{"id":28335,"date":"2018-03-18T02:33:25","date_gmt":"2018-03-18T02:33:25","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=28335"},"modified":"2018-03-18T02:33:25","modified_gmt":"2018-03-18T02:33:25","slug":"dossie-mostra-crescimento-da-violencia-contra-mulheres-lesbicas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/dossie-mostra-crescimento-da-violencia-contra-mulheres-lesbicas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Dossi\u00ea mostra crescimento da viol\u00eancia contra mulheres l\u00e9sbicas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O primeiro Dossi\u00ea sobre Lesboc\u00eddio no Brasil mostra crescimento da viol\u00eancia contra mulheres l\u00e9sbicas. Lan\u00e7ado nessa quarta-feira (7), o documento indica que, no per\u00edodo entre 2000 e 2017, foram registrados 180 homic\u00eddios de l\u00e9sbicas. No entanto, os anos mais recentes concentram a maior parte das mortes: somente entre 2014 e 2017, foram registrados 126 assassinatos de l\u00e9sbicas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O dossi\u00ea foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa Lesboc\u00eddio \u2013 As hist\u00f3rias que ningu\u00e9m conta, que atua no resgate de informa\u00e7\u00f5es e hist\u00f3rias de l\u00e9sbicas v\u00edtimas desse tipo de crime no pa\u00eds. O dossi\u00ea revela que, enquanto em 2000 foram dois casos, em 2017 eles chegaram a 54. A partir de 2013, o aumento tem sido constante, sendo que o maior ocorreu de 2016 para 2017, quando subiu de 30 para 54 registros.<\/p>\n<p>O estudo mostra ainda que a viol\u00eancia vem do preconceito masculino. \u201cAs l\u00e9sbicas se relacionam sexual e afetivamente exclusivamente com mulheres, mas os principais assassinos de l\u00e9sbicas no Brasil s\u00e3o homens, o que significa que o v\u00ednculo conjugal entre v\u00edtima e assassino, muito recorrente nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica resultantes em feminic\u00eddios, n\u00e3o ocorre nos casos de lesboc\u00eddio\u201d, diz o texto do dossi\u00ea.<\/p>\n<p>O estado de S\u00e3o Paulo, com 20% de todas as mortes de l\u00e9sbicas no pa\u00eds, foi o que teve, entre 2014 e 2017, o maior n\u00famero de registro de lesboc\u00eddios. Na capital paulista, foram oito casos nos \u00faltimos quatro anos. Apesar disso, \u00e9 no interior do pa\u00eds que s\u00e3o anotadas mais mortes. Dos 126 casos registrados entre 2014 e 2017, 82 ocorreram no interior dos estados.<\/p>\n<p>O documento explica que o termo lesboc\u00eddio, entre outras motiva\u00e7\u00f5es, \u00e9 proposto na pesquisa \u201ccomo forma de advertir contra a neglig\u00eancia e o preconceito da sociedade brasileira com a condi\u00e7\u00e3o l\u00e9sbica, em seus diversos \u00e2mbitos, e as consequ\u00eancias, muitas irremedi\u00e1veis, em especial a morte de l\u00e9sbicas por motiva\u00e7\u00f5es de preconceito contra elas, ou seja, a lesbofobia. Assim, definimos lesboc\u00eddio como morte de l\u00e9sbicas por motivo de lesbofobia ou \u00f3dio, repulsa e discrimina\u00e7\u00e3o contra a exist\u00eancia l\u00e9sbica\u201d.<\/p>\n<p>A coleta de dados sobre os casos de lesboc\u00eddio no pa\u00eds que ocorreram entre os anos de 2014 e 2017 foi feita durante o ano passado, com base em informa\u00e7\u00f5es obtidas por monitoramento de redes sociais, sites, jornais eletr\u00f4nicos e outros meios de comunica\u00e7\u00e3o de not\u00edcias criminais nacionais, regionais e locais, sempre identificando os casos de l\u00e9sbicas assassinadas e ainda os casos de suic\u00eddio.<\/p>\n<p>O grupo coordenado pela professora Maria Clara Marques Dias, desenvolvido pela professora Suane Felippe Soares e pela graduanda da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Milena Cristina Carneiro Peres, \u00e9 uma iniciativa do N\u00facleo de Inclus\u00e3o Social (NIS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) junto com integrantes do grupo N\u00f3s, que se dedica ao estudo de pessoas com sexualidades dissidentes, que enfrentam diversos preconceitos.<\/p>\n<p>Suic\u00eddios<\/p>\n<p>Os registros feitos de 2014 a 2017 indicam 33 suic\u00eddios, em sua maioria com l\u00e9sbicas na a faixa de idade entre 20 e 24 anos, vindo em seguida a faixa de at\u00e9 19 anos. Juntas, as duas faixas et\u00e1rias concentram 69% dos casos de suic\u00eddios de l\u00e9sbicas no Brasil. Os registro de casos seguem em n\u00fameros crescentes nos \u00faltimos anos. Em 2014 foram dois, no ano seguinte, cinco, em 2016 foram seis e ano passado esse n\u00famero passou para 19. \u201cO suic\u00eddio a\u00ed \u00e9 sentido como uma resposta dessas mulheres a uma sociedade em que elas n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o. Na medida em que se sentem como esc\u00f3ria da sociedade, muitas vezes n\u00e3o conseguem encontrar um lugar de trabalho. S\u00e3o levadas ao fim da linha e sentem a pr\u00f3pria vida como uma vida que n\u00e3o tem valor\u201d, disse a professora.<\/p>\n<p>Maria Clara revelou que, entre os casos pesquisados de suic\u00eddio, as mulheres se encontravam em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. \u201cH\u00e1 uma coexist\u00eancia de causas ou de vulnerabilidade. Geralmente, s\u00e3o mulheres de baixa extra\u00e7\u00e3o social, negras e muito jovens. A maior parte dessas mulheres tem baixa escolaridade. \u00c9 uma coincid\u00eancia de vulnerabilidade que faz com que elas n\u00e3o encontrem alternativas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Subnotifica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A professora Maria Clara Marques Dias disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que, apesar de os dados indicarem crescimento no n\u00famero de registros, os resultados podem ser ainda maiores porque, al\u00e9m da dificuldade na coleta de informa\u00e7\u00f5es completas e reais, existe a falta de notifica\u00e7\u00f5es oficiais das mortes. \u201cO n\u00famero, embora significativo, ainda est\u00e1 muito a desejar com rela\u00e7\u00e3o ao que a gente imagina que efetivamente ocorra\u201d.<\/p>\n<p>Maria Clara afirmou que outra dificuldade \u00e9 a falta de tipifica\u00e7\u00e3o do crime nos registros em delegacias. \u201cGeralmente n\u00e3o tem a tipifica\u00e7\u00e3o. Muitas vezes, h\u00e1 o reconhecimento por parte de algum segmento de que se tratou de um crime de lesbofobia, mas o pr\u00f3prio agressor, o pr\u00f3prio assassino, tenta transformar a vis\u00e3o do caso e, em alguns, consegue ser inocentado, n\u00e3o vai para a cadeia e [os casos] n\u00e3o ficam caracterizados como lesboc\u00eddios\u201d, informou.<\/p>\n<p>Jovens<\/p>\n<p>Em um paralelo com o Mapa da Viol\u00eancia de 2016, que destacou os jovens como a parte da popula\u00e7\u00e3o que mais morre no pa\u00eds, entre as l\u00e9sbicas assassinadas ou que se suicidam no Brasil isso se repete. Conforme o Dossi\u00ea sobre Lesboc\u00eddio, grande parte das notifica\u00e7\u00f5es se refere a pessoas de 20 a 24 anos, representando 34% de todas as mortes registradas no per\u00edodo de 2014 at\u00e9 2017. A segunda faixa com maior n\u00famero de registros \u00e9 a que vai at\u00e9 os 19 anos, com 23% dos casos. N\u00e3o foram registradas mortes de l\u00e9sbicas acima dos 50 anos.<\/p>\n<p>O alto n\u00famero de registro de l\u00e9sbicas mortas nas duas primeiras faixas et\u00e1rias representa vidas jovens, em processo de amadurecimento, em grande parte, mortas por pessoas com v\u00ednculos familiares e\/ou afetivos. Dos registros de l\u00e9sbicas assassinadas com at\u00e9 24 anos, 70% foram casos de assassinatos cometidos por pessoas conhecidas das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>A pesquisadora destacou ainda o n\u00edvel de crueldade dos crimes de lesboc\u00eddios, que muitas vezes n\u00e3o ocorrem em outros tipos de assassinatos. Para ela, entre os motivos est\u00e1 uma certa coniv\u00eancia da sociedade quando o crime \u00e9 cometido por um ex-parceiro da mulher. \u201cFazer com que a opini\u00e3o p\u00fablica se manifeste negativamente com rela\u00e7\u00e3o a esses crimes \u00e9 uma arma que a gente conquistaria e tentar fazer que mesmo os crimes passionais diminu\u00edssem\u201d, afirmou, destacando que al\u00e9m de os crimes serem praticados por homens pr\u00f3ximos \u00e0 v\u00edtima, existem os casos de viol\u00eancia nas ruas.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/p>\n<p>O Grupo de Pesquisa Lesboc\u00eddio \u2013 As hist\u00f3rias que ningu\u00e9m conta indica ainda a necessidade de cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para reduzir a incid\u00eancia de crimes desse tipo. A coordenadora disse que o trabalho de levantamento de dados, que atualmente \u00e9 feito por sites e por pesquisadores, deveria ser realizado por \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos para ter mais abrang\u00eancia e cruzamento de mais informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Maria Clara defendeu ainda a tipifica\u00e7\u00e3o do crime como lesboc\u00eddio e dispositivos de prote\u00e7\u00e3o para as l\u00e9sbicas. \u201cMuitas delas s\u00e3o vitimadas em locais p\u00fablicos, onde n\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica com o cuidado dessas mulheres. Talvez tivesse que existir um dispositivo de den\u00fancia, que elas pudessem acionar em uma situa\u00e7\u00e3o de busca de socorro quando se sentissem vulner\u00e1veis. Acho que pol\u00edticas p\u00fablicas com o objetivo de proteg\u00ea-las preventivamente poderiam ser criadas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Davi Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro Dossi\u00ea sobre Lesboc\u00eddio no Brasil mostra crescimento da viol\u00eancia contra mulheres l\u00e9sbicas. Lan\u00e7ado nessa quarta-feira (7), o documento indica que, no per\u00edodo entre 2000 e 2017, foram registrados 180 homic\u00eddios de l\u00e9sbicas. No entanto, os anos mais recentes concentram a maior parte das mortes: somente entre 2014 e 2017, foram registrados 126 assassinatos &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":26902,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28335"}],"collection":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28335"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28335\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28336,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28335\/revisions\/28336"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26902"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}