{"id":28333,"date":"2018-03-18T02:32:42","date_gmt":"2018-03-18T02:32:42","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=28333"},"modified":"2018-03-18T02:32:42","modified_gmt":"2018-03-18T02:32:42","slug":"pesquisa-diz-que-27-das-paulistanas-tem-medo-de-sofrer-violencia-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/pesquisa-diz-que-27-das-paulistanas-tem-medo-de-sofrer-violencia-sexual\/","title":{"rendered":"Pesquisa diz que 27% das paulistanas t\u00eam medo de sofrer viol\u00eancia sexual"},"content":{"rendered":"<p>Tr\u00eas em cada dez mulheres que vivem na cidade de S\u00e3o Paulo (27% do total das entrevistadas) t\u00eam medo de sofrer algum tipo de viol\u00eancia sexual. Entre os homens, o percentual \u00e9 de 7%, conforme revela a pesquisa Viver em S\u00e3o Paulo: Mulheres. A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, pela Rede Nossa S\u00e3o Paulo, com dados coletados pelo Ibope Intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cO medo das mulheres \u00e9 uma marca na cidade\u201d, disse o coordenador-geral da Rede Nossa S\u00e3o Paulo, Jorge Abrah\u00e3o, ao comentar a pesquisa. \u201cTemos uma cultura que leva a isso. Esse medo maior que as mulheres sentem tem a ver com uma quest\u00e3o pr\u00e1tica, porque efetivamente elas est\u00e3o sofrendo mais ass\u00e9dio. Elas sofrem mais [ass\u00e9dio e viol\u00eancia], ent\u00e3o elas t\u00eam mais medo.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa ouviu 428 mulheres  maiores de 16 anos, residentes em S\u00e3o Paulo. As entrevistas foram feitas entre os dias 8 e 27 de dezembro do ano passado e a margem de erro \u00e9 de 5 pontos percentuais para mais ou para menos.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, 33% das mulheres t\u00eam medo de sair \u00e0 noite e 62% temem a viol\u00eancia de forma geral. Entre os homens, esses n\u00fameros atingem 25% e 54% dos entrevistados, respectivamente.<\/p>\n<p>Crise e ambiente de trabalho<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m demonstrou que as mulheres s\u00e3o as principais v\u00edtimas da crise econ\u00f4mica. Dos 18% de paulistanos que declararam estar desempregados, universo que poderia atingir cerca de 1,76 milh\u00e3o de pessoas na cidade, mais da metade (58%) s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<p>\u201cA crise econ\u00f4mica atinge mais as mulheres que os homens. Isso acontece porque existe um comportamento machista nas tomadas de decis\u00e3o das empresas\u201d, disse Abrah\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma entre cinco mulheres (19% do total das entrevistadas) revelou que j\u00e1 sofreu algum tipo de preconceito ou discrimina\u00e7\u00e3o no trabalho simplesmente por ser mulher.<\/p>\n<p>Filhos<\/p>\n<p>Entre as que s\u00e3o m\u00e3es, 43% declararam que ficam mais com o filho do que a outra pessoa que cuida dele. Tr\u00eas em cada dez mulheres (27%) disseram ainda que cuidam dos filhos sem ajuda de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201cPor muito que estejamos avan\u00e7ando e que muitas mulheres tenham sido incorporadas nos espa\u00e7os de trabalho e muitas delas estudem, a luta, no privado, no \u00e2mbito do lar, ainda \u00e9 muito prec\u00e1ria. Temos que avan\u00e7ar muito mais\u201d, disse a soci\u00f3loga Esther Solano, professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n<p>Para Esther, a pesquisa divulgada hoje demonstra que a luta das mulheres se d\u00e1 tanto no \u00e2mbito p\u00fablico quanto no privado. \u201cNo p\u00fablico, com as mulheres que t\u00eam dificuldades para ter equipara\u00e7\u00e3o salarial e que sofrem ass\u00e9dio tanto no trabalho quanto no transporte p\u00fablico. Mas [a pesquisa] fala tamb\u00e9m que a grande maioria das mulheres cuida dos filhos sozinha em casa.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a soci\u00f3loga, isso refor\u00e7a que o feminismo ainda \u00e9 uma luta necess\u00e1ria no pa\u00eds. \u201cO feminismo, a luta da mulher, \u00e9 algo emergencial. Fico preocupada quando dizem que feminismo \u00e9 vitimismo. O primeiro passo na luta feminista sempre \u00e9 dar visibilidade a nossos problemas porque durante muito tempo ficamos caladas. Fomos silenciadas pelo patriarcado. Temos que falar, falar muito alto e ocupar espa\u00e7os de fala. E o segundo passo \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o do cotidiano: falar com os homens, com as colegas, com as amigas, com os filhos. E, por fim, a luta pela representatividade.\u201d<\/p>\n<p>Transporte p\u00fablico<\/p>\n<p>Uma em cada quatro mulheres que moram em S\u00e3o Paulo (25% do total) disse que j\u00e1 sofreu algum tipo de ass\u00e9dio no transporte coletivo \u2013 a maioria delas pertence \u00e0s classes A e B e tem curso superior. No entanto, Isso n\u00e3o significa que elas sejam as maiores v\u00edtimas, afirmou Esther Solano. \u201cNa verdade, as mulheres de classe mais alta denunciam muito mais. N\u00e3o \u00e9 que elas sejam mais v\u00edtimas. Imagine uma mulher da periferia, acostumada a ser violentada pela pol\u00edcia, como ela vai denunciar [o ass\u00e9dio] na pol\u00edcia?\u201d, questionou Esther. \u201cA subnotifica\u00e7\u00e3o em regi\u00f5es perif\u00e9ricas, onde h\u00e1 viol\u00eancia policial, \u00e9 muito mais baixa\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para Abrah\u00e3o, os n\u00fameros da pesquisa iver em S\u00e3o Paulo: Mulheres demonstram tamb\u00e9m que h\u00e1 muito ainda a ser feito para diminuir as desigualdades e a discrimina\u00e7\u00e3o contra as mulheres. \u201cTemos desafios para as empresas, temos desafios para o Poder P\u00fablico, e temos um desafio cultural para que caminhemos na redu\u00e7\u00e3o do machismo que aparece na sociedade.\u201d<\/p>\n<p>Abrah\u00e3o disse que os caminhos para vencer os desafios passam por uma mudan\u00e7a na pol\u00edtica das empresas. As empresas podem avan\u00e7ar muito no caminho da diversidade, valorizando a quest\u00e3o da igualdade de g\u00eanero e tamb\u00e9m de sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Segundo o coordenador-geral da Rede Nossa S\u00e3o Paulo, o Poder P\u00fablico tamb\u00e9m pode fazer muito. Ele citou a quest\u00e3o dos ass\u00e9dios e disse que as mulheres podem promover campanhas para que se desenvolva uma forma\u00e7\u00e3o sobre tais comportamentos. Estimular as mulheres a denunciar essa quest\u00e3o, abrir espa\u00e7o para elas denunciarem isso com mais tranquilidade. E, por fim, a quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o nas escolas de uma cultura que seja menos machista\u201d, exemplificou.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: N\u00e1dia Franco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas em cada dez mulheres que vivem na cidade de S\u00e3o Paulo (27% do total das entrevistadas) t\u00eam medo de sofrer algum tipo de viol\u00eancia sexual. 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