{"id":30974,"date":"2018-03-23T21:39:20","date_gmt":"2018-03-23T21:39:20","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=30974"},"modified":"2018-03-23T21:39:20","modified_gmt":"2018-03-23T21:39:20","slug":"em-forum-povos-indigenas-ensinam-que-agua-deve-ser-reverenciada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/em-forum-povos-indigenas-ensinam-que-agua-deve-ser-reverenciada\/","title":{"rendered":"Em f\u00f3rum, povos ind\u00edgenas ensinam que \u00e1gua deve ser reverenciada"},"content":{"rendered":"<p>Tratando a \u00e1gua como um membro da fam\u00edlia e como algo sagrado a ser conservado para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, as comunidades ind\u00edgenas de pa\u00edses sul-americanos defenderam a preserva\u00e7\u00e3o dos rios e montanhas e criticaram as propostas de privatiza\u00e7\u00e3o e venda de mananciais e aqu\u00edferos durante o 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua.<\/p>\n<p>A brasileira Maria Alice Campos Freire, do Conselho Internacional das Treze Av\u00f3s Ind\u00edgenas, explicou que os povos ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia sempre tiveram uma rela\u00e7\u00e3o de respeito com a \u00e1gua, que \u00e9 passada de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o desde os ancestrais. Na educa\u00e7\u00e3o tradicional, a \u00e1gua, conta, \u00e9 reverenciada e, antes de se pensar no consumo, deve ser observada como algo que devemos reverenciar.<\/p>\n<p>Esse conhecimento a gente passa para as filhas. Quando eu eduquei as minhas, sempre tinha um dia da semana em que sa\u00edamos sempre muito cedo, de manh\u00e3, sem falar nada. \u00cdamos em sil\u00eancio \u00e0 beira da \u00e1gua cantar para ela, louvar \u00e0 agua, como forma de agradecimento \u00e0 pureza e nossas rela\u00e7\u00f5es, disse.<\/p>\n<p>Na tarde de hoje, no Centro de Conven\u00e7\u00f5es Ulysses Guimar\u00e3es, a sess\u00e3o especial Culturas de \u00c1gua dos Povos Ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina foi coordenada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco).<\/p>\n<p>Vinda da Guatemala, a ind\u00edgena Ana Francisca P\u00e9rez Conguache, da etnia Poqoman, de origem maia, \u00e9 coordenadora da Rede de Mulheres Ind\u00edgenas. Ela relata que enquanto a maioria s\u00f3 pensa na \u00e1gua para o consumo humano vinda em tubos, as comunidades ind\u00edgenas sabem que esse bem vem das montanhas.<\/p>\n<p>Mas quem conserva os rios, os mananciais? Ela \u00e9 sagrada. Estamos tratando a forma de dizer n\u00e3o \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, mas queremos a participa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas. Por isso, tamb\u00e9m perten\u00e7o \u00e0 floresta [na Guatemala], onde h\u00e1 75 nascentes de \u00e1gua que s\u00e3o conservadas pelas mulheres e homens.<\/p>\n<p>O subsecret\u00e1rio de Demarca\u00e7\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Equador, Lu\u00eds Olmedo Iza Quinatoa, apresentou as conquistas dos povos ind\u00edgenas no pa\u00eds ao longo dos anos. Segundo ele, foi devido \u00e0 uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o em 1992, na qual foi ocupado e demarcado um territ\u00f3rio onde havia nascentes de \u00e1gua, que os equatorianos conseguiram um fato hist\u00f3rico: a aceita\u00e7\u00e3o pela sociedade da exist\u00eancia dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s seguidas lutas e avan\u00e7os jur\u00eddicos, que permitiram inclusive a autonomia financeira e administrativa das comunidades para administrarem internamente os recursos h\u00eddricos, Lu\u00eds Quinatoa afirmou que no ano passado foi nomeado o primeiro-ministro ind\u00edgena da hist\u00f3ria do Equador.<\/p>\n<p>Somos seres conectados. Para n\u00f3s, a \u00e1gua \u00e9 um ser vivo, divino de uso e propriedade comunit\u00e1ria e portanto deve ser compartilhada. N\u00e3o entendemos como se deve vender a \u00e1gua. Sempre protegemos e insistimos que nossos recursos naturais n\u00e3o fossem destru\u00eddos. Quando as propriedades privadas come\u00e7am o processo de destrui\u00e7\u00e3o desses ecossistemas ficamos sem possibilidade de coletar a \u00e1gua, destacou.<\/p>\n<p>J\u00e1 Freya Antimilla, representando os povos Mapuche, do Chile, defendeu que as respostas para os recentes descompassos com a natureza, especialmente relacionados \u00e0 \u00e1gua, est\u00e3o nos povos originais. A \u00e1gua \u00e9 vida. \u00c9 a nossa m\u00e3e, \u00e9 a nossa vitalidade e o equil\u00edbrio com os elementos da Terra, com os pr\u00f3prios elementos dessa natureza. \u00c9 equil\u00edbrio da nossa maneira de viver com esses elementos. A escassez da \u00e1gua e todos problemas que estamos vivendo e crescem cada vez mais nasce desse desequil\u00edbrio: s\u00f3 tirando, tirando, tirando. Sem dar import\u00e2ncia e deixando a biodiversidade de lado, criticou.<\/p>\n<p>Ao responder a perguntas da plateia, Maria Alice Campos Freire, do Conselho Internacional das Treze Av\u00f3s Ind\u00edgenas, citou que o F\u00f3rum Alternativo Mundial da \u00c1gua, que tamb\u00e9m ocorre na capital federal, est\u00e1 construindo o um dossi\u00ea com as hist\u00f3rias de terras ind\u00edgenas e santu\u00e1rios da natureza que est\u00e3o sendo amea\u00e7ados por diversos setores. Ela citou como exemplo as Terras Ind\u00edgenas \u00c9vare I e II, no Alto Solim\u00f5es, onde os povos ind\u00edgenas est\u00e3o sendo assassinados e as mulheres, raptadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tratando a \u00e1gua como um membro da fam\u00edlia e como algo sagrado a ser conservado para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, as comunidades ind\u00edgenas de pa\u00edses sul-americanos defenderam a preserva\u00e7\u00e3o dos rios e montanhas e criticaram as propostas de privatiza\u00e7\u00e3o e venda de mananciais e aqu\u00edferos durante o 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua. 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