p>\n<p>Um militar russo sobe no ve\u00edculo e supervisiona os soldados s\u00edrios que realizam uma \u00faltima inspe\u00e7\u00e3o. O ambiente \u00e9 distendido. N\u00e3o fala uma palavra de \u00e1rabe, brinca um dos evacuados.<\/p>\n<p>Um pouco mais distante, o Crescente Vermelho s\u00edrio divide biscoitos, pistaches e \u00e1gua.<\/p>\n<p>O comboio sai da regi\u00e3o de Damasco. Ao longo de toda a rota at\u00e9 Idlib, mais ao norte, equipes de militares russos que escoltam os \u00f4nibus em seus pr\u00f3prios ve\u00edculos v\u00e3o se revezando.<\/p>\n<p>O cansa\u00e7o \u00e9 not\u00e1vel. As crian\u00e7as se queixam. Pare j\u00e1!, grita uma m\u00e3e. Sente-se, diz um pai a sua filha.<\/p>\n<p>O comboio avan\u00e7a ao norte pelo territ\u00f3rio do governo. O porto mediterr\u00e2neo de Tartus. A cidade de Banias. A prov\u00edncia de Hama.<\/p>\n<p>Na estrada se v\u00ea um bairro residencial modesto controlado pelo governo. N\u00e3o h\u00e1 destro\u00e7os, e sim palmeiras ao longo de uma rua de im\u00f3veis com fachadas cuidadas. Em um cruzamento h\u00e1 retratos do presidente Bashar al-Assad e de seu antecessor, seu pai Hafez, acompanhados pelas cores da bandeira s\u00edria.<\/p>\n<p>Em um destacamento do governo, v\u00e1rios soldados veem o \u00f4nibus passar e gravam com seus celulares, ou fazem um gesto obsceno levantando o dedo m\u00e9dio. Os passageiros os insultam.<\/p>\n<p>&#8211; Um inferno &#8211;<\/p>\n<p>O comboio chega ao povoado de Qalaat al-Madiq, setor sob controle rebelde da prov\u00edncia de Hama (centro) na estrada at\u00e9 Idlib. Nas primeiras duas horas de viagem reina o sil\u00eancio. Os mais jovens dormem e os adultos est\u00e3o esgotados.<\/p>\n<p>Trazem malas cheias e sacolas pl\u00e1sticas com seus pertences. Alguns socorristas transportam os feridos a uma cl\u00ednica m\u00f3vel para cuidados b\u00e1sicos. Um jovem com a cabe\u00e7a enfaixada espera sua vez em uma cadeira de rodas.<\/p>\n<p>Os viajantes descansam no ch\u00e3o e rep\u00f5em for\u00e7as para o resto da viagem. Seu destino: os campos de deslocados, ou casas de conhecidos. Sentada ao lado da bagagem, uma jovem devora uma banana.<\/p>\n<p>Desde o lan\u00e7amento de uma ofensiva devastadora em 18 de fevereiro, o governo reconquistou mais de 90% dos territ\u00f3rios rebeldes de Ghuta.<\/p>\n<p>Mais de um m\u00eas de bombardeios a\u00e9reos e combates mataram mais de 1.600 civis, de acordo com o Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos (OSDH).<\/p>\n<p>Nossa situa\u00e7\u00e3o era realmente muito dif\u00edcil. Nos privaram do mais b\u00e1sico. N\u00e3o t\u00ednhamos \u00e1gua, muitas doen\u00e7as foram desenvolvidas, afirma Mohamed. Transformaram nossa vida em um aut\u00eantico inferno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o rosto colado ao vidro da janelinha, a menina observa a paisagem de pr\u00e9dios destru\u00eddos enquanto o \u00f4nibus come\u00e7a a se mover. Para os civis evacuados de Ghuta Oriental, \u00e9 o come\u00e7o de uma viagem cansativa em uma S\u00edria dividida. Milhares de evacuados deixam o \u00faltimo reduto rebelde \u00e0s portas da capital, reconquistado em &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":32450,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33084"}],"collection":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33084"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33084\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33085,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33084\/revisions\/33085"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32450"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33084"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33084"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33084"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}