{"id":31746,"date":"2018-03-26T12:42:41","date_gmt":"2018-03-26T12:42:41","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=31746"},"modified":"2018-03-26T12:42:41","modified_gmt":"2018-03-26T12:42:41","slug":"como-facebook-ajudou-obama-e-talvez-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/como-facebook-ajudou-obama-e-talvez-trump\/","title":{"rendered":"Como Facebook ajudou Obama e, talvez, Trump"},"content":{"rendered":"<p>O uso de dados pessoais de usu\u00e1rios do Facebook e de outras redes sociais para seduzir eleitores n\u00e3o \u00e9 novidade. Barack Obama fez uso disso em 2008 e mais ainda em 2012, quando buscava sua reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o sobre o uso de dados de 50 milh\u00f5es de usu\u00e1rios do Facebook gerou uma intensa pol\u00eamica sobre o manejo desta informa\u00e7\u00e3o particular por pol\u00edticos e especialistas em Marketing e Psicologia.<\/p>\n<p>A empresa brit\u00e2nica Cambridge Analytica, que trabalhou com Donald Trump e est\u00e1 no meio de uma tormenta, assegura que n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica a usar dados coletados das redes sociais para chegar aos eleitores.<\/p>\n<p>O professor da Universidade de Rutgers em Nova Jersey e autor de um estudo sobre o tema, Chirag Shah, explica que, em 2008, os dados coletados permitiram ao jovem senador Obama analisar os Estados Unidos e elaborar seu programa.<\/p>\n<p>Quatro anos depois, recorda Victoria Farrar-Myers, professora de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade Metodista Meridional, no Texas, a equipe de campanha do presidente democrata usou os dados para convencer os que haviam votado em 2008, mas n\u00e3o estavam certos de faz\u00ea-lo novamente, especialmente os mais jovens.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo usado se chama micro-targeting, ou micro-marketing, e, na realidade, data dos anos 1970, muito antes da Internet. Ele permite identificar por meio de informa\u00e7\u00f5es pessoais um tema que os motive e leve (os eleitores) \u00e0s urnas, explica.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata tanto de fazer o eleitor mudar de opini\u00e3o, mas de estimul\u00e1-lo a ir votar, j\u00e1 que a mobiliza\u00e7\u00e3o de cada grupo \u00e9 muitas vezes determinante.<\/p>\n<p>A campanha de Trump tamb\u00e9m recorreu \u00e0 micro-targeting (ou microssegmenta\u00e7\u00e3o) em 2016, principalmente gra\u00e7as aos dados coletados pela Cambridge Analytica.<\/p>\n<p>Farrar-Myers lembra que, com a aproxima\u00e7\u00e3o da elei\u00e7\u00e3o presidencial americana, a campanha de Trump multiplicou os atos pol\u00edticos em cidades aparentemente alheias, identificadas como potencialmente conquist\u00e1veis, gra\u00e7as \u00e0s redes sociais. E, ao final, muitas se inclinaram pelo grupo republicano.<\/p>\n<p>Segundo documentos publicados pela Comiss\u00e3o Federal Eleitoral, o novo conselheiro de Seguran\u00e7a Nacional da Casa Branca, John Bolton, designado na quinta-feira (21), tamb\u00e9m recorreu \u00e0 Cambridge Analytica no \u00e2mbito de seu fundo de apoio a v\u00e1rios candidatos republicanos no Congresso.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o roubamos dados &#8211;<\/p>\n<p>Antigos funcion\u00e1rios da campanha de Obama negaram de forma taxativa qualquer compara\u00e7\u00e3o com o esc\u00e2ndalo da Cambridge Analytica, no qual um pesquisador acad\u00eamico \u00e9 acusado de obter dados sem consentimento, ao usar um question\u00e1rio do Facebook sobre a personalidade dos usu\u00e1rios e transferi-lo para a empresa de maneira inapropriada.<\/p>\n<p>Como se atrevem!; N\u00e3o roubamos dados das p\u00e1ginas particulares do Facebook de eleitores sob falsos pretextos, diferentemente do que a Cambridge Analytica fez, afirmou pelo Twitter Michael Simon, respons\u00e1vel de an\u00e1lise de dados da campanha de Obama em 2008.<\/p>\n<p>Em um editorial publicado pelo site Medium, Rayid Ghani, um cientista de refer\u00eancia para a campanha de Obama em 2012, disse ter pedido aos partid\u00e1rios do candidato sua autoriza\u00e7\u00e3o antes de usar os dados de seu perfil no Facebook.<\/p>\n<p>Suas equipes ent\u00e3o sugeriram a esses simpatizantes que pedissem a alguns de seus amigos identificados pela campanha para votar no dia das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os amigos n\u00e3o foram alertados dessa estrat\u00e9gia, por\u00e9m, e seus dados foram usados \u200b\u200bsem autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em um artigo publicado em 2013 pela New York Times Magazine, em 2012, um membro da equipe de Ghani explicou que o uso do Facebook havia permitido refor\u00e7ar a lista de eleitores a serem contactados, e que, no fim, isso significou 15 milh\u00f5es de eleitores a mais.<\/p>\n<p>Embora os m\u00e9todos da Cambridge Analytica para obter informa\u00e7\u00f5es estejam em disputa, efetivamente nem as campanhas de Obama nem a campanha de Trump infringiram a lei sobre prote\u00e7\u00e3o de dados de car\u00e1ter privado, ou mesmo as regras internas do Facebook, que foram atualizadas em 2015.<\/p>\n<p>Para mim, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o da vida privada, \u00e0 medida que uma pessoa que usa as redes sociais opta por compartilhar suas informa\u00e7\u00f5es pessoais, considerou a professora Farrar-Myers, simpatizante democrata.<\/p>\n<p>Chirag Shah vai ainda mais longe: Quando voc\u00ea posta algo no Facebook, uma foto, uma mensagem, isso pertence ao Facebook (&#8230;) Enquanto isso n\u00e3o mudar, vamos continuar ultrapassando os limites da privacidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O uso de dados pessoais de usu\u00e1rios do Facebook e de outras redes sociais para seduzir eleitores n\u00e3o \u00e9 novidade. 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