{"id":3137,"date":"2017-12-23T20:23:46","date_gmt":"2017-12-23T20:23:46","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=3137"},"modified":"2017-12-23T20:23:46","modified_gmt":"2017-12-23T20:23:46","slug":"mexicanos-se-organizam-nas-ruas-para-ajudar-nos-resgates","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/mexicanos-se-organizam-nas-ruas-para-ajudar-nos-resgates\/","title":{"rendered":"Mexicanos se organizam nas ruas para ajudar nos resgates"},"content":{"rendered":"<p>Sobram m\u00e3os para revirar os escombros, comida e \u00e1gua aparecem em abund\u00e2ncia, assim como m\u00e9dicos e equipes de resgate, enquanto que estudantes universit\u00e1rios oferecem seus servi\u00e7os para diminuir o sofrimento do terremoto sofrido no M\u00e9xico. Como no terremoto de 1985, os mexicanos se organizam nas ruas no resgate de sua cidade.<\/p>\n<p>Assim que a terra tremeu \u00e0s 13H14 do hor\u00e1rio local (18H14 GMT, 15H14 hor\u00e1rio de Bras\u00edlia) de ter\u00e7a-feira derrubando dezenas de edif\u00edcios na capital, os civis reuniram for\u00e7as e se lan\u00e7aram na busca por sobreviventes.<\/p>\n<p>Aos gritos tentavam encontrar sinais de vida entre os escombros. Logo se juntaram a socorristas, bombeiros, militares e policiais.<\/p>\n<p>H\u00e1 exatos 32 anos, diante de um governo ausente ap\u00f3s um terremoto de 8,1 que deixou mais de 10.000 mortos, os mexicanos se organizaram para levantar a megal\u00f3pole de suas ru\u00ednas, transformando sua hist\u00f3ria social e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Novamente, e lado a lado com as autoridades e com apoio de tecnologia do s\u00e9culo XXI, os cidad\u00e3os participam do resgate.<\/p>\n<p>&#8211; Her\u00f3is an\u00f4nimos &#8211;<\/p>\n<p>Nesta quarta-feira, nos escombros da escola prim\u00e1ria Enrique Rebsamen, onde 21 crian\u00e7as morreram, um civil volunt\u00e1rio sem treinamento algum foi determinante para resgatar uma menina presa por mais de 24 horas.<\/p>\n<p>Com seu porte pequeno, o volunt\u00e1rio conseguiu entrar em um estreito corredor da pilha de escombros para estabelecer contato com a menina e passar \u00e1gua.<\/p>\n<p>Milhares se ofereceram para escavar com as pr\u00f3prias m\u00e3os, mulheres levavam alimentos, \u00e1gua e equipamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Estudantes universit\u00e1rios ofereciam seus servi\u00e7os para atender feridos, avaliar edif\u00edcios danificados e dar ajuda psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>&#8211; Cante e n\u00e3o chore &#8211;<\/p>\n<p>A solidariedade se expandiu e, tanto na imprensa como nos locais afetados, pedia-se para que n\u00e3o enviassem mais alimentos perec\u00edveis e que se selccionasse cuidadosamente os resgatistas volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>Estamos perdendo comida, j\u00e1 n\u00e3o precisamos de \u00e1gua. Temos uma lista de materiais m\u00e9dicos que necessitamos, disse um militar em Condesa.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso deixar voc\u00ea passar sem capacete, disse um chefe da Defesa Civil a um resgatista, que rapidamente conseguiu um e se enfiou nos escombros.<\/p>\n<p>Nas proximidades, passava uma mulher compartilhando sandu\u00edches com volunt\u00e1rios, enquanto outros distribu\u00edam \u00e1gua. Um restaurante fechou as portas e decidiu distribuir alimentos gratuitamente.<\/p>\n<p>Pelas ruas podem ser vistas muitas caminhonetes com socorristas ou carregadas de ajuda humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Na trag\u00e9dia n\u00e3o faltam manifesta\u00e7\u00f5es de alegria quando se consegue resgatar algum sobrevivente. Um grupo de volunt\u00e1rios entoava a todo pulm\u00e3o o verso cante e n\u00e3o chore da popular can\u00e7\u00e3o Cielito lindo.<\/p>\n<p>Uma fam\u00edlia incentivava os socorristas levantando cartazes com a frase obrigada por sua ajuda e a bandeira nacional \u00e9 vista com frequ\u00eancia pelas ruas.<\/p>\n<p>Os cidad\u00e3os, muito cr\u00edticos em rela\u00e7\u00e3o aos militares desde que, em 2006, foram encarregados pelo combate ao narcotr\u00e1fico, agora os reconhecem como parte do esfor\u00e7o de resgate.<\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 32 anos &#8211;<\/p>\n<p>A mem\u00f3ria coletiva ditou os passos seguidos, pois os chilangos, como s\u00e3o chamados os mexicanos da capital, viveram uma trag\u00e9dia ainda maior com o terremoto de 19 de setembro de 1985, que deixou grande parte da cidade em ru\u00ednas.<\/p>\n<p>H\u00e1 32 anos, muitos iam para o trabalho quando subitamente patr\u00f5es e oper\u00e1rios se transformaram em socorristas improvisados que se metiam em edif\u00edcios, hospitais e escrit\u00f3rios em busca de sobreviventes.<\/p>\n<p>Surgiram os Topos, valentes homens que se metiam em buracos estreitos e viajaram para todos os continentes para auxiliar nos desastres.<\/p>\n<p>Eram outros tempos, as comunica\u00e7\u00f5es entraram em colapso, isolando o M\u00e9xico do resto do mundo, sem servi\u00e7o de telefonia. O ent\u00e3o presidente Miguel de la Madrid ficou horas sem aparecer. Os mexicanos se sentiram abandonados.<\/p>\n<p>Dos escombros desse terremoto surgiu uma sociedade civil organizada, transformada em uma forte voz cr\u00edtica e foram cimentadas as bases da Defesa Civil no M\u00e9xico, sacudido com frequ\u00eancia por terremotos e arrasado por furac\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; Compartilhem sua internet! &#8211;<\/p>\n<p>O WhatsApp se tornou na ter\u00e7a-feira o \u00fanico canal de comunica\u00e7\u00e3o. Serviu para que os mexicanos na capital soubessem de seus amigos e familiares e para alertar sobre as situa\u00e7\u00f5es de risco.<\/p>\n<p>Mas o aplicativo foi usado sobretudo para localizar desaparecidos. Compartilhem sua internet no celular, tirem a senha para que as pessoas presas se conectem, pediram nos edif\u00edcios colapsados.<\/p>\n<p>Correspondentes estrangeiros enviaram por WhatsApp os pormenores da trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Em 1985, a imprensa estrangeira p\u00f4de come\u00e7ar a informar no dia 20 de setembro, quando o mundo achava que a capital e seus 10 milh\u00f5es de habitantes tinham desaparecido.<\/p>\n<p>Envi\u00e1vamos por telex no clube de correspondentes. Havia quatro e s\u00f3 podiam ser ocupados por 10 minutos, lembra Omar Torres, fot\u00f3grafo da AFP no M\u00e9xico, que cobriu os dois violentos terremotos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobram m\u00e3os para revirar os escombros, comida e \u00e1gua aparecem em abund\u00e2ncia, assim como m\u00e9dicos e equipes de resgate, enquanto que estudantes universit\u00e1rios oferecem seus servi\u00e7os para diminuir o sofrimento do terremoto sofrido no M\u00e9xico. 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