{"id":2991,"date":"2017-12-23T18:29:30","date_gmt":"2017-12-23T18:29:30","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=2991"},"modified":"2017-12-23T18:29:30","modified_gmt":"2017-12-23T18:29:30","slug":"pms-vao-a-juri-popular-por-chacina-em-osasco-e-penas-podem-chegar-a-300-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/pms-vao-a-juri-popular-por-chacina-em-osasco-e-penas-podem-chegar-a-300-anos\/","title":{"rendered":"PMs v\u00e3o a j\u00fari popular por chacina em Osasco e penas podem chegar a 300 anos"},"content":{"rendered":"<p>Come\u00e7a nesta segunda-feira (18) em S\u00e3o Paulo o j\u00fari popular de dois policiais militares (PMs) e um guarda civil envolvidos no caso que ficou conhecido como Chacina de Osasco. O fato ocorreu no dia 13 de agosto de 2015, na regi\u00e3o metropolitana da capital. Segundo a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP), 17 pessoas foram mortas e sete baleadas em um intervalo de aproximadamente duas horas. O reconhecimento de um dos atiradores por um sobrevivente, as contradi\u00e7\u00f5es em depoimentos dos acusados e os antecedentes homicidas dos denunciados s\u00e3o os principais elementos a serem levados a j\u00fari pela promotoria do caso.<\/p>\n<p>De acordo com a den\u00fancia, os assassinatos ocorreram para vingar as mortes do policial militar Admilson Pereira de Oliveira, que foi baleado ao reagir a um assalto a um posto de gasolina, onde fazia \u201cbico\u201d como seguran\u00e7a, e do guarda civil de Barueri Jeferson Luiz Rodrigues da Silva, que foi morto enquanto atuava como seguran\u00e7a em uma adega. Eles v\u00e3o responder por organiza\u00e7\u00e3o criminosa e homic\u00eddio qualificado. Somadas, as penas podem chegar a 300 anos de pris\u00e3o, disse o promotor do caso Marcelo Oliveira.<\/p>\n<p>V\u00e3o participar do j\u00fari 43 testemunhas, sendo 20 de acusa\u00e7\u00e3o. Entre elas, est\u00e1 o sobrevivente da chacina, que identificou o policial Fabr\u00edcio Emmanuel Eleut\u00e9rio, al\u00e9m de familiares das v\u00edtimas e delegados que atuaram no caso. O plen\u00e1rio do F\u00f3rum Criminal de Osasco est\u00e1 reservado para 12 dias de julgamento. Por uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a, a rua em frente ao tribunal estar\u00e1 interditada a pedido da ju\u00edza \u00c9lia Kinosita Bulman, que presidir\u00e1 a sess\u00e3o. As atividades v\u00e3o come\u00e7ar \u00e0s 13h com, previs\u00e3o de t\u00e9rmino para as 20h. A partir de amanh\u00e3 (19), a sess\u00e3o come\u00e7a \u00e0s 10h.<\/p>\n<p>Acusa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Os dois policiais militares acusados s\u00e3o Fabr\u00edcio Emmanuel Eleut\u00e9rio e Thiago Barbosa Henklain. Segundo o MP, eles teriam efetivamente feito os disparos. Os PMs v\u00e3o responder pelas 17 mortes e pelas sete tentativas de homic\u00eddio. Eles est\u00e3o presos desde o in\u00edcio das investiga\u00e7\u00f5es, assim como o guarda civil.<\/p>\n<p>Eleut\u00e9rio foi o PM reconhecido por um sobrevivente da chacina. O promotor Marcelo Oliveira informou que o policial se recusou a fazer um exame biodin\u00e2mico que pudesse confrontar imagens das movimenta\u00e7\u00f5es do corpo dele com filmagens de c\u00e2meras de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em entrevista anterior concedida \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, a advogada do policial, Flavia Artilheiro, disse que dados do celular de Eleut\u00e9rio mostram que, no momento dos crimes, ele estava a 7 quil\u00f4metros do local da chacina e que o rastreador do carro indica que, entre as 19h30 e as 22h40, ficou estacionado no endere\u00e7o da namorada dele, o que foi confirmado pela jovem e pela m\u00e3e dela. Para Oliveira, como se trata de um crime intencional, os assassinos, que inclusive conhecem os m\u00e9todos de investiga\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, j\u00e1 poderiam prever o rastreamento desses aparelhos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do reconhecimento por uma v\u00edtima, o promotor destaca as contradi\u00e7\u00f5es no depoimento de Eleut\u00e9rio. \u201cSe uma pessoa reproduz o mesmo fato e conta v\u00e1rias hist\u00f3rias diferentes, h\u00e1 fragilidade no \u00e1libi\u201d, afirmou. Segundo o promotor, o PM se contradisse ao contar que tinha pedido uma pizza por telefone e, quando questionado sobre o nome do estabelecimento, disse ter comido algo congelado.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a Heinklain, h\u00e1 relato de testemunha de que o policial discutiu com a esposa, que o teria reconhecido em imagens de c\u00e2meras de seguran\u00e7a divulgadas por emissoras de televis\u00e3o sobre o caso. A discuss\u00e3o foi ouvida por uma pessoa, que relatou o ocorrido para outra pessoa pr\u00f3xima, que, por sua vez, testemunhou \u00e0 Pol\u00edcia Civil. No entanto, a testemunha teve medo de reafirmar o depoimento perante a ju\u00edza. O promotor disse, em entrevista, que deve apresentar esses fatos aos integrantes do j\u00fari popular.<\/p>\n<p>Em nota, o advogado Fernando Capano afirmou que isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para demonstrar a participa\u00e7\u00e3o do seu cliente nos fatos. \u201cCreio que o \u00f4nus da prova \u00e9 do Minist\u00e9rio P\u00fablico, no sentido de provar que o Tiago estava nas cenas dos crimes. Nesse sentido, com todo o respeito ao trabalho do doutor Marcelo, o conjunto probat\u00f3rio \u00e9 extremamente fr\u00e1gil e deficiente para dar lastro \u00e0 eventual condena\u00e7\u00e3o do Thiago\u201d. Ele destacou que espera que \u201cos jurados possam entender e decidir que crimes odiosos como a Chacina de Osasco n\u00e3o podem ter como resposta a condena\u00e7\u00e3o de um inocente\u201d.<\/p>\n<p>O guarda civil S\u00e9rgio Manhanh\u00e3, por sua vez, teria atuado para desviar viaturas dos locais onde os crimes ocorreriam. O promotor disse que ele trocou mensagens simb\u00f3licas com o policial Victor Cristilder Silva dos Santos, que estava em um dos carros da chacina, segundo a den\u00fancia. As mensagens foram trocadas antes do in\u00edcio dos fatos, com uma m\u00e3o fazendo sinal de positivo, e, ao final, com o mesmo s\u00edmbolo e com outro representando um bra\u00e7o forte. Em depoimento, o PM alega que o conte\u00fado se referia ao empr\u00e9stimo de um livro. As mensagens foram apagadas e recuperadas ap\u00f3s per\u00edcia.<\/p>\n<p>Cristilder foi o \u00fanico a recorrer da senten\u00e7a que determinou o julgamento, portanto n\u00e3o vai a j\u00fari nesta segunda-feira. No entanto, segundo Oliveira, a determina\u00e7\u00e3o de lev\u00e1-lo a j\u00fari j\u00e1 foi confirmada pela ju\u00edza.<\/p>\n<p>Marcelo Oliveira lembra que este n\u00e3o ser\u00e1 um julgamento f\u00e1cil, sobretudo pela concep\u00e7\u00e3o recorrente na sociedade de que \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d. \u201cMesmo que fosse bandido, a Justi\u00e7a est\u00e1 a\u00ed para isso\u201d, defendeu. Ele lembrou ainda que uma das pessoas mortas foi uma adolescente de 16 anos. \u201cNingu\u00e9m est\u00e1 livre de ter um filho viciado em drogas, de ter filho que frequenta o Bar do Juvenal e ter que enterrar o filho, porque ele frequenta o bar do suposto homicida do guarda civil que morreu no dia anterior\u201d, disse, em refer\u00eancia ao local das mortes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7a nesta segunda-feira (18) em S\u00e3o Paulo o j\u00fari popular de dois policiais militares (PMs) e um guarda civil envolvidos no caso que ficou conhecido como Chacina de Osasco. O fato ocorreu no dia 13 de agosto de 2015, na regi\u00e3o metropolitana da capital. 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