{"id":30648,"date":"2018-03-23T19:36:11","date_gmt":"2018-03-23T19:36:11","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=30648"},"modified":"2018-03-23T19:36:11","modified_gmt":"2018-03-23T19:36:11","slug":"indios-guaranis-assistem-a-filme-sobre-resistencia-a-reducao-de-territorio-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/indios-guaranis-assistem-a-filme-sobre-resistencia-a-reducao-de-territorio-em-sp\/","title":{"rendered":"\u00cdndios guaranis assistem a filme sobre resist\u00eancia \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio em SP"},"content":{"rendered":"<p>A primeira vez no cinema do \u00edndio guarani Mirindj\u00fa, 21 anos, ser\u00e1 especial. \u201cDizem que eu apare\u00e7o [no filme], mas eu quero ver. Estou ansioso\u201d, disse o jovem ind\u00edgena antes de entrar na sala do Cine Sesc, onde foi exibido, na noite desta segunda-feira (19), o filme Ara Pyau \u2013 A Primavera Guarani. O document\u00e1rio do cineasta Carlos Eduardo Magalh\u00e3es conta o processo de luta pela demarca\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Jaragu\u00e1, na zona norte paulistana. Ao lado de Mirindj\u00fa, cerca de 100 guaranis foram conferir a pr\u00f3pria hist\u00f3ria na telona. A exibi\u00e7\u00e3o faz parte da 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Mostra Tiradentes em S\u00e3o Paulo, aberta na \u00faltima quinta-feira (15).<\/p>\n<p>Chocalhos, pinturas corporais, dan\u00e7as tradicionais e cantos ind\u00edgenas tomaram conta dos corredores do cinema antes de come\u00e7ar a sess\u00e3o. Alguns at\u00e9 j\u00e1 conheciam o filme, que foi exibido antes nas aldeias, mas fizeram quest\u00e3o de conferir na tela grande. \u201cA expectativa era que viessem cerca de 60, mas hoje soubemos que muitos mais estavam interessados em vir\u201d, relatou o diretor do filme. Magalh\u00e3es aposta no filme como um instrumento para contar a luta dos povos ind\u00edgenas para diferentes gera\u00e7\u00f5es. \u201cEles querem mesmo se apropriar do filme e esse sempre foi o meu desejo\u201d, comemorou. Esta \u00e9 a segunda exibi\u00e7\u00e3o p\u00fablica do document\u00e1rio. A primeira foi na cidade mineira de Tiradentes.<\/p>\n<p>S\u00f4nia Ara, lideran\u00e7a guarani, concorda que o filme contribui para a visibilidade e o fortalecimento da luta pela demarca\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio que reivindicam. \u201cQuando voc\u00ea v\u00ea [o document\u00e1rio], voc\u00ea lembra de tudo que se passou. \u00c9 um reconhecimento da comunidade e dos interesses que est\u00e3o ali. A gente assiste e pensa: \u2018puxa vida, a gente j\u00e1 fez tudo isso\u2019. \u00c9 uma forma de garantir que a gente est\u00e1 vivo, que vivemos tudo aquilo\u201d, apontou. Com a sala lotada, ao longo da exibi\u00e7\u00e3o do filme, que teve a maioria das falas em l\u00edngua guarani, eram comuns cochichos e risos da plateia, quando reconheciam parentes ou vizinhos.<\/p>\n<p>O diretor Magalh\u00e3es conta que a ideia come\u00e7ou a partir de outro projeto tamb\u00e9m sobre a cultura ind\u00edgena. \u201cEstava produzindo para uma s\u00e9rie de TV e um dia me veio \u00e0 cabe\u00e7a que viajei 4 mil quil\u00f4metros para encontrar povos origin\u00e1rios. Ent\u00e3o eu pus na internet e vi que o Jaragu\u00e1 estava h\u00e1 8 quil\u00f4metros da minha casa\u201d, relatou. Por interm\u00e9dio de outro cineasta, Carlos Pap\u00e1, ele soube que a comunidade resistia a uma medida que pretendia diminuir o territ\u00f3rio Guarani em S\u00e3o Paulo. \u201cEles estavam come\u00e7ando a se organizar. Eu digo que esse filme foi um presente que eu ganhei. Quando isso acontece, voc\u00ea agradece e vai\u201d, relatou.<\/p>\n<p>Luta<\/p>\n<p>O document\u00e1rio, de 76 minutos, mostra a resist\u00eancia dos guaranis contra mudan\u00e7as que pretendiam reduzir a demarca\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de 512 hectares para pouco mais de 1 hectare. Eles aguardavam a homologa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio expandido quando uma portaria do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, em agosto de 2017, anulou portaria anterior, de 2015, que ampliava a \u00e1rea. Com isso, a Terra Ind\u00edgena Jaragu\u00e1 voltaria a ter 1,7 hectare. A demarca\u00e7\u00e3o dessa \u00e1rea foi homologada em 1987. O Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a informou \u00e0 \u00e9poca que estava corrigindo um erro administrativo e que a extens\u00e3o correta seria 3 hectares.<\/p>\n<p>Para impedir que as mudan\u00e7as fossem adiante, os guaranis organizaram protestos e chegaram a ocupar o Parque do Jaragu\u00e1, assumindo, inclusive, o controle de torres de transmiss\u00e3o que ficam no local. As antenas ficam no ponto mais alto do parque e s\u00e3o respons\u00e1veis pelo sinal de empresas de telefonia, r\u00e1dio e televis\u00e3o. Na Terra Ind\u00edgena do Jaragu\u00e1 vivem cerca de 700 guaranis em quatro aldeias. O territ\u00f3rio tamb\u00e9m faz parte de uma disputa jur\u00eddica com o governo do estado de S\u00e3o Paulo por se sobrepor, em parte, \u00e0 unidade de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A portaria que reduzia o territ\u00f3rio Guarani foi suspensa ap\u00f3s decis\u00e3o da Justi\u00e7a, a pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF). O processo segue em julgamento na Justi\u00e7a Federal. \u201cN\u00f3s conseguimos fazer seis retomadas, ent\u00e3o hoje somos sete \u00e1reas em torno do parque e \u00e9 essa \u00e1rea que eles revindicam. A luta n\u00e3o para. A gente precisa que esses mais de 500 hectares sejam respeitados. N\u00f3s somos a pr\u00f3pria terra. Se tira a terra, est\u00e1 matando o \u00edndio a cada dia\u201d, apontou S\u00f4nia Ara. O diretor do document\u00e1rio explica que a perspectiva vitoriosa da luta ind\u00edgena \u00e9 o foco do filme. \u201cA gente trata o \u00edndio como um her\u00f3i\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Davi Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira vez no cinema do \u00edndio guarani Mirindj\u00fa, 21 anos, ser\u00e1 especial. \u201cDizem que eu apare\u00e7o [no filme], mas eu quero ver. 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