{"id":33068,"date":"2018-03-31T07:08:11","date_gmt":"2018-03-31T07:08:11","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=33068"},"modified":"2018-03-31T07:08:11","modified_gmt":"2018-03-31T07:08:11","slug":"foto-de-mulher-fazendo-prova-com-seu-bebe-comove-afeganistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/foto-de-mulher-fazendo-prova-com-seu-bebe-comove-afeganistao\/","title":{"rendered":"Foto de mulher fazendo prova com seu beb\u00ea comove Afeganist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Sentada no ch\u00e3o com seu beb\u00ea no colo, Jahantab Ahmadi faz uma prova cercada por estudantes em suas carteiras. O poder dessa foto provocou como\u00e7\u00e3o no Afeganist\u00e3o, onde muitas mulheres ainda s\u00e3o analfabetas.<\/p>\n<p>O contraste \u00e9 evidente entre o desconforto da jovem m\u00e3e, concentrada sob seu v\u00e9u azul, segurando um l\u00e1pis, e o resto dos candidatos, em suas carteiras perfeitamente alinhadas durante as provas de sele\u00e7\u00e3o da Universidade privada de Nasir Khusraw, no centro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero que me privem de meus estudos, diz \u00e0 AFP Jahantab Ahmadi, de 25 anos, com seu terceiro filho nos bra\u00e7os.<\/p>\n<p>Vem de um pequeno povoado da prov\u00edncia de Daikundi, onde o trigo, o milho e as batatas garantem rendas baixas, e quer trabalhar fora de casa. Quero ser m\u00e9dica, servir as mulheres da minha comunidade ou da minha sociedade, diz.<\/p>\n<p>Para poder se apresentar para esta prova em meados de mar\u00e7o, Jahantab Ahmadi primeiro teve que caminhar por duas horas pelas montanhas. Depois, utilizou o transporte p\u00fablico para chegar, nove horas de solavancos depois, na capital provincial, Nili.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da prova, realizada ao ar livre, se sentou em uma carteira, como os outros. Mas sua filha Khizran, de meses, estava com dor no ouvido e n\u00e3o parava de chorar.<\/p>\n<p>Para acalm\u00e1-la e n\u00e3o incomodar os colegas, Jahantab se instalou no ch\u00e3o atr\u00e1s de outro aspirante. Tinha que me concentrar no beb\u00ea e fazer a prova.<\/p>\n<p>Um professor da universidade registrou o momento, e a foto se tornou viral nas redes sociais em seu pa\u00eds, sem que ela soubesse.<\/p>\n<p>Meus amigos no povoado me disseram: Te fotografaram. Eu lhes disse: Como n\u00e3o percebi que estavam tirando a minha foto? E eles me responderam que eu estava concentrada em minha prova, lembra.<\/p>\n<p>&#8211; O objetivo da minha vida &#8211;<\/p>\n<p>As redes sociais se apoderaram do seu caso. A Associa\u00e7\u00e3o da Juventude Afeg\u00e3 lan\u00e7ou uma campanha na internet para ajudar a financiar seus estudos e arrecadou 14.000 d\u00f3lares, uma fortuna em um pa\u00eds onde 39% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pobre.<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 uma verdadeira campe\u00e3 mundial. Demonstrou que uma mulher hazara pode fazer qualquer coisa em qualquer condi\u00e7\u00e3o ou circunst\u00e2ncia, escreveu-lhe um homem no Facebook, referindo-se \u00e0 sua etnia, considerada a mais liberal entre as quatro principais do Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro internauta disse que espera que esta jovem t\u00e3o aplicada alcance seus objetivos.<\/p>\n<p>Jahantab Ahmadi tamb\u00e9m impressionou Zahra Yagana, defensora dos direitos das mulheres, que entrou em contato com ela e a convenceu a ir estudar em Cabul.<\/p>\n<p>Agora, est\u00e1 ajudando-a a se inscrever em uma universidade privada da capital e hospeda a jovem m\u00e3e com seu esposo e seus filhos.<\/p>\n<p>Se tivesse que estudar em Daikundi seria duro para ela, explica a ativista \u00e0 AFP. L\u00e1 o n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o \u00e9 baixo. N\u00e3o h\u00e1 resid\u00eancia universit\u00e1ria e teria que viver de aluguel, diz.<\/p>\n<p>Buscaremos um alojamento (em Cabul) para ela. Muitos amigos aqui prometeram ajud\u00e1-la. Tentaremos encontrar trabalho para seu marido e tamb\u00e9m arrecadar fundos para que seus filhos possam ir \u00e0 escola.<\/p>\n<p>\u00c9 a solu\u00e7\u00e3o ideal para Jahantab Ahmadi, cujo objetivo na vida era ser admitida na universidade, conta.<\/p>\n<p>Mas devido \u00e0 nossa pobreza n\u00e3o pude me permitir estudar durante tr\u00eas ou quatro anos, lamenta esta jovem, que terminou a escola depois de se casar aos 18 anos.<\/p>\n<p>O Afeganist\u00e3o tem uma das taxas de alfabetiza\u00e7\u00e3o mais baixas do mundo: cerca de 36% segundo dados oficiais, e entre as mulheres \u00e9 ainda mais baixa.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero ficar para tr\u00e1s, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sentada no ch\u00e3o com seu beb\u00ea no colo, Jahantab Ahmadi faz uma prova cercada por estudantes em suas carteiras. O poder dessa foto provocou como\u00e7\u00e3o no Afeganist\u00e3o, onde muitas mulheres ainda s\u00e3o analfabetas. 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