{"id":2999,"date":"2017-12-23T18:32:50","date_gmt":"2017-12-23T18:32:50","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=2999"},"modified":"2017-12-23T18:32:50","modified_gmt":"2017-12-23T18:32:50","slug":"pagamento-em-especie-e-motivo-de-preocupacao-em-todo-o-mundo-diz-coaf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/pagamento-em-especie-e-motivo-de-preocupacao-em-todo-o-mundo-diz-coaf\/","title":{"rendered":"Pagamento em esp\u00e9cie \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o em todo o mundo, diz Coaf"},"content":{"rendered":"<p>O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ant\u00f4nio Gustavo Rodrigues, disse hoje (19) que, apesar da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e das novas ferramentas de seguran\u00e7a oferecidas pelos bancos, ainda h\u00e1 enorme preocupa\u00e7\u00e3o com o uso do dinheiro em esp\u00e9cie, que n\u00e3o \u00e9 rastre\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por isso, em palestra no 7\u00ba Congresso de Combate e Preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, Ant\u00f4nio Gustavo destacou que \u00e9 preciso tomar medidas para restringir a circula\u00e7\u00e3o e proibir ou dificultar a ado\u00e7\u00e3o de pagamentos em dinheiro.<\/p>\n<p>Isso para qualquer pagamento. Se voc\u00ea vai comprar um carro, uma casa, n\u00e3o vai ficar carregando mala de dinheiro. Para qualquer tipo de pagamento, n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel que uma pessoa carregue grandes quantidades de moeda. Em princ\u00edpio, eu diria que devia ser proibido pagar em dinheiro a partir de R$ 30 mil. At\u00e9 mesmo menos do que isso j\u00e1 \u00e9 muito dinheiro para ficar carregando. Dev\u00edamos seguir o exemplo de outros pa\u00edses e ter leis proibindo pagamentos acima desse valor em dinheiro\u201d, afirmou Ant\u00f4nio Gustavo.<\/p>\n<p>Ele ressaltou ainda que \u00e9 preciso haver sinergia entre os \u00f3rg\u00e3os reguladores e os regulados para que a troca de informa\u00e7\u00f5es cont\u00ednua permita o combate efetivo \u00e0 lavagem de dinheiro. \u201cApesar de o Coaf [conselho ligado ao Minist\u00e9rio da Fazenda] n\u00e3o ser regulador, interage tanto com reguladores quanto com regulados, especialmente na \u00e1rea da lavagem de dinheiro, que requer muita troca de informa\u00e7\u00f5es e entendimento para que processos identifiquem situa\u00e7\u00f5es que permitam ao Coaf trabalhar e assim ajudar a pol\u00edcia e o Minist\u00e9rio P\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Ant\u00f4nio Gustavo, como unidade de intelig\u00eancia financeira, o Coaf trabalha recebendo informa\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios setores econ\u00f4micos, principalmente os bancos e quanto mais essas institui\u00e7\u00f5es forem capazes de detectar situa\u00e7\u00f5es suspeitas e informar o Coaf, melhores ser\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es para a pol\u00edcia e o Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cTivemos uma enorme evolu\u00e7\u00e3o nos sistemas brasileiros, mas \u00e9 preciso uma \u00f3tima rela\u00e7\u00e3o entre o Banco Central e os bancos para que esse trabalho seja cada vez melhor, porque, do outro lado, tem sempre o bandido querendo esconder, burlar ou evitar a norma. Eles [bandidos] est\u00e3o sempre inventando novas formas, e n\u00f3s temos de estar sempre conversando para descobrir essas novas formas e tampar os buracos\u201d, disse Ant\u00f4nio Gustavo.<\/p>\n<p>Para o presidente do Coaf, os sistemas de seguran\u00e7a e de detec\u00e7\u00e3o de fraudes est\u00e3o avan\u00e7ados, e cada vez que se descobre algu\u00e9m guardando dinheiro no apartamento, quer dizer que essa pessoa n\u00e3o quis colocar o dinheiro no banco justamente por saber que poderia ser pego. Depois que o criminoso est\u00e1 com o dinheiro, ele vai querer lavar esses valores; ent\u00e3o, j\u00e1 vai cometer um segundo crime. Estamos trabalhando na segunda fase. Se esse sistema n\u00e3o estivesse funcionando, os criminosos que est\u00e3o guardando dinheiro em esp\u00e9cie, estariam colocando no banco. Se eles n\u00e3o colocam, j\u00e1 \u00e9 um sinal de que o sistema est\u00e1 funcionando\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Gustavo ressaltou que o banco precisa conhecer bem seu cliente, j\u00e1 que bilh\u00f5es de transa\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas diariamente e nem sempre \u00e9 poss\u00edvel perceber o crime em todas elas. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, por\u00e9m; a transa\u00e7\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o: \u201cH\u00e1 momentos em que o custo de conhecer um empres\u00e1rio que movimenta R$ 100 mil vai ser o mesmo de conhecer o trabalhador informal que ganha R$ 1.000. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso ter um esquema de an\u00e1lise de risco para saber onde alocar recurso. Isso n\u00e3o \u00e9 surpresa, a pr\u00f3pria receita trabalha assim\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o presidente da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, que promove o congresso, o setor banc\u00e1rio \u00e9 muito ativo no fornecimento de dados relevantes para as autoridades respons\u00e1veis pelo combate \u00e0 lavagem de dinheiro. Conforme dados da Febraban, em 2016, o volume de comunica\u00e7\u00f5es de opera\u00e7\u00f5es suspeitas ao Coaf ultrapassou 56 mil. Este ano, somente at\u00e9 agosto, foram comunicadas quase 40 mil opera\u00e7\u00f5es. O setor banc\u00e1rio continua como o principal remetente de comunica\u00e7\u00f5es ao Coaf, sendo que 17% dessas comunica\u00e7\u00f5es transformaram-se em abertura de investiga\u00e7\u00e3o no ano passado.<\/p>\n<p>\u201cTemos aperfei\u00e7oado, ano a ano, as maneiras de enfrentar o desafio consider\u00e1vel de analisar os poss\u00edveis desvios de comportamento e identificar poss\u00edveis irregularidades. Os bancos empregam recursos tecnol\u00f3gicos de alt\u00edssima qualidade, adotando r\u00edgidas regras de controle e contratando profissionais cada vez mais qualificados e atentos\u201d, destacou Portugal.<\/p>\n<p>Segundo Portugal, o trabalho feito pelos bancos \u00e9 exclusivamente de informa\u00e7\u00e3o e aux\u00edlio \u00e0s autoridades, \u00e0s quais cabe investigar e punir criminosos. \u201cTemos ressaltado que somente as autoridades p\u00fablicas t\u00eam o poder, os instrumentos e a responsabilidade de aprofundar as investiga\u00e7\u00f5es, de proibir e de apontar e punir os culpados. O setor privado n\u00e3o tem nem a responsabilidade, nem os instrumentos para tal e \u00e9, na maioria das vezes, tamb\u00e9m v\u00edtima desses crimes\u201d, afirmou. Os bancos n\u00e3o t\u00eam poderes legais para impedir que clientes fa\u00e7am saques de valores expressivos das contas, e somente uma lei federal pode proibir isso, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ant\u00f4nio Gustavo Rodrigues, disse hoje (19) que, apesar da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e das novas ferramentas de seguran\u00e7a oferecidas pelos bancos, ainda h\u00e1 enorme preocupa\u00e7\u00e3o com o uso do dinheiro em esp\u00e9cie, que n\u00e3o \u00e9 rastre\u00e1vel. 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