{"id":29947,"date":"2018-03-20T03:58:20","date_gmt":"2018-03-20T03:58:20","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=29947"},"modified":"2018-03-20T03:58:20","modified_gmt":"2018-03-20T03:58:20","slug":"caso-aldo-moro-continua-atormentando-a-italia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/caso-aldo-moro-continua-atormentando-a-italia\/","title":{"rendered":"Caso Aldo Moro continua atormentando a It\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<p>O sequestro, em 16 de mar\u00e7o de 1978, do l\u00edder da Democracia Crist\u00e3 Aldo Moro por um comando das Brigadas Vermelhas e seu assassinato em 9 de maio atormentam a mem\u00f3ria coletiva dos italianos e, 40 anos depois, muitos dos mist\u00e9rios que cercam o caso ainda n\u00e3o foram resolvidos.<\/p>\n<p>Foi o 11 de setembro da It\u00e1lia. Os 55 dias que o sequestro de Moro durou mudaram o rumo que a Rep\u00fablica italiana estava para tomar, escreveu Ezio Mauro, diretor do jornal La Repubblica, ao apresentar a s\u00e9rie de artigos dedicados \u00e0 tr\u00e1gica morte do pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Em 16 de mar\u00e7o, pouco depois das nove da manh\u00e3, Aldo Moro, de 62 anos, defensor do compromisso hist\u00f3rico entre as duas principais for\u00e7as pol\u00edticas, a DC e o Partido Comunista Italiano (PCI), foi sequestrado em Roma por um comando das Brigadas Vermelhas, organiza\u00e7\u00e3o de extrema esquerda que abateu o motorista e os membros de sua escolta.<\/p>\n<p>Em 9 de maio, 55 dias depois, o cad\u00e1ver do cinco vezes chefe de governo foi encontrado crivado de balas no porta-malas de um Renault 4 vermelho abandonado em uma ruela emblem\u00e1tica da capital, na metade do caminho entre as sedes centrais da DC e do Partido Comunista.<\/p>\n<p>O crime sacudiu a opini\u00e3o p\u00fablica italiana e abriu um per\u00edodo de crise institucional.<\/p>\n<p>Moro foi sequestrado quando se dirigia \u00e0 C\u00e2mara de Deputados para votar a mo\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a de um novo governo depois de ter pactado o compromisso hist\u00f3rico, ou seja, o apoio dos comunistas liderados por Enrico Berlinguer a um governo de coaliz\u00e3o que enfrentasse a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e lutasse contra o terrorismo.<\/p>\n<p>Em sua pris\u00e3o popular, Moro escreveu cem cartas \u00e0 sua fam\u00edlia, aos dirigentes demo-crist\u00e3os, como Giulio Andreotti, e at\u00e9 ao papa Paulo VI.<\/p>\n<p>Implorava negocia\u00e7\u00f5es com os sequestradores, que por sua vez pediam a liberta\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios detidos.<\/p>\n<p>&#8211; Sacrificar Moro &#8211;<\/p>\n<p>A partir de 1975, as Brigadas Vermelhas optaram por uma estrat\u00e9gia de luta frontal contra o Estado italiano. As negocia\u00e7\u00f5es nunca come\u00e7aram e depois de 55 dias, decidiram executar Moro, ap\u00f3s ele ter sido julgado por um tribunal popular composto por eles mesmos, explicou o historiador Philippe Foro, autor de LAffaire Moro (Ed Vendemiaire).<\/p>\n<p>Moro tinha muitos inimigos, estre eles os que n\u00e3o aprovavam sua pol\u00edtica de di\u00e1logo, contr\u00e1rios ao compromisso hist\u00f3rico com os comunistas, tamb\u00e9m dentro da Otan e nos servi\u00e7os secretos italianos, explicou o acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Muitos historiadores e testemunhas dessa \u00e9poca acreditam que n\u00e3o foi feito todo o poss\u00edvel para libertar Aldo Moro, que o Estado italiano tomou a fria decis\u00e3o de sacrificar o pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Algumas teorias asseguram que as Brigadas Vermelhas na realidade eram uma forma\u00e7\u00e3o fascista disfar\u00e7ada de esquerda, outros falam de lojas ma\u00e7\u00f4nicas, de espionagem, de um ato em meio \u00e0 Guerra Fria entre a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Para os Estados Unidos, o peso do Partido Comunista em um dos pa\u00edses mais importantes do Mediterr\u00e2neo era inaceit\u00e1vel e para os sovi\u00e9ticos o modelo de compromisso hist\u00f3rico era uma amea\u00e7a, resumiu \u00e0 AFP em uma entrevista de 2014 Ferdinando Imposimato, o juiz que instruiu o caso Aldo Moro, que morreu em janeiro passado.<\/p>\n<p>Os membros do comando sequestrador tiveram v\u00e1rios destinos. Alguns foram detidos e condenados \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua, mas muitos de seus anos de reclus\u00e3o foram perdoados em virtude de uma lei aprovada em 1982. Alguns fugiram para o exterior e outros escreveram livros e ensaios.<\/p>\n<p>A vi\u00fava Eleonora faleceu em 2010 sem nunca ter perdoado os l\u00edderes da Democracia Crist\u00e3, que acusou de violarem os valores crist\u00e3os que defendiam, ao se negarem a salvar a vida em nome da raz\u00e3o de Estado.<\/p>\n<p>Em uma carta datada em 8 de abril de 1978 dirigida a sua esposa, Moro escreveu: Meu sangue cair\u00e1 sobre eles.<\/p>\n<p>Quatro d\u00e9cadas depois, as for\u00e7as pol\u00edticas da It\u00e1lia est\u00e3o buscando de novo uma sa\u00edda ao bloqueio ap\u00f3s as legislativas de 4 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>O ministro da Cultura, Dario Franceschini, prestou homenagem a Aldo Moro e lembrou que tinha conseguido convencer os dois ganhadores das elei\u00e7\u00f5es, que tanto na \u00e9poca como hoje n\u00e3o tinham obtido a maioria no parlamento para governar. O de antes vale para o hoje, apontou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sequestro, em 16 de mar\u00e7o de 1978, do l\u00edder da Democracia Crist\u00e3 Aldo Moro por um comando das Brigadas Vermelhas e seu assassinato em 9 de maio atormentam a mem\u00f3ria coletiva dos italianos e, 40 anos depois, muitos dos mist\u00e9rios que cercam o caso ainda n\u00e3o foram resolvidos. 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