{"id":29240,"date":"2018-03-18T08:00:37","date_gmt":"2018-03-18T08:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=29240"},"modified":"2018-03-18T08:00:37","modified_gmt":"2018-03-18T08:00:37","slug":"ataque-quimico-iraquiano-que-matou-5-000-curdos-ha-30-anos-assombra-halabja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/ataque-quimico-iraquiano-que-matou-5-000-curdos-ha-30-anos-assombra-halabja\/","title":{"rendered":"Ataque qu\u00edmico iraquiano que matou 5.000 curdos h\u00e1 30 anos assombra Halabja"},"content":{"rendered":"<p>Em 16 de mar\u00e7o de 1988, cerca de 5.000 curdos iraquianos, em sua maioria mulheres e crian\u00e7as, morreram quando o ex\u00e9rcito de Saddam Hussein bombardeou com gases a cidade de Halabja, nordeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O curdo iraquiano Kamal Jalal viu suas duas irm\u00e3s morrerem nesse ataque, quando tinha 17 anos. Trinta anos depois, ele ainda n\u00e3o foi indenizado pelas sequelas sofridas.<\/p>\n<p>Hoje, com 47 anos, vive com respira\u00e7\u00e3o artificial 16 horas por dia, como consequ\u00eancia direta dos gases lan\u00e7ados sobre Halabja, uma localidade com 200.000 habitantes situada nas montanhas curdas, no nordeste do Iraque.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos me disseram que perdi 75% dos meus pulm\u00f5es, declarou \u00e0 AFP em sua casa, que fica a metros de um imponente monumento com a bandeira curda constru\u00eddo em mem\u00f3ria aos 5.000 curdos iraquianos mortos no bombardeio.<\/p>\n<p>Como milhares de pessoas de Halabja afetadas pelos gases, Kamal Jalal foi atendido por m\u00e9dicos no Ir\u00e3, cuja fronteira se encontra a cerca de 10 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3 estava em guerra com o Iraque de Saddam Hussein havia oito anos, e acolheu de bra\u00e7os abertos os curdos em seus hospitais.<\/p>\n<p>&#8211; Indenizar os sobreviventes &#8211;<\/p>\n<p>E naquele ano, foram muitos. Em plena guerra entre os dois vizinhos, os principais partidos curdos iraquianos, partid\u00e1rios de uma autonomia da regi\u00e3o, tinham se aliado a Teer\u00e3. E lhes custou muito caro.<\/p>\n<p>Em 1988, Saddam Hussein lan\u00e7ou uma campanha de repress\u00e3o que terminou com 5.000 mortos e dezenas de milhares de deslocados, al\u00e9m de centenas de povoados destru\u00eddos.<\/p>\n<p>Os sobreviventes do ataque qu\u00edmico foram atendidos no Ir\u00e3 e em hospitais europeus, lembra Jalal. Os gastos ficaram a cargo dos partidos e do governo do Curdist\u00e3o, aut\u00f4nomo desde 1991.<\/p>\n<p>Desde o avan\u00e7o do grupo jihadista Estado Isl\u00e2mico (EI) em 2014, as for\u00e7as iraquianas e curdas se mobilizaram e as viagens m\u00e9dicas acabaram porque muitos dos fundos foram para o or\u00e7amento de guerra, lamenta.<\/p>\n<p>Aras Abed, \u00fanico membro de sua fam\u00edlia a sobreviver ao ataque qu\u00edmico, criou uma associa\u00e7\u00e3o para ajudar as v\u00edtimas e seus parentes.<\/p>\n<p>Na lideran\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o contra as armas qu\u00edmicas de Halabja, este homem de 48 anos luta por uma compensa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para os sobreviventes.<\/p>\n<p>A Suprema Corte Iraquiana estimou que o ataque qu\u00edmico contra Halabja era um crime de guerra e um genoc\u00eddio, lembra Abed, que foi testemunha contra Saddam Hussein no julgamento do caso Anfal, nome da campanha empreendida entre 1987 e 1988 contra os curdos.<\/p>\n<p>O ex-presidente iraquiano foi julgado por genoc\u00eddio pela morte de cerca de 180.000 curdos.<\/p>\n<p>O ditador derrubado em 2003 pela invas\u00e3o americana ap\u00f3s ter governado o pa\u00eds por quase um quarto de s\u00e9culo j\u00e1 tinha sido condenado a morte por outro massacre e foi enforcado em 2006, antes de que fosse conclu\u00eddo o processo contra ele por genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>O governo em Bagd\u00e1 deve agora indenizar as v\u00edtimas e toda a cidade, indica Abed.<\/p>\n<p>&#8211; C\u00e2nceres e m\u00e1s-forma\u00e7\u00f5es &#8211;<\/p>\n<p>O governo regional do Curdist\u00e3o iraquiano prometeu 1.000 terrenos \u00e0s fam\u00edlias das v\u00edtimas para construir casas neles, lembra. Mas 30 anos depois do ataque, pelo menos 200 fam\u00edlias ainda n\u00e3o viram estas terras, assegura Abed.<\/p>\n<p>O ex-ministro do Meio Ambiente do Curdist\u00e3o Abderrahman Abderrahim perdeu 48 familiares em 16 de mar\u00e7o de 1988, dia em que come\u00e7ou um calv\u00e1rio para ele.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje ainda h\u00e1 res\u00edduos dos gases de combate propagados na cidade, botij\u00f5es que n\u00e3o explodiram se encontram sob as bases dos edif\u00edcios constru\u00eddos recentemente, assegurou \u00e0 AFP.<\/p>\n<p>E a polui\u00e7\u00e3o chegou aos campos dos arredores da cidade, afirma.<\/p>\n<p>Halabja \u00e9 a zona com mais doentes de c\u00e2ncer do Curdist\u00e3o, acrescenta, e muitos beb\u00eas nascem com complica\u00e7\u00f5es (m\u00e9dicas) e m\u00e1s-forma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 16 de mar\u00e7o de 1988, cerca de 5.000 curdos iraquianos, em sua maioria mulheres e crian\u00e7as, morreram quando o ex\u00e9rcito de Saddam Hussein bombardeou com gases a cidade de Halabja, nordeste do pa\u00eds. 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