{"id":28546,"date":"2018-03-18T03:49:58","date_gmt":"2018-03-18T03:49:58","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=28546"},"modified":"2018-03-18T03:49:58","modified_gmt":"2018-03-18T03:49:58","slug":"um-seculo-depois-da-gripe-espanhola-nova-pandemia-parece-inevitavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/um-seculo-depois-da-gripe-espanhola-nova-pandemia-parece-inevitavel\/","title":{"rendered":"Um s\u00e9culo depois da gripe espanhola, nova pandemia parece inevit\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 100 anos tinha in\u00edcio a grande epidemia de gripe espanhola que deixou ao menos 50 milh\u00f5es de mortos. Um s\u00e9culo depois, a guerra contra o v\u00edrus da gripe continua e a perspectiva de uma nova pandemia parece inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em uma manh\u00e3 de mar\u00e7o de 1918, um soldado no Kansas (centro dos Estados Unidos) foi admitido na enfermaria com febre, dores musculares e dor de garganta, sintomas da gripe.<\/p>\n<p>Em poucos meses, um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial foi afetada pela epidemia de gripe que resultou ser mais mort\u00edfera que a Primeira Guerra Mundial, na qual morreram quase 10 milh\u00f5es de militares e nove milh\u00f5es de civis.<\/p>\n<p>A magnitude deste flagelo n\u00e3o foi, felizmente, igualada por outras epidemias, mas em algum momento uma nova pandemia afetar\u00e1 o mundo, cada vez mais globalizado, afirmam os especialistas.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 saber quando. A gripe \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o viral aguda que se propaga facilmente de uma pessoa a outra.<\/p>\n<p>Os principais sintomas s\u00e3o febre alta, tosse, dores e mal-estar na garganta. Na maioria dos casos \u00e9 leve, mas h\u00e1 pacientes que experimentam consequ\u00eancias graves.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o haja uma pandemia, em um ano normal se atribui \u00e0s epidemias de gripe entre tr\u00eas e cinco milh\u00f5es de casos graves e entre 290.000 e 650.000 mortos em todo o mundo, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>Entre os custos m\u00e9dicos, as faltas e outras consequ\u00eancias, a fatura \u00e9 exorbitante.<\/p>\n<p>Mas, por que um v\u00edrus t\u00e3o comum segue sendo uma amea\u00e7a, enquanto a var\u00edola, por exemplo, foi erradicada?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 porque este v\u00edrus \u00e9 um \u00e1s da metamorfose.<\/p>\n<p>Os v\u00edrus da gripe t\u00eam uma capacidade de muta\u00e7\u00e3o enorme, j\u00e1 que para sobreviver s\u00e3o obrigados a mudar em muta\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias, explicou \u00e0 AFP Vincent Enouf, do Instituto Pasteur de Paris.<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro tipos de v\u00edrus da gripe: A, B, C e D (este \u00faltimo afeta principalmente o gado). As epidemias sazonais s\u00e3o provocadas pelos v\u00edrus A e B.<\/p>\n<p>Os primeiros se dividem em v\u00e1rios subgrupos, entre eles o H1N1 e o H3N2, que circulam atualmente entre os humanos. Os v\u00edrus do tipo B se dividem em duas cepas principais: Yamagata e Victoria.<\/p>\n<p>Cada um destes pode ser divido em diferentes cepas, e cada uma delas necessita sua pr\u00f3pria vacina.<\/p>\n<p>&#8211; Em busca da vacina universal &#8211;<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio mais catastr\u00f3fico seria a apari\u00e7\u00e3o de novos v\u00edrus muito virulentos transmitidos entre humanos a partir de muta\u00e7\u00f5es que combinem agentes que afetam os humanos com pat\u00f3genos dos animais.<\/p>\n<p>Desde a gripe espanhola, houve tr\u00eas pandemias que se desenvolveram desta forma: a gripe asi\u00e1tica de 1957, a de Hong Kong de 1968 e a A(H1N1) de 2009.<\/p>\n<p>E os v\u00edrus contam com reservas naturais ilimitadas, j\u00e1 que circulam constantemente em popula\u00e7\u00f5es de aves.<\/p>\n<p>N\u00f3s, a popula\u00e7\u00e3o humana, vamos estar continuamente expostos \u00e0 gripe e a novas cepas de v\u00edrus, a cada ano, a cada d\u00e9cada e sem d\u00favida assim ser\u00e1 sempre, prev\u00ea o especialista em v\u00edrus David Evans, que trabalha na Universidade Saint Andrews na Esc\u00f3cia.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia \u00e9 que vai haver outra pandemia.<\/p>\n<p>Sua periculosidade e o n\u00famero de mortos que deixar\u00e1 depender\u00e1 da natureza exata que tenha o v\u00edrus, indica Wendy Barclay, especialista em gripe do Imperial College, uma universidade com sede em Londres.<\/p>\n<p>Embora, diferentemente de 1918, tenhamos antibi\u00f3ticos para tratar as infec\u00e7\u00f5es bacterianas que aproveitam o ataque do v\u00edrus da gripe, como s\u00e3o as bronquites e as pneumonias, que s\u00e3o uma causa importante de mortalidade, n\u00e3o se deve cantar vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Os danos poderiam ser igualmente muito significativos, advertiu Barclay.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, haver\u00e1 algum dia uma forma de ganhar a guerra contra a gripe?<\/p>\n<p>Este \u00e9 um sonho da comunidade cient\u00edfica, contar com uma arma definitiva, uma vacina universal que possa ser eficaz sem importar qual cepa do v\u00edrus ataque.<\/p>\n<p>Mas hoje, isso \u00e9 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Atualmente h\u00e1 muitas vacinas em estudo, mas n\u00e3o se sabe se uma ou outra vai ser conclu\u00edda com \u00eaxito, destacou o virologista Jonathan Ball, da Universidade de Nottingham.<\/p>\n<p>O v\u00edrus da gripe \u00e9, sem d\u00favida, um dos mais estudados e dos mais controlados, disse Evans. Mas o que aprendemos \u00e9 que \u00e9 muito dif\u00edcil de controlar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 100 anos tinha in\u00edcio a grande epidemia de gripe espanhola que deixou ao menos 50 milh\u00f5es de mortos. Um s\u00e9culo depois, a guerra contra o v\u00edrus da gripe continua e a perspectiva de uma nova pandemia parece inevit\u00e1vel. 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