{"id":28468,"date":"2018-03-18T03:21:49","date_gmt":"2018-03-18T03:21:49","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=28468"},"modified":"2018-03-18T03:21:49","modified_gmt":"2018-03-18T03:21:49","slug":"fiesp-espera-que-estados-unidos-negociem-sobretaxas-de-produtos-por-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/fiesp-espera-que-estados-unidos-negociem-sobretaxas-de-produtos-por-pais\/","title":{"rendered":"Fiesp espera que Estados Unidos negociem sobretaxas de produtos por pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a decis\u00e3o dos Estados Unidos de sobretaxar as importa\u00e7\u00f5es de a\u00e7o e alum\u00ednio em 25% e 10%, respectivamente, entidades do setor avaliam que o momento ser\u00e1 de negocia\u00e7\u00e3o intensa com o pa\u00eds. Para a Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp), o problema do excesso de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o existente hoje no mundo levou os EUA a acotar as sobretaxas, o que deve levar outros pa\u00edses a se mobilizar sobre a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 um risco de guerra comercial, pois se n\u00e3o houver negocia\u00e7\u00f5es sobrar\u00e3o poucas alternativas. Se n\u00e3o fizermos nada, hoje \u00e9 o a\u00e7o, amanh\u00e3 ser\u00e1 a borracha ou qualquer outro produto. Esse assunto tem que parar, afirma Thomaz Zanotto, diretor do Departamento de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Com\u00e9rcio Exterior da Fiesp. \u201cN\u00e3o estou dizendo que a negocia\u00e7\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, ser\u00e1 algo duro e dif\u00edcil, mas uma negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 melhor do que uma guerra comercial em um momento em que o mundo todo est\u00e1 saindo da recess\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a Fiesp, a expectativa \u00e9 que os americanos fa\u00e7am negocia\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o de produtos espec\u00edficos por pa\u00eds e cita como exemplo o fato de que o Canad\u00e1 e o M\u00e9xico tiveram isen\u00e7\u00e3o da sobretaxa sobre o a\u00e7o e alum\u00ednio neste primeiro momento. Na avalia\u00e7\u00e3o de Zanotto, as exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7o do Brasil para os EUA incluem 80% de produtos semimanufaturados, para finaliza\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos, o que deixa o pa\u00eds bem posicionado.<\/p>\n<p>Isso nos permite uma capacidade de negocia\u00e7\u00e3o de muitos desses produtos em acordos espec\u00edficos, onde o bom senso mostra que a pr\u00f3pria ind\u00fastria norte-americana seria beneficiada, afirma Zanotto.<\/p>\n<p>Para a federa\u00e7\u00e3o paulista, o Brasil tem uma rela\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio muito intensa com os EUA. N\u00f3s somos um pa\u00eds com frequente d\u00e9ficit comercial com os EUA, somos o maior comprador de carv\u00e3o metal\u00fargico (mais de US$ 1 bilh\u00e3o por ano), que \u00e9 usado em nossa ind\u00fastria sider\u00fargica, e depois parte do a\u00e7o produzido volta para os EUA. Ou seja, nesse momento todos os lados precisam de bom senso, avalia o diretor da Fiesp.<\/p>\n<p>China<\/p>\n<p>J\u00e1 a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Alum\u00ednio (Abal), teme que a China conquiste, com pre\u00e7os baixos, outros pa\u00edses. \u201cOs grandes exportadores, como a China, v\u00e3o querer vender no nosso mercado, o que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo, e essa tend\u00eancia vai se agravar. Ent\u00e3o, \u00e9 importante a gente monitorar para ver o que vai acontecer nos pr\u00f3ximos meses, porque a rea\u00e7\u00e3o vai ser imediata\u201d, disse o presidente-executivo da Abal Milton Rego.<\/p>\n<p>Segundo ele, uma escalada protecionista no mundo n\u00e3o \u00e9 a alternativa. \u201cInfelizmente n\u00f3s temos os dois grandes players mundiais no caso do alum\u00ednio &#8211; o maior importador, os EUA, e o maior produtor, a China, utilizando regras que n\u00e3o est\u00e3o na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), [e que s\u00e3o] regras unilaterais para alterar o resultado desse mercado\u201d.<\/p>\n<p>Rego acredita que essa conduta seja ruim para o mercado mundial. \u201cIsso traz uma instabilidade muito grande, uma volatilidade dos mercados que \u00e9 muito ruim\u201d. Para ele, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 ampliar competitividade. \u201cO que o Brasil tem que fazer nesse momento \u00e9 de alguma forma tornar as nossas exporta\u00e7\u00f5es mais competitivas, justamente para contrabalan\u00e7ar essa quest\u00e3o do mercado americano. E, por outro lado, monitorar as importa\u00e7\u00f5es para identificar imediatamente quando vier produtos para o Brasil abaixo dos pre\u00e7os internacionais\u201d.<\/p>\n<p>Revis\u00e3o<\/p>\n<p>A entidade ainda n\u00e3o fez a revis\u00e3o da previs\u00e3o de crescimento para 2018, mas o executivo acredita que a decis\u00e3o vai afetar a produ\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio. \u201cO crescimento esperado era entre 5 e 6%, um crescimento importante, mas baseado na recupera\u00e7\u00e3o de tr\u00eas anos em sequ\u00eancia de queda de mercado. Estamos reavaliando em fun\u00e7\u00e3o desse assunto, n\u00e3o temos um novo n\u00famero, mas certamente, o vi\u00e9s vai ser de baixa, n\u00e3o no mercado dom\u00e9stico, mas da produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, porque a gente entende que vai se acirrar muito a competi\u00e7\u00e3o com produtos importados\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Milton Rego, os produtos finais podem ficar mais caros. \u201cO autom\u00f3vel, uma estrutura de pr\u00e9dio, uma embalagem, por exemplo, v\u00e3o ficar mais caros, vai aumentar o custo e aumentar a produ\u00e7\u00e3o americana e os Estados Unidos v\u00e3o perder exporta\u00e7\u00e3o. Mas Trump est\u00e1 respondendo aos eleitores que querem uma economia fechada, apostando no mercado dom\u00e9stico. \u00c9 complicado porque \u00e9 uma medida unilateral, no maior pa\u00eds do mundo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Augusto Queiroz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a decis\u00e3o dos Estados Unidos de sobretaxar as importa\u00e7\u00f5es de a\u00e7o e alum\u00ednio em 25% e 10%, respectivamente, entidades do setor avaliam que o momento ser\u00e1 de negocia\u00e7\u00e3o intensa com o pa\u00eds. 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