{"id":28388,"date":"2018-03-18T02:52:53","date_gmt":"2018-03-18T02:52:53","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=28388"},"modified":"2018-03-18T02:52:53","modified_gmt":"2018-03-18T02:52:53","slug":"saude-precaria-de-parturientes-venezuelanas-alarma-medicos-de-boa-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/saude-precaria-de-parturientes-venezuelanas-alarma-medicos-de-boa-vista\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade prec\u00e1ria de parturientes venezuelanas alarma m\u00e9dicos de Boa Vista"},"content":{"rendered":"<p>Os partos de venezuelanas na rede p\u00fablica de Boa Vista, Roraima, dobraram em um ano, por\u00e9m mais do que a quantidade, o que preocupa as autoridades \u00e9 a gravidade do estado das parturientes.<\/p>\n<p>Nunca \u00e9 uma pacientes que vai ficar um ou dois dias internada e vai receber alta; normalmente s\u00e3o beb\u00eas prematuros, filhos de m\u00e3es diab\u00e9ticas, e isso acaba aumentando o \u00edndice de \u00f3bitos, explica Luiz Gustavo Ara\u00fajo, diretor t\u00e9cnico do Hospital Nossa Senhora de Nazareth, a \u00fanica maternidade p\u00fablica da cidade.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros parecem definir uma nova gera\u00e7\u00e3o, os filhos da crise econ\u00f4mica e social venezuelana. Em 2016, 288 venezuelanas deram \u00e0 luz na maternidade, enquanto que em 2017 foram 572.<\/p>\n<p>O n\u00famero representa apenas 6% dos 9.342 partos registrados na matermindade no ano passado, mas a cifras aumentam. Em janeiro de 2018, foram contabilizados 74 partos de venezuelanas, quase o dobro do mesmo m\u00eas do ano passado.<\/p>\n<p>Eu vim para c\u00e1 porque n\u00e3o tinha como ter meu beb\u00ea na Venezuela, o pa\u00eds est\u00e1 cada vez pior. Como tive complica\u00e7\u00f5es, l\u00e1 n\u00f3s duas ter\u00edamos morrido, explica Dayana Rodr\u00edguez, que migrou em novembro, gr\u00e1vida de Sofia.<\/p>\n<p>Dayana, de 17 anos, veio para o Brasil morar com uma tia, que j\u00e1 residia em Boa Vista. As complica\u00e7\u00f5es durante o trabalho de parte a fez passar duas semanas internada depois da cesariana decidida de \u00faltima hora. Diz que n\u00e3o pensa em voltar para seu pa\u00eds porque l\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 praticamente nada que d\u00ea um futuro a sua filha.<\/p>\n<p>No dia em que a AFP visitou a maternidade, no final de fevereiro, quatro venezuelanas estavam hospitalizadas. Outras acabavam de receber alta.<\/p>\n<p>Os quartos do hospital s\u00e3o amplos, limpos, equipados e abrigam n\u00e3o mais de cinco mulheres, a maioria acompanhada por um familiar.<\/p>\n<p>Em um outro quatro, Yulianny V\u00e1zquez, tamb\u00e9m de 17 anos, est\u00e1 em trabalho de parto. A jovem de El Tigre (oeste da Venezuela) ficou sabendo que estava gr\u00e1vida de g\u00eameos quando chegou ao Brasil, h\u00e1 quatro meses. N\u00e3o havia feito o pr\u00e9-natal em seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Eu vim para c\u00e1 por causa da situa\u00e7\u00e3o na Venezuela. Tive medo de ficar l\u00e1 porque n\u00e3o havia recursos para ter meus filhos, n\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dios, nem comida, afirma Yulianny, que, sentindo dores, se vira de um lado para outro na cama.<\/p>\n<p>&#8211; Aumento de \u00f3bitos &#8211;<\/p>\n<p>Luiz Gustavo Ara\u00fajo explica que as complica\u00e7\u00f5es, que demandam mais recursos e pessoal, se devem, em ess\u00eancia, \u00e0 falta de aten\u00e7\u00e3o pr\u00e9-natal, de tratamentos, de acompanhamento de doen\u00e7as como hipertens\u00e3o e diabetes.<\/p>\n<p>Dos 572 partos de venezuelanas em 2017, 228 foram de alto risco. Para voc\u00ea ter uma ideia, no ano passado, seis pacientes que viram a \u00f3bito, duas delas eram venezuelanas, que chegaram em estado muito grave, comenta Luiz Gustavo.<\/p>\n<p>Elas acabam vindo para c\u00e1 por falta de medicamentos, e isso acaba aumento nosso gasto porque s\u00e3o pessoas que a gente n\u00e3o esperava, acrescenta.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o haver um censo oficial, a prefeitura de Boa Vista estima que h\u00e1 40.000 venezuelanos na cidade.<\/p>\n<p>Luiz Gustavo afirma que para este ano est\u00e3o previstos entre 650 e 700 partos de venezoluenas na maternidade. Pode ser mais, acrescenta.<\/p>\n<p>As prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade das m\u00e3es venezuelanas n\u00e3o s\u00e3o a \u00fanica novidade no Hospital Nossa Senhora de Nazareth.<\/p>\n<p>Antes \u00e9ramos uma via de escoamento da fronteira, mas agora recebemos pacientes de outras cidades do interior, at\u00e9 de Caracas (capital venezuelana), observa.<\/p>\n<p>Eurimar P\u00e9rez, de 36 anos, acaba de ter seu quarto beb\u00ea. Vive em Santa Elena de Uair\u00e9n, cidade na fronteira entre Venezuela e Brasil.<\/p>\n<p>Desta vez, decidiu ir para Boa Vista poucas semanas antes do parto para que sua filha nascesse na maternidade brasileira.<\/p>\n<p>As coisas mudaram, tudo decaiu e nada \u00e9 igual em meu pa\u00eds. O hospital onde tive meus primeiros filhos n\u00e3o tem nada, nem recursos, nem rem\u00e9dios. N\u00e3o podia me arriscar a ter meu beb\u00ea l\u00e1, afirma, ainda convalescente da cesariana realizada na noite anterior.<\/p>\n<p>Sua irm\u00e3 se aproxima de Yulimer para que amamante o filho. Vejo nosso futuro aqui, sussura Eurimar, enquanto d\u00e1 de comer a sua filha, a primeira brasileira da prole.<\/p>\n<p>A poucos metros dali, no quarto que compartilha com outras quatro m\u00e3es, Dayana, sentada na cama, est\u00e1 com Sofia em seus bra\u00e7os. Quando indagada o que espera do futuro, olha a beb\u00ea e, sem conter as l\u00e1grimas, diz que apenas quer v\u00ea-la crescer e dar a ele o que nunca teve, uma m\u00e3e.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os partos de venezuelanas na rede p\u00fablica de Boa Vista, Roraima, dobraram em um ano, por\u00e9m mais do que a quantidade, o que preocupa as autoridades \u00e9 a gravidade do estado das parturientes. 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