{"id":29210,"date":"2018-03-18T07:49:46","date_gmt":"2018-03-18T07:49:46","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=29210"},"modified":"2018-03-18T07:49:46","modified_gmt":"2018-03-18T07:49:46","slug":"especialistas-defendem-formacao-de-professores-para-a-cultura-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/especialistas-defendem-formacao-de-professores-para-a-cultura-da-paz\/","title":{"rendered":"Especialistas defendem forma\u00e7\u00e3o de professores para a cultura da paz"},"content":{"rendered":"<p>Especialistas ressaltaram a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas para a forma\u00e7\u00e3o de professores para promover a cultura da paz nas escolas, em audi\u00eancia p\u00fablica nesta quarta-feira (14). O debate foi promovido pela comiss\u00e3o especial destinada a elaborar propostas legislativas para desenvolver a cultura da paz.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) define a cultura da paz como um conjunto de valores, atitudes, tradi\u00e7\u00f5es, comportamentos e estilos de vida baseados no respeito \u00e0 vida, no fim da viol\u00eancia e na promo\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica da n\u00e3o-viol\u00eancia por meio da educa\u00e7\u00e3o, do di\u00e1logo e da coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme o coordenador do N\u00facleo de Estudos e Forma\u00e7\u00e3o de Professores em Educa\u00e7\u00e3o para a Paz e Conviv\u00eancias da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR) Nei Salles Filho, o principal passo para a promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de professores. \u201cEssa forma\u00e7\u00e3o envolve conhecimento das \u00e1reas de valores humanos, direitos humanos e media\u00e7\u00e3o de conflitos fundamentalmente\u201d, citou. Segundo ele, desenhar pol\u00edticas p\u00fablicas nesse sentido \u00e9 a melhor forma de manter projetos continuados de cultura da paz nas escolas.<\/p>\n<p>De acordo com o especialista, os professores t\u00eam que entender que muitas vezes a viol\u00eancia cultural do aluno \u00e9 resultado de viol\u00eancia direta (f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, midi\u00e1tica) e viol\u00eancia estrutural (pobreza, mis\u00e9ria). \u201cSe o aluno aprende a reproduzir a cultura da viol\u00eancia, pode aprender a paz\u201d, observou. Ele salientou ainda que a paz n\u00e3o significa a aus\u00eancia de conflitos, mas uma forma de lidar com os conflitos. Al\u00e9m disso, ressaltou que a promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz nas escolas foi inclu\u00edda como meta do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (2014-2024).<\/p>\n<p>Desigualdade social<br \/>\nJ\u00e1 o professor da Escola Municipal de Ensino Fundamental Jo\u00e3o Am\u00f3s Comenius, de S\u00e3o Paulo (SP), Samuel de Jesus, destacou a dificuldade de se construir uma cultura de paz em meio \u00e0 desigualdade social e outras mazelas sociais. Ele concorda que a forma\u00e7\u00e3o dos professores para a cultura da paz deve ser uma pol\u00edtica p\u00fablica. Conforme ele, \u00e9 preciso se passar de cultura punitiva para uma disciplina restaurativa das rela\u00e7\u00f5es. E apontou ainda que a autorreflex\u00e3o sobre as pr\u00f3prias formas de produzir viol\u00eancia \u00e9 essencial para a promo\u00e7\u00e3o da cultura da paz.<\/p>\n<p>O relator da comiss\u00e3o, deputado Aliel Machado (PSB-PR), informou que a ideia do colegiado \u00e9 propor leis para potencializar as experi\u00eancias positivas com a cultura da paz. \u201cSe n\u00e3o trabalharmos a forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os na base, teremos muito mais trag\u00e9dias\u201d, disse. Ele observou que tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas voltaram a viver em estado de pobreza no Brasil no ano passado e isso potencializa a viol\u00eancia. Na vis\u00e3o dele, a promo\u00e7\u00e3o da cultura da viol\u00eancia e do \u00f3dio se d\u00e1 tamb\u00e9m na pr\u00f3pria C\u00e2mara, por exemplo, com discuss\u00f5es sobre o fim do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826\/03), e sobre a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal.<\/p>\n<p>J\u00e1 a presidente da comiss\u00e3o, deputada Keiko Ota (PSB-SP), defende leis mais duras para coibir a viol\u00eancia. Mas, na opini\u00e3o dela, para a preven\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso ensinar a cultura da paz \u00e0s crian\u00e7as e jovens, sobretudo na escola. A parlamentar ressaltou que pa\u00edses como Jap\u00e3o foram bem-sucedidos nesse caminho.<\/p>\n<p>Envolvimento dos pais<br \/>\nA diretora da Escola Estadual Professor Salvador Rocco, de S\u00e3o Paulo, Carla Pietro Contieri, afirmou que muitos fatores externos influenciam a vida escolar, como o ambiente violento, a falta de sono e a m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o, entre outros. Segundo ela, a escola promove, desde 2015, a semana da cultura da paz e tem tido bons resultados na forma\u00e7\u00e3o de valores positivos nos alunos. Para ela, um dos principais fatores que podem proporcionar bons resultados nesse sentido \u00e9 o envolvimento dos pais.<\/p>\n<p>Professora da mesma escola, Florisa Navarro explicou que o projeto da cultura de paz proporciona aos alunos momento de reflex\u00e3o sobre o comportamento com o outro, desenvolvendo toler\u00e2ncia e capacidade de di\u00e1logo. Para ela, o projeto ajuda, por exemplo, a por fim ao bullying e a promover a solidariedade e a esperan\u00e7a no futuro.<\/p>\n<p>\u201cFazer a crian\u00e7a se colocar no lugar do outro\u201d \u00e9 uma das habilidades s\u00f3cio emocionais que a Escola Estadual Professor Alvino Bittencour, tamb\u00e9m de S\u00e3o Paulo, tenta promover, segundo o diretor Denys Munhoz. Exerc\u00edcios de respira\u00e7\u00e3o e projetos em que a crian\u00e7a seja protagonista s\u00e3o algumas das estrat\u00e9gias utilizadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas ressaltaram a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas para a forma\u00e7\u00e3o de professores para promover a cultura da paz nas escolas, em audi\u00eancia p\u00fablica nesta quarta-feira (14). O debate foi promovido pela comiss\u00e3o especial destinada a elaborar propostas legislativas para desenvolver a cultura da paz. 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